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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

24/11/2009



A mentira como valor


Segundo resumo, após rápida pesquisa na Internet, de Flavia D´Moraes postado no blog “Poder da Mídia!, no livro 1984, de George Orwell, já citado aqui por mim e novamente mencionado pela relevância de suas “previsões”, no enredo “o estado controlava o pensamento dos cidadãos, entre muitos outros meios, pela manipulação da língua. Os especialistas do Ministério da Verdade criaram a Novilíngua, uma língua ainda em construção, que quando estivesse finalmente completa impediria a expressão de qualquer opinião contrária ao regime. Uma das mais curiosas palavras da Novilíngua é a palavra duplipensar que corresponde a um conceito segundo no qual é possível o individuo conviver simultaneamente com duas crenças diametralmente opostas e aceitar a ambas.”

José Roberto Guzzo, na edição deste final de semana , última página da Veja, afirma que “o Brasil oficial de hoje, cada vez mais, faz um esforço concentrado para mentir... Há a mentira pura e simples em que se negam fatos que com-, provadamente aconteceram, ou se garante a existência de fatos jamais acontecidos. Há a ocultação da verdade. Há a propagação de realizações inexistentes. Há as explicações, justificativas e desculpas falsas para erros que não foi possível esconder. Há mentiras bem contadas e mentiras mal contadas, as que vêm disfarçadas como equívocos e as que são com as piores intenções, no fundo, apenas mentiras...”

A maior tarefa que incumbirá ao governo que vier a suceder os oito anos da era Lula (e mais quatro ou oito se Dilma vier a ser eleita e, aí, a tarefa será muito mais difícil, estafante) será reconstruir para os brasileiros o sentido verdadeiro do valor, da verdade, em detrimento da mistificação, da mitificação, da embromação, do autoritarismo disfarçado de democracia e da desconstrução da realidade, ou construção de outra realidade dentro da mesma, numa espécie de “duplipensar” como estão submetidos os brasileiros, na atualidade, pela forma dominadora e impositiva como esses valores deformados estão sendo impostos à sociedade brasileira. A imposição tem o patrocínio dos cofres públicos abarrotados de dinheiro para a publicidade dos meios de comunicação, financiamentos para as grandes empresas e subsídios fartos aos pobres e aos organismos sociais que, abastecidos pelo mesmo dinheiro público, estão nadando em conforto, acomodados no silêncio dos culpados.

A opinião pública está sendo escandalosamente manipulada e dirigida a formar seu pensamento na “novilingua” e no “duplipensar” de Orwell, pela massificação da comunicação oficial e no noticiário simples, através da deliberada ação oficial de manutenção no poder dos criadores dessa perversa forma de governar, como se a mesma fosse –mascarada que é – voltada para beneficiar os pobres e melhorar a vida dos menos favorecidos. Ela é feita para a perpetuação no poder, controle absoluto da sociedade, usando manipulada melhoria social como pano de fundo de um cenário de anestesiamento das camadas pensantes da população.

A tarefa de um futuro governo que vier a ser eleito fora da esfera de influência dos atuais detentores do poder e seus aliados usufrutuários de benefícios mediatos e imediatos, contrários à construção de uma sociedade justa e equilibrada dentro dos valores de ética, moral, respeito e probidade, será hercúlea. A nação poderá ter se acostumado, ou ter sido viciada, na mentira, na hipocrisia, na inversão, à custa de pequenos benefícios que se não são ilegais tornam-se imorais pela perpetuação do statu quo e perpetuação dos detentores do poder em seus tronos privilegiados. A prevalência da mentira e da distorção dos fatos, comprados, adquiridos e impostos, pela força de quem tem o caixa e controla os meios de comunicação, está corroendo as entranhas dos valores nacionais.

Tudo isso em nome de –outra falácia- a melhoria da qualidade de vida. Esta é obrigação de qualquer governo, desde que os beneficiados não fiquem à mercê e dependam eternamente dos “concedentes” que nada mais fazem do que manipular os recursos de toda a sociedade em favor de sua manutenção no poder.

O Brasil ,parecendo ir para a frente, parece estar  retrocedendo e formando uma ou mais gerações de cidadãos de valores invertidos. A mentira passa a ser a verdade.