| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
Pequeno incidente
É interessante notar como as autoridades públicas se repetem e cometem os mesmo erros primários –fruto do absoluto despreparo para a condução da coisa pública, porque só sabem usufruir do poder- quando coisas graves acontecem no país.
Neste recente episódio em quase o país todo ficou às escuras pelo chamado apagão, o comportamento do governo federal foi de uma limitação constrangedora para os brasileiros capazes de pensar.
Em primeiro lugar diante de alguma situação de proporções graves, como é o caso de o país ficar às escuras, com todas as conseqüências que isso acarreta na vida das pessoas, fica evidente que a autoridade, de saída, adota uma atitude de defesa como se, por definição, o Brasil todo estivesse fazendo uma acusação de culpa para os dirigentes.
É óbvio que numa situação desta e para isso existe governo, a sociedade imediatamente espera que os governantes responsáveis venham a público oferecer uma explicação e uma justificativa para o fato. É óbvio que a oposição vai buscar explorar politicamente a situação, como é também óbvio que a única saída eficiente para todos é a transparências das informações.
Por todos os títulos foi, uma vez mais, lamentável o comportamento dos integrantes do governo Lula diante do breu. Ficou evidente o desprepara -repito – para se lidar com ambientes não laudatórios, não preparados para exaltar o governo e os governantes e na ausência de prévia preparação de claque para aclamar os semideuses hoje encastelados no poder e de onde não pretendem sair.
O ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, indicado para o cargo na cota peemedebista administrada por José Sarney, foi tíbio, inseguro e acuado, ao falar sobre o assunto. O ideal seria ter afirmado claramente que não se sabiam ainda as causas do apagão em vez de atribuir o fato à ação da natureza de maneira atabalhoada. O mesmo ministro piorou para si mesmo o enredo ao declarar, sem nada apurado e porque a luz voltou que o assunto estava encerrado.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, como é de seu hábito, falou bobagem com ar de doutor em causa pública. Menosprezando o impacto negativo na vida de milhões de brasileiros e as conseqüentes perdas econômicas para todos, além do desconforto e insegurança, disse tratar-se de um pequeno incidente. Só faltou, dentro do visível complexo de comparação do governo atual com o anterior, atribuir a responsabilidade como herança maldita do governo anterior. Aqui, sim, foi patético.
O complexo comparativo do governo atual é algo pensado. Serve de muleta em qualquer situação desagradável para os petistas e seus adesistas no governo. Quando a coisa aperta, põe a comparação em campo. Como ninguém vai conferir e o país tem memória curta, à la Goelbs, a comparação, mesmo sendo mentira, dita mil vezes, vira verdade.
As declarações a respeito do presidente da República têm o peso de todas as outras que faz a cada minuto sobre tudo. Lula é uma enciclopédia ambulante e sobre os mais variados temas deita regra como se fosse ele acima do bem e do mal a escrever os mandamentos da vida brasileira. E do mundo.
E, para felicidade geral da Nação, entrou em cena quando tudo já estava encaminhado, a nova messias da vida pátria, ministra Dilma Roussef para tentar usufruir, sem desgaste, um pouco das luzes sobre o assunto, também dando por encerrado o episódio.
Como ela foi ministra das Minas e Energia e responsável pelas ações do governo Lula que jurou de pé junto lá atrás que nunca mais haveria apagão, a culpa nela ficou mais acentuada. Todavia, como escrevi aqui semana passada, sob pressão, como Marta, a ministra entrega o ouro. No relato de repórteres presentes à sua entrevista-show, como tudo que ela faz agora com patrocínio do dinheiro público, a ministra foi ríspida. Irritadiça, arrogante. Nada da Dilminha paz e amor fabricada pelos marqueteiros que enriquecem adoidado na vaidade dos semideuses do poder. Também com dinheiro público.
O “pequeno incidente” é só mais uma fotografia do modo de ser de um governo que, aparentando estar fazendo o país evoluir, põe no atraso das más práticas políticas e governistas uma nação que, se somados todos os esforços, está achando seu caminho.
Melhor governo é o que menos atrapalha. Governo que se acha realmente o melhor, só pode ser o pior. As forças sociais e políticas estão compradas. Com dinheiro público. E a oposição é simplesmente “patética” no dizer da habitante do Olimpo, Roussef.
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