| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
Até tu,Brutus?
Até o Supremo Tribunal Federal, última e maior corte de salvaguarda da justiça e da Constituição brasileira, embarcou na nau dos insensatos em que parece ter se transformado o poder público em nosso país.
Até tu, STF?
A discussão de nível inadequado entre o presidente do STF e o ministro Joaquim Barbosa, amplamente difundida em todos os meios de comunicação deixa exposta a veia aberta da autoridade pública brasileira hoje, aparentemente, dedicada a toda sorte de propósitos, menos o de servir de forma discreta, eficiente, leal, ao seu país.
Não cabe a anônimo cidadão julgar os atos de quem tem a responsabilidade de julgar os casos mais importantes do Brasil. Um ponto, todavia, é relevante, nestes tempos de fama e fortuna, únicos objetivos pelos quais a humanidade hoje parecer lutar. Ainda mais a humanidade brasileira instalada em postos importantes. O ministro Barbosa acusou o presidente do STJ de desservir a justiça por buscar apenas estar presente na mídia. Podem não ter sido estas as palavras, mas foi este o conteúdo da acusação.
Apenas a título de constatação observe-se que de fato o ministro Gilmar Mendes tem estado em franca evidência no noticiário político do país,mais do que jurídico, dos últimos tempos. O último que teve grau de exposição semelhante é hoje ministro da Defesa, Nelson Jobim.
Aspiraria o ministro Gilmar Mendes também desenvolver seu talento na área do Executivo, ou mesmo do Legislativo, já que ocupa o mais alto posto do Judiciário pátrio?
De um modo ou de outro, razões de um ou de outro, o que vale mesmo é que a mais elevada corte de justiça nacional desceu ano nível das brigas de botequim. Só faltaram palavrões e tabefes para jogar de vez no chão a honorabilidade de comportamento que um tribunal supremo exige para ser respeitado.
É um processo único que alcança o estado brasileiro. As instituições estão fortes, felizmente, no enraizamento da democracia brasileira. Mas cada ato negativo do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, conspira de forma perversa contra a consolidação do Brasil como um país sério, democrático, em busca de ser uma nação líder no mundo. E conspira contra si própria, agredindo a crença, os valores, o comportamento probo dos brasileiros comuns. O exemplo que vem de cima espraia-se pela sociedade dizendo já de forma clara, objetiva, direta: vocês são todos uns trouxas que pagam os impostos que nos sustentam e querermos cada vez mais, sem dar satisfações e fazendo tudo de nosso jeito. Virem-se vocês.
Cada escândalo que permeia o Planalto, o Congresso e o Judiciário, e eles ocorrem agora na freqüência da renovação diária, é um tiro no pé na credibilidade da classe política, dos próprios magistrados e da sociedade com um todo, atônita, com o volume de sem vergonhice que se enraizou nas instituições tupiniquins.
Se há mais de um século atrás, Rui Barbosa dizia ter vergonha de ser honesto, o que diria agora onde a honestidade está se tornando uma palavra obsoleta no significado e na prática?
No bate boca dos ministros do Supremo a causa passa distante da questão da corrupção material. Entra na corrupção dos valores, da conduta, da observação das regras e do relacionamento visivelmente deteriorado entre pares de relevante função.
Qual será o escândalo de hoje e o de amaná, porque este do qual estou tratando, já está ficando velho no moto - continuo da desmoralização das autoridades públicas brasileiras.
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