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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.



Ainda sem oposição


Escrevi aqui há cerca de 15 dias sobre a inexistência de oposição ao governo Lula no Brasil. Certamente é uma afirmação retórica pelos inexistentes resultados obtidos pela dita oposição  em relação à forma absolutamente monárquica e impositiva em que se transformou o governo Lula, com tudo dominado pelo PT e adesistas de outros partidos, no usufruto do tesouro e dos bens públicos.

No papel, no plano institucional de direito, há uma oposição , já que se encontram nesta situação os partidos derrotados na última eleição, que não fazem parte dos acordos e bases “conquistadas” pelo governo e os que defendem outros modos e meios de governar .

A prática comprova ,todavia, das duas uma(ou as duas) : a oposição política brasileira é tão comprometida com os maus hábitos das ações do atuais detentores do poder que tem aquilo que se chama de “rabo preso” e não pode partir para uma ação mais efetiva; a oposição brasileira é absolutamente incompetentes ,ou preguiçosa,ou desinteressada, para fazer oposição de militância, de ação e não só de discurso.

As principais lideranças ditas de oposição no Brasil fazem discursos no Congresso. Dão entrevistas aos jornalistas. Nada além disso enquanto o governo atual deita e rola em ações arbitrárias, inconstitucionais, desaforadas e ofensivas ao bom, senso, como o andamento de campanha eleitoral de sua virtual candidata à presidência da República, em pleno desacordo com a legislação eleitoral vigente.

A oposição finge que não vê.
Indo além, não põe sua campanha na rua para fazer fogo de encontro, enquanto,na verdade, como ocorreu no pleito anterior em Lula venceu Alckmin, o PSDB está dividido internamente, o DEM fica esperando para ver como é que fica e a imobilidade prática prevalece,dando espaço e vantagem temporal ao irreprimível gosto pelo poder que tem o PT. Pena que seja gosto por governar, mas por mandar.

Dentro desta linha o
Estadão também manisfesta em editorial sua discordância com a oposição brasileira. Um parágrafo de opinião do jornal, sintetiza esse inconformismo.

“O governo federal queima dinheiro com gastos improdutivos, investe pouco, incha a máquina pública, loteia o setor elétrico e atrapalha-se todo na hora de explicar um apagão em 18 Estados, mas a oposição silencia diante da maior parte dos erros, é tímida na hora do confronto e seu provável candidato em 2010, o governador José Serra, parece gostar mesmo é de criticar a política de juros do Banco Central (BC). Tudo isso é visível para quem acompanha o dia a dia da economia e das principais decisões do governo, mas o economista Rogério Furquim Werneck, da PUC-Rio, vai um passo além e faz uma advertência: para não serem vistos como anti-Lula, os oposicionistas ficam sem discurso e arriscam-se a entrar sem bandeira, ou com uma bandeira muito descorada, na disputa eleitoral”...

Em outro trecho (pulando a parte referente à política econômica) diz o editorial do Estadão :

O desperdício continuará no próximo ano, porque o empreguismo, o aparelhamento e as bondades concedidas com dinheiro público vão continuar e servirão a propósitos eleitorais, mas nada disso parece impressionar a oposição. O governo conseguirá, sem a mínima dificuldade, a aprovação de um orçamento segundo as suas conveniências. Continuará queimando dinheiro, deixará de investir por incompetência, não por falta de verbas, e porá a culpa no Tribunal de Contas da União. “

Finalizando o editorial, diz o Estadão ( ao qual me solidarizo pela ridícula  mas violenta censura a que está submetido)

Em resumo, a oposição combateu algumas das melhores ações econômicas dos últimos sete anos e silenciou diante das mais desastrosas. Foi incapaz de defender algumas das mudanças mais importantes do governo anterior, como a Lei de Responsabilidade Fiscal e a bem-sucedida privatização de empresas com atividades típicas de mercado, como a mineração, a produção de aço e a fabricação de aviões. Os oposicionistas ficaram quietos quando o presidente Lula tentou intervir na gestão de algumas dessas companhias, assim como têm ficado passivos diante das perigosas mudanças embutidas nos projetos de lei do pré-sal. Se essa é a sua orientação, que mensagem terão para o eleitorado?” .

A situação da situação -usando um trocadilho infame- é confortável e léguas adiante em termos de mobilidade política porque a própria oposição política brasileira permite.

Fossem eles -os oposicionistas- os governantes e estivessem os seguidores do lulismo na oposição, com todo o material (farto,abundante, inesgotável)  que a administração Lula e seus seguidores no Congresso ,propiciam, de há muito os mecanismos institucionais do país já teriam apeado do poder os chavistas   “brasilenos”. E não vejam aqui golpismos ou conspirações. É apenas constatação à luz da história.