| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
PAUTA AGITADA NA CÂMARA
Quando se menciona agitação na Câmara dos Deputados e /ou no Senado Federal, a reação inicial hoje em dias de qualquer um quer acompanhe o noticiário nacional é a do tipo “lá vem outro escândalo”. Acaba sendo verdade, porque vem mesmo, tamanho o descalabro e a falta de limites que tomou conta das ações de bastidores e mesmo ostensivas de quem ocupa cargos no Congresso Nacional, sejam parlamentares ou servidores de alto escalão.
No caso, todavia, na certeza de que hoje e amanhã, surgirão novas revelações de atos ou atitudes de busca de privilégios e irregularidades, estamos falando dos assuntos que o presidente da Câmara, deputado Michel Temer, pautou para estarem na ordem do dia da discussão e votação.
Temer quer, numa concentração de assuntos polêmicos e mal definidos, apreciar ao longo desta semana a questão da reforma tributária e a da reforma eleitoral. Segundo o presidente da Câmara o relator da reforma tributária, deputado Sandro Mabel, obteve sinal verde da equipe econômica do governo Lula para levar o assunto à deliberação do plenário. Restrições que alguns governadores de Estados produtores teriam com a reforma estariam superadas, embora alguns, sem mencionar quais, estariam ainda resistindo. A argumentação a favor da deliberação sobre o tema é a de que o texto da atual reforma não aumenta impostos e simplifica procedimentos.
Nas palavras do congressista, o governo está apoiando porque essa reforma tributária é progressista e auto-executável, e dará a todos a condição de um desenvolvimento enorme, especialmente para as pessoas que terão mais dinheiro no bolso. Não pus entre aspas. Deveria. Por que a tradição nacional toda vez que se faz reforma tributária é para por mais dinheiro nos cofres do governo, do poder público, da buro e tecnocracia.
Vamos ser otimistas, ainda que possamos estar sendo ingênuos, e acreditar nas palavras ditas como propósitos do conteúdo da eterna vontade de se fazer uma reforma tributária que de fato simplifique a vida do país, das empresas, dos cidadãos. A conferir.
A outra proposta é a da reforma, ora eleitoral, ora política, que também acaba sendo sempre de ocasião, conforme os interesses de quem não quer perder posições ou cargos. A idéia dessa reforma, sim a cada ano temos uma incompleta, é a de regulamentar as eleições de 2010. O ideal seria fazer uma lei única que regulamentasse todas as eleições. Sem casuísmos.
Está contida na intenção desta reforma a liberação de campanha eleitoral pela internet. Por onde o pleito ou o pré-pleito de 2010 já corre solto entre os eventuais candidatos.
A questão do financiamento das campanhas com verbas públicas e da lista de candidatos escolhida pelos partidos parece superada por decisões internas partidárias (pela pressão da opinião pública contrária e dos interesses em jogo), mas, nunca se sabe. Sempre é uma definição de tempo que cabe nos interesses dos políticos. É só questão de renovar a oportunidade.
De todo modo, a grande massa, a opinião publica verdadeira e não a opinião publicada, restrita a poucos milhões de brasileiros que se interessam e acompanham, estará uma vez mais distante da discussão. O que está em jogo quando representantes populares se reúnem para discutir e apreciar questões de interesse eleitoral, no Brasil, nunca é o que seria melhor para o país, mas, sempre, o que seria e é melhor para os políticos e a manutenção de seus interesses.
Você, leitor, que acompanha os fatos da vida do país, pertencente à minoria, pode esperar pelos resultados das deliberações a respeito das duas reformas com uma esperança, um otimismo no ar. É melhor do que, uma vez mais, saber que o que sairá da apreciação dos dois temas, é algo que passa ao largo dos seus reais interesses.
Mas, para a maioria deles, a opinião pública, ou publicada, que se lixe.
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