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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

 

A doença da ministra



Volto ao assunto pelo amplo destaque que a mídia tem dado.


A questão da vida, da saúde, de personalidades públicas, de autoridades, celebridades, sempre atraiu a atenção das pessoas,digamos, comuns, e por consequência da chamada mídia, o conjunto dos veículos de comunicação de massa em suas diferentes formas. É verdade que esta mídia nem sempre se contém nos limites da informação e exagera na ênfase e sensacionalismo, estimulando ainda mais a curiosidade pública, quase sempre mórbida, ainda mais quando envolve doença ou escândalo.

O vice-presidente da República, José de Alencar, é um exemplo de como se dá destaque à doença de uma autoridade, pela presença permanente nos meios de comunicação, muito mais em função de sua luta contra o câncer do que, propriamente, como vice-presidente do país. Sua saga já virou emblemática e a forma corajosa e simpática com que enfrenta a doença lhe rende além da compaixão humana respeito por sua tenacidade.

O caso de Ministra Dilma Roussef é particularmente interessante. Não fosse ela indicada pelo próprio presidente Lula como a candidata do seu partido à sucessão presidencial, e o destaque dado à doença que a acomete seria significativamente menor.

É lícito supor que não haja ser humano sobre a face da Terra, que honre essa qualificação, que não ponha de lado as antipatias ou desavenças com alguém que é diagnosticado com alguma doença grave, em nome da solidariedade e do respeito. Portanto, independentemente de ser candidata (fora de época e da condição da lei) a mulher Dilma Roussef merece todo respeito e consideração pela doença que está enfrentando.

Coube a ela própria tomar a iniciativa de trazer isso a público através de coletivas de imprensa. Teve o destaque cabível na mídia, com os exageros de praxe e assim segue a cada movimento, internação ou sintoma da preferida de Lula.

Em função de ser a ministra a virtual candidata à presidência da República, o que por si só representa algo inédito, sua doença trouxe as mais diversas interpretações e explorações no campo da atividade política. Desde acusações de exploração da doença para angariar simpatia pública, até a volta do esdrúxulo debate sobre terceiro mandato para Lula caso a doença impeça a candidatura oficial de Dilma.

Tudo isto está contido no caldeirão que ferve com essa mistura envolvendo figura publica, celebridade, mídia, doença e curiosidade popular.

Indagada até de forma bajulativa pela imprensa, após internação em São Paulo na semana passada, para tratar de dor, se haveria interferência na campanha, a ministra disse considerar de mau gosto especulações de que a doença possa abalar sua pré-candidatura ao Planalto.

É típico da política brasileira. Toda a ênfase positiva (se é que pode haver alguma numa doença grave) de sensibilização da simpatia popular é promovida pelo próprio governo e os seus órgão de comunicação patrocinados por verbas públicas. Em seguida a mistura das situações é negada como se tivesse sido invenção da mídia e os nomes envolvidos inocentemente abrangidos pelas “especulações”. E respeite-se a situação de fragilidade da ministra, igualmente não admitida, já que seu ritmo de trabalho, exceção dos dias de internação, se manterá inalterado. Vende-se a mulher, o ser humano Dilma, como a super Dilma.

É preciso colocar tudo sob a perspectiva natural. A ministra chefe da Casa Civil da Presidência da República é figura pública e, ainda, como virtual candidata à presidência, atrai naturalmente a atenção pública. Cumpra-se, então o papel de divulgar tudo que com ela ocorre, em função do cargo e não da pretensão futura.
A cidadão Dilma, acometida e em tratamento contra um câncer linfático deve merecer todo respeito e privacidade que uma situação dessa permite, porém com a divulgação natural da situação médica.

O resto é forçar a barra de um lado ou de outro, com outros objetivos.

Mais do que tudo está em jogo o bem mais precioso que um ser humano pode ter: sua própria vida, e é de sua vida que Dilma Roussef, no sentido médico, deve cuidar.

A especulação política, a favor ou contra, numa situação assim, é deplorável.