| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
UMA REFORMA GOLPISTA
É Golpe! Que fique claro : é minha posição pessoal e por ela ,como sempre, respondo.
O interesse revelado numa propalada “reforma política infraconstitucional”, da forma como está colocada, é golpe contra a liberdade do eleitor, é crime de lesa-pátria e não vou me calar.
Desejar que o eleitor vote numa lista fechada, com nomes escalonados pelos partidos políticos, num país onde o voto é obrigatório, os partidos políticos ou são oligárquicos, dominados por facções, ou são de aluguel, sem a mínima consolidação e ação de partido político como nas democracias ocidentais, é impor a ditadura das cúpulas, é alijar o eleitor do processo de escolha, é buscar eleger somente candidatos afinados com a vontade de quem definir a lista.
Impor ao país essa mudança, sem antes observar requisitos mínimos de prática democrática, inclusive, sua discussão constitucional, é golpe.
Agrava o acinte que se prepara contra o eleitor brasileiro consciente o fato de uma “reforma” com esse grau de virulência, vir à luz quando o país está estupefato com o comportamento ímprobo de parcela significantes dos parlamentares e governantes eleitos.
É uma tentativa de desviar o foco do problema para uma possível solução que só atende aos interesses de quem, justamente, está conspurcando a democracia brasileira com o título/mandato de representante popular, com vergonhoso desempenho. É uma forma de garantir uma reeleição numa lista de conchavo.
Não se pode falar em reforma política sem antes se tratar da fidelidade partidária, do voto distrital puro (nem o misto penso que sirva mais em meio ao lodaçal da representação parlamentar) e sem se falar em tornar o voto espontâneo e não obrigatório cativo para as massas ingênuas e desinformadas, manipuladas pela propaganda e pela sedução de facilidades oferecidas pelos próprios governantes e políticos que criam as dificuldades.
Quem defende essa “reforma” é golpista e mal intencionado.
A reforma política que o país necessita é outra. É a da profilaxia política. Da adoção de mecanismos compatíveis com nossa situação, mas acima de tudo, é a reforma para a eliminação da sem-vergonhice barata que se institucionalizou no Brasil e que conspira abertamente contra a democracia representativa, dela se valendo.
Por que as grandes organizações da sociedade, como por exemplo, a OAB, de tanta sensibilidade política, não se manifestam nem se mobilizam contra essa desfaçatez proposta?
Estou só neste entendimento?
Assim ficarei, mas não serei omisso. Ao menos minha palavra de repúdio, mais do que repúdio, de nojo, estará registrada como cidadão brasileiro que paga seus impostos e não tem ficha policial. Ao menos até agora.
|
|
|  |
| | |
|