| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
Cautela e muito juízo
Por mais que seja prematura , a campanha pela sucessão do presidente da República está posta no cenário nacional e já de algum tempo. O próprio governo encarregou-se disso ao buscar indicar e fomentar o fortalecimento político da ministra Dilma Roussef, na ausência de candidatos de peso na prova sucessória. Quem insiste, e há que o faça, nesta quadra, em falar em terceiro mandato e, pior, agora, em prorrogação de mandatos, está de brincadeira com o país.
Além de extemporânea essa campanha igualmente precipita o que no jargão político se chama de ocupação de espaço. Obriga a todos os eventuais interessados nesta sucessão, sejam os partidos políticos e candidatos, além das forças econômicas que gravitam em torno do poder, a se mexer.
Convenhamos, nem sempre essa atitude de movimento, visando sensibilizar precocemente o eleitorado, é embasada em argumentos e fatos construtivos. Assistiu-se recentemente um partido por no ar, em seu horário gratuito, na televisão, uma insinuação dúbia de que, a exemplo do que fez Collor, o governo Lula iria confiscar a poupança. Até o mais ferrenho adversário do atual presidente há de convir: foi um golpe baixo sem a mínima condição de existência no Brasil atual. Mais obrigou o governo também a se movimentar numa resposta e esta veio da pior forma. Taxou-se a poupança a partir do ano que vem, e pasme-se, no valor superior a cinqüenta mil reais, o mesmo número emblemático que Collor havia utilizado para enfiar a mão no nosso bolso. O resto foi um período pequeno de desastroso governo que acabou bem antes do prazo.
A emenda saiu pior do que o soneto, como se diz popularmente.
Trata-se, todavia, de exemplo clamoroso de como as partes, governo, aliados e oposições, estão começando a agir na prematura sucessão. O Planalto não tem tido nenhum, absolutamente nenhum constrangimento em alimentar, promover e estimular, com o cotidiano da ação governamental, a tentativa de emplacar a ministra Roussef como forte candidata a substituir Lula. Infringe todas as regras legais num silêncio estranho da Justiça Eleitoral. E, para ficar no mesmo exemplo da dubiedade sobre a poupança, oposição age igualmente alardeando pânico sem que nada aconteça.
É preciso muita cautela. O jogo do poder quase nunca, para sermos comedidos, tem limites éticos, morais, recomendados para um país que vem amadurecendo de forma crescente suas raízes democráticas. A tentação de embaralhar o jogo e provocar rupturas existe à esquerda e à direita, ou seja, em todas as direções. Cabe à própria sociedade e suas forças impedir que radicais, mal intencionados, levianos, usem da democracia para contra ela conspurcar.
A cautela que se recomenda preocupa cabeças pensantes interessadas no Brasil e na sua estabilidade política, como vem acontecendo nos últimos anos. Governo e oposição, mesmo açodados, um para manter-se no poder e outro para conquistá-lo, não devem partir para o nebuloso terreno da mistificação, da ilusão, da mentira, como tem se observado na cena política e, inclusive, na econômica, com o caso que gerou a CPI da Petrobrás.
Juízo é mais do que palavra de ordem. É necessidade.
|
|
|  |
| | |
|