| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
AMADURECIMENTO POLÍTICO DAS EMPRESAS
Já faz alguns anos que participo de entidades empresariais como membro, conselheiro ou simplesmente palpiteiro. Para ser mais exato, são três décadas de militância com um discurso que, agora, começa a encontrar eco, embora muitas vezes cheguei a desanimar pela falta (proposital ou não) de interesse das grandes corporações empresariais em ouvir, assimilar e praticar. Ou tudo isso junto.
Refiro-me à tese que defendo de que as empresas não podem em suas formulações estratégicas e na formação e qualificação de seu pessoal, seja o nível que for, deixar de fora as considerações sobre o ambiente externo em que atuam no Brasil, especificamente, a questão política.
Cansei de ver cara de espanto em altos executivos e empresários , quando em palestras (e já são mais de mil nesse período todo) , eu dizia que a empresa além de qualificar técnica e administrativamente seus colaboradores deveria lhes dar também qualificação política. A importância de todos os níveis hierárquicos de uma empresa, independentemente de seu porte, ter conhecimento da vida institucional e política do país, como são e funcionam os poderes e partidos políticos, é algo tão fundamental para a ambientação da empresa ao mundo onde opera seus negócios, quanto sua capacidade competitiva técnica e operacional.
A saída mais fácil que sempre encontrei foi algo assim: nossa empresa não se mete em política. Expus à exaustão, até aqui, para esse público, que por melhor e mais eficiente que uma empresa seja em tocar seu negócio, em operar seu “business core”, ela precisa conhecer e participar de maneira inteligente do ambiente externo que influencia em seus negócios. Muitas vezes um negócio fracassa, perde fôlego ou deixa de ser competitivo e as razões são procuradas internamente quando estão no ambiente externo, como decisões de política econômica, reflexos de crises nacionais e internacionais, leis que afetam o setor e por aí afora.
Quando abordo este assunto deixo claro que não se trata de inserir a empresa e seus colaboradores num partido político, engajá-los numa campanha ou algo assim. Essa decisão é individual, de cada um, no exercício de sua cidadania. À corporação cabe , todavia, assim como dá treinamento técnico, treinar,preparar, seus funcionários, gerentes, diretores, operários, para serem cidadãos conscientes do mundo em que empresa vive, das influências que decisões individuais (somadas) podem determinar à vida da empresa e consequentemente à de cada um que nela trabalha.
Com medo de parecer ou ter opinião ou posição política e sofrer represálias ou perder os contatos privilegiados, as empresas acabam deixando ao vento a formação política de seus quadros humanos e ,estes, com a influência que recebem externamente, sem ter consciência plena do papel da empresa na vida brasileira e dele dentro da empresa, num país de regime de livre mercado ,acaba não tendo ideologia que signifique a sobrevivência de sua carreira, de seu emprego, de sua empresa.
Felizmente começo a observar aqui e ali uma ,mudança comportamental de fundamental importância para a melhor adequação da empresa privada no contexto político do poder e da sociedade brasileira. Os tabus devem começar a cair e as empresas entenderem que se em seus objetivos e planos estratégicos, não considerarem as variáveis externas da vida política, econômica, social do país, sempre serão margem de manobra de políticos e carreiristas inescrupulosos.
Não basta contratar consultores para dar palestra ou lobistas para andar por Brasília e adjacências dos poderes públicos. É preciso criar em cada cidadão brasileiro a consciência de quem ele é, onde está, o que representa sua importância no processo empresarial e sua importância na definição dos rumos do país, através de seu voto. É preciso falar de como funciona o acesso ao poder no país. O meio é o partido político. A empresa deve mostrar o caminho. As decisões ,depois, cabem a cada um. Mas estarão ao menos formados e informados para decidir.
Vejo entidades de peso sistematizando as influências internas e externas nas avaliações de participação empresarial no mercado e na vida do Brasil.
Está mais do que na hora de o elefante saber a sua força, influenciar nas decisões do circo, deixar de lado as vaidades pessoais, a competição por luzes entre lideranças, e a livre iniciativa brasileira passar a entender que ela é a definida na Constituição do país como base de nossa atuação econômica. E a liberdade de empreender, pensamento e investimento, são a base. Não podem e não devem submeter-se ao Estado. Ao contrário, devem e podem formar as lideranças que amanhã estarão nos cargos importantes, definindo os rumos do país e não se deixando sugar pelos políticos mal formados que sugam a energia produtiva das empresas, dos trabalhadores, em benefício de causas pessoais.
Vindo de uma reunião empresarial, onde este tema começou a ser aprofundado, posso dizer de público de meu entusiasmo recuperado, de que a inteligência volta a ter vez na busca de melhorar o país para se contrapor à manipulação emocional e a exploração da pobreza e da ignorância.
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