LIVROS
PUBLICADOS










 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

 

 

Reminiscências pertinentes

 

Este é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade".
 
No dia 20 de julho de 1969, portanto há exatos 40 anos, o astronauta norte-americano Neil Armstrong pisou o solo da Lula pela primeira vez na história da humanidade, pronunciando a frase acima, que ficou famosa.
 
Por conta das comemorações deste extraordinário fato, a mídia internacional voltou a dar destaque ao assunto e, aqui, neste canto do Diário do Comércio, onde há 27 anos converso com o amigo leitor, é possível, hoje, para toda uma geração próxima dos 60 anos, lembrar-se daquela noite, daquela fase, onde havia (e ninguém sabia) o fenecimento do romantismo na Terra. A começar pelo pouso humano no símbolo maior do romantismo, a própria Lua.
 
Ate hoje há quem duvide que o pouso ocorreu. O passeio lunar. Atribuem as imagens a encenações de estúdio e por aí afora. Vou ficar com os que acreditam que uma engenhoca humana levou (e depois da primeira, mais duas vezes) o homem a pisar e depois voltar de seu satélite natural.
 
Com o contido saudosismo que fatos assim provocam, evocando questões do tipo "o que você fazia quando Kennedy foi assassinado?", ou "o que você fazia quando o homem chegou à Lua?", é possível perguntar se o Brasil, e o  mundo, eram melhores então do que são agora.
Difícil dizer. Eu não me arrisco.
 
O mundo vivia a chamada Guerra Fria, a disputa entre os Estados Unidos, capitalista, e a hoje extinta União Soviética, comunista, pela dominação universal. Soa até como pretensão, mas a própria corrida à Lua foi decorrência dessa competição.
 
Os Estados Unidos chegaram primeiro ao satélite, apesar de a União Soviética ter sido a pioneira em pôr um homem em
órbita da Terra, Yuri Gagarin, que imortalizou outra frase, ao ver o planeta do alto: "A Terra é azul."
 
A União Soviética foi extinta, o comunismo capenga aqui e ali, a caminho da extinção, e os Estados Unidos perderam força, hegemonia e capacidade econômica.
 
O mundo está se tornando a aldeia global prevista por Marshall MacLuhan, também lá por volta dos anos 60.
Quando Armstrong pisou na Lua, o Brasil estava no primeiro ano de domínio do AI-5, editado em dezembro de 1968. Dali até a restauração do estado do direito e das liberdades plenas no País haveria ainda uma longa caminhada. Vencida. Superada.
 
Eram tempos difíceis para os brasileiros. As gerações nascidas a partir dos anos 70 não dão valor às liberdades democráticas no País, mas nasceram sob seu signo e certamente jamais se conformariam em perdê-las. Já se disse que o preço da liberdade é a eterna vigilância. Cabe então a nós, que dela não desfrutamos por cerca de duas décadas, manter os alertas sempre ligados.
 
Em 1969, quando o homem chegou à Lua as coisas eram bem diferentes por aqui. Os costumes, os hábitos, os valores. Talvez a única coisa que reste semelhante, enraizada nos lodoso subterrâneos do valhacouto, é o comportamento do homem público pátrio, que insiste, quarenta anos depois de se abrirem as portas do espaço infinito, em seguir  pequeno, gafanhoto, predador da riqueza produzida pelos que trabalham de verdade.

Na ingenuidade de meus 19 anos de então, eu olhava para Lua e me perguntava como seria possível tal feito. Hoje, quarenta anos depois, repito a mesma pergunta.

 E há outra para a qual não encontro resposta: até onde o ser humano vai chegar antes de se tornar solidário de verdade com seu semelhante? E até quando o tesouro público brasileiro seguirá sendo a lua dos maus políticos, que nela pisam e arrancam o que podem , somente para si ?