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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

 

 

O mal que a distancia faz

 

Por mais que fiquemos indignados com a maneira como agem nossos políticos e governantes, usufruindo da coisa pública como se fossem suas, pessoais, é preciso entender que todo o processo de oligarquias, dominações e feudos instalados no poder público brasileiro são fruto de uma mesma origem viciada: a ausência de educação no sentido de alfabetização e como conseqüência, a ausência de educação para a vida política do país.

Não é de hoje que falo disto, não é de agora que insisto na tecla, e esse é um dos motivos que fizeram nascer o Instituto da Cidadania Brasil onde,  cidadãos comuns,  buscam através de projetos voltados especialmente para a educação e formação de nossos jovens, ensinar e difundir uma nova mentalidade no modo de enxergar o país, a vida pública e a necessidade da participação de cada um de nós.

Reclamamos muito, mas fazemos pouco.

A tese da tolerância zero deveria ser aplicada na forma de relacionamento entre cada cidadão e deste com o poder público com as empresas desrespeitosas, com as escolas picaretas, com tudo que está de errado.

É educação de base, de berço.

Não a temos num nível necessário, o mínimo. E somos todos, os brasileiros, fruto do mesmo processo cultural que nos condena a ficar indignados com as peripécias da família Sarney, exemplo típico do usufruto do poder em benefício próprio, mas se tivermos a oportunidade de nomear o namorado da filha, o genro do cunhado, o cachorro do primo, certamente o faríamos.

A tolerância zero, dentro de um princípio de justiça, de apuração devida das razões, deveria ser a base da atuação de cada um de nós. Cumprindo ao limite nossas obrigações, poderíamos exigir do semelhante a mesma atitude, a começar do malfadado jeitinho brasileiro onde os mais boçais são sempre os mais espertos e pela ausência de punição ou mesmo reação dos agem corretamente, acabam premiados com sua ousadia desrespeitosa ao avançar sobre os direitos de outros.

A distância existente entre o grau de educação que o país necessita e a distância existente entre a obrigatoriedade natural da participação de cada um de nós em todas as atividades que acabam recaindo sobre nós (reuniões de condomínio, associações de bairro, clubes, entidades, eleições, partidos, etc.) e nossa omissão, representam a diferença exigida  para se  ir minimizando  a indigência de valores e de comportamento que vindo de cima para baixo se espraiam na atitude cotidiana de todos, mesmo indignados com terceiros.

Indignados, mas, provavelmente fariam o mesmo.

Essa distância entre o ideal e o real, estrada esburacada e lodosa, cujo asfalto é a educação, segue sendo o mal que nos afeta.
Faltam estadistas no Brasil de hoje.

E faltam cidadãos e cidadãs comuns que saiam da indignação e partam para a ação de educação organizada e cobrança dos que agem erroneamente.