| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
SE HOUVESSE OPOSIÇÃO
Num regime democrático, como é o brasileiro, é saudável a existência, e até necessária, da oposição. Não existisse espaço para a oposição e o atual presidente da República ali não teria chegado. Chegou na quarta tentativa. Antes havia sido derrotado por Collor, então inimigo de morte e hoje aliado, uma vez e Fernando Henrique Cardoso, duas vezes.
Depois, se reelegeu e parece ter adquirido gosto excessivo pelo poder. Se não o próprio Lula, ao menos a companheirada do PT e da chamada base aliada que não mostra medidas no desejo de perpetuar-se no comando dos cofres públicos.
Houve um tempo, durante aquele período em que por três gestões presidenciais Lula foi derrotado nas urnas e ficou na oposição, em que a oposição existiu e gritava alto. O mínimo deslize por parte dos detentores de cargos públicos e a máquina de gritar do PT, seus aliados na Igreja Católica e adjacências oportunistas (inclusive no Ministério Público) esgoelavam como se o mundo estivesse acabando e cada um deles sendo imolado em praça pública.
Veio o tempo de fartura para o petismo e adesistas.
A crônica do primeiro governo Lula e do segundo, até o momento, é rica, farta, abastada, de atos, ações, atitudes, comportamento, dos membros do governo de Lula, a partir do próprio, que atentam diariamente contra as regras eleitorais, contra o bom senso e contra a solidez das instituições democráticas, enxergando em cada gesto fiscalizatório ou acusação de corrupção ou companheirismo de autobenefício, uma conspiração.
Os registros da imprensa revelam também que ,quando em palanque,especialmente nos estados que sobrevivem à custa do que os outros mais desenvolvidos produzem, o presidente excede no palavreado de campanha, nas acusações sem fundamento, na tentativa de acentuar no país a divisão de classes inexistente até antes dele no plano da hostilidade hoje fomentada. Sempre houve no Brasil ricos e pobres. Sempre se soube que é preciso investimento para dar a todos igualdade de oportunidades, de participação, a começar pela formação educacional, de saúde e trabalho, de base.
O governo Lula prefere oferecer bolsas, fazer discurso diversionista e divisionista, prometer a felicidade eterna e demagogicamente explorar, em vez de combater, as diferenças sociais e econômicas.
Usa e abusa da transgressão à legislação eleitoral conduzindo campanha antes da hora, carregando a ministra a tira colo, tudo pago com recursos públicos. E quem ousa levantar a questão é imediatamente condenado pelas palavras, olhares de ódio e acusações de perseguição, ao fogo eterno do inferno, pelos companheiros privilegiados.
O Brasil está sem oposição.
A atual, por motivos desconhecidos publicamente, finge ser oposição.
Comparada a oposição atual ao modus operandi da oposição dos tempos em que Lula e o PT e adesistas não haviam aparelhado a máquina pública, a de hoje é um choro de nenê diante do urro de dragão ferido que a companheirada troava antes de acomodar-se no ar condicionado, nos carpetes, de ser chamada do “dotô” e abastecer-se no dinheiro público desviado em cuecas e mensalões.
Certamente há coisas boas no governo Lula. Se não houvesse não precisaria nem de oposição política. Os fatos e o tempo evidenciariam a ausência total de ações positivas.
Saudemos o que de bom acontece. É a obrigação do governante. Ainda mais dos que usufruem dos benefícios do poder de forma lambuzada. Sem pudor.
As falácias postas em campo, todavia, sempre propulsadas por polpudas verbas públicas, são perversas para a construção do país da forma como ele necessita ser construído. Sem os vieses da incitação partindo do próprio governo. Sem a afronta generalizada à legislação, como se a alta popularidade decorrente da demagogia e da distribuição farta do dinheiro público, a fundo perdido, estivesse acima do bem e do mal.
E a oposição? Fico tentando entender qual seriam os motivos que a levam a ser tão medíocre no papel reservado aos oposicionistas de verdade, dentro da lei e da ordem.
Nesse “rio são Francisco” de águas fartas, o governo e aderentes,adesistas e beneficiários, transpõem, nadam, mergulham, pescam, engordam, estocam, transgridem sorridentes e felizes.
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