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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

 

Parabéns, prefeito Kassab

 

Em primeiro lugar, no tema de hoje, vamos separar,como se costuma dizer, o joio do trigo. O joio é erva daninha que viceja em meio aos trigais tão úteis ao sustento do ser humano, pela feitura do pão, desde as chamadas priscas eras.

Todos nós, cidadãos comuns e mortais, estamos cansados, até o pescoço, da intitulada classe política brasileira. É verdade que, em minha opinião nada abalizada, que a culpa é nossa mesma, porque eles existem da forma como são e são o que são pela nossa omissão.

Os políticos brasileiros estejam eles em cargos do Legislativo ou do Executivo, são, no mais das vezes, fruto do vácuo existente entre o que pensa e deseja a sociedade e quem são os que a representam nos cargos eletivos. Estes, eleitos para representar o pensamento de quem os elegeu, agem e se movem apenas em torno dos seus interesses pessoais, tamanho é o fosso entre representados e representantes. Culpa de nossa omissão no processo político e da legislação que os eleitos fazem para preservar seus mandato e reeleições. Não há vinculo nem compromisso entre quem votou e quem foi votado. Erro crasso da democracia brasileira que favorece o eleito e ridiculariza o eleitor.
Isto posto, vem o problema da separação lá de cima do joio e do trigo. Existem distorções acentuadas, como em tudo no país, no que diz respeito à correlação entre o que recebem os eleitos (falo de dinheiro) e os por eles nomeados e o que produz a maioria.
O joio se esparrama sobre o trigal.

Vai ser difícil encontrar um brasileiro sério, bem intencionado, que considere justo, por exemplo, o que ganham os parlamentares pátrios.  sanguessugas verde- amarelos (claro que há exceções, mas são minoria e se for maioria estão calados e igualmente omissos; aí caem na vala dos sanguessugas).  Os salários, benefícios e adicionais que recebem os membros do Legislativo e seus arredores, são desproporcionais aos serviços prestados ao país.

Em compensação, os salários pagos a membros do Executivo de imensa responsabilidade, são tão minguados que acabam levando a situações esdrúxulas: ou os bons profissionais fogem das funções ou profissionais seduzidos pelo baixo salário acabam se tornando presa fácil da corrupção. As duas assertivas não são alternativas únicas. Existem, certamente e conheço muitos, bons profissionais no Executivo ganhando menos do que merecem e mantém a qualidade técnica de seu trabalho e sua integridade moral. Como também há parlamentares que não se enquadram no figurino dos exploradores de pátria. Mas o joio parece tomar conta do trigal.

Por isso tudo e muito mais é que apoio integralmente a atitude do prefeito Gilberto Kassab e do Secretário de Modernização, Gestão e Desburocratização, Rodrigo Garcia, ao proporem o ajuste dos salários dos integrantes do escalão principal da prefeitura de São Paulo. É ridículo um Secretário Municipal ganhar pouco mais de cinco mil reais, bem como o próprio prefeito, em torno de doze mil reais por mês. Aliás, o prefeito Kassab vai aumentar os salários, inclusive o do prefeito, mas abre mão do seu reajuste pessoal, para não parecer interesse próprio.

Perdoem a inconfidência, mas digo isso de experiência própria. Não pude aceitar certa feita convite para um cargo de primeiro escalão justamente porque os vencimentos propostos e que exigiam dedicação exclusiva, não cobriam minhas despesas na época.  Piadinhas à parte, de que foi sorte do governo eu não ter aceito na ocasião, fico pensando em quem não tem opção e aceita para se locupletar.  A maior parte dos honrados membros do primeiro escalão possui condições de sobreviver por recursos próprios e oferece sua contribuição à coletividade.  Mas os baixos salários impedem que muito mais gente que teria condições de dar grande colaboração à administração pública, fique de fora por conta dos baixos vencimentos e não ter formação moral para se degradar no uso do cargo.

Mesmo os parlamentares poderiam e deveriam ganhar o suficiente – e ganham- para servir à causa para a qual foram eleitos (pelos eleitores e não por eles mesmos).

As distorções pedem para ser corrigidas. Somente serão quando políticos que estão no poder, como o atual prefeito paulistano, tiverem a coragem de tomar medidas justas e sérias, sem medo da patrulha, de parecer populista, mas de olhos na eficiência e moralidade da gestão pública. Isso custa dinheiro na iniciativa privada. Se não custa na administração pública, é porque tem corrupção, desvios, safadezas, por trás do pano. Parabéns, pela medida à primeira vista antipática, mas necessária, e corajosa, prefeito.