FACTÓIDES,SENSACIONALISMO...CANSAÇO
Políticos de destaque são acusados de corrupção e em situações nebulosas de mau uso do dinheiro público ou sonegação de impostos. Empresários de médio e grande porte são presos e acusados de corrupção, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Altos executivos do poder público e da iniciativa privada são presos e acusados de ações e atividades que contrariam as leis brasileiras.
Isto tem acontecido com uma freqüência irritante pela constatação do alto grau de desvirtuamento que atingiu o trato de coisa pública e as saídas buscadas pelos que desejam aumentar seus lucros de forma irregular.
Os fatos têm sido trazidos ao conhecimento da opinião pública pela mídia de massa de forma escandalosa, sensacionalista. Prisões são efetuadas perante as câmeras de televisão e fotográficas e causam perplexidade. As prisões dos acusados são efetuadas como se todos já fossem criminosos condenados e fica para o cidadão comum que recebe o impacto da comunicação um resultado altamente negativo de tudo isso pelo simples fato de que algumas horas depois estão todos em liberdade e a sensação de impunidade e de corrupção generalizada é a que fica no ar.
Os acusados poderiam ser inocentes. Os denunciados poderiam não ser culpados.
Poderiam porque não há elementos, pelo que é noticiado, de se comprovar culpas, embora muitas vezes gravações e documentos deixem evidente que não há como negar as acusações. O direito processual exige o cumprimento de seu ritual e das normas do direito para se fazer justiça.
Acaba ficando, então, a prisão, liberação, acusação, libertação, recursos infindáveis e acúmulo de fatos e operações sem conclusões e penalidades finais. Sobra para a sociedade em geral a constatação de que tudo foi escandaloso, em vão e nada mais é correto.
Em linguagem popular, é preciso baixar a bola de como as coisas estão acontecendo no Brasil. Os factóides estão se tornando mais importantes do que a realidade dos fatos. Os anúncios e flagrantes, tanto de crimes como de grandes obras, por exemplo, são feitos de forma ostensiva e nunca se sabe se serão reais ou simplesmente, mesmo verdadeiros, usados para a promoção instantânea, o efeito imediato.
Estamos perdendo o senso de profundidade das coisas e transformando o de justiça em ingrediente de consumo imediato sem necessidade de comprovação.
No meio do imenso lodaçal que toma conta dos bastidores da vida política do país e das ramificações existentes na iniciativa privada de oportunidade , as denuncias e acusações se perdem , fazem injustiças com inocentes, e deixam livres culpados escondidos atrás de chicanas, manobras, advogados que custam milhões e seguem manipulando tanto os conchavos como a opinião pública.
É preciso baixar a bola, repito. A mídia deveria refletir um pouco mais e chamar a si um pouco a responsabilidade de pesar melhor a forma de cobertura dos fatos. Já ouço o coro das patrulhas alegando (se for só isso está bom) que a imprensa não faz os fatos e deve relatá-los. Concordo. A questão é o grau de sensacionalismo, a falta de sobriedade, com que muitos buscam audiência e venda de jornais.
A opinião pública podem pesquisar, está descrente e cansada de operações de nomes bizarros, manchetes escandalosas, prisões impactantes e pouco tempo depois tudo e todos voltam ao estado anterior.
Eu, particularmente, prefiro uma ação investigativa e de ação policial discreta, com anúncio de seus resultados com a sobriedade que uma polícia eficiente deve ter. Prefiro também uma cobertura da mídia sem a competição desnecessária nos tempos atuais pelos “furos” e mais focada na qualidade da informação.
E, certamente, também prefiro que as autoridades públicas e os políticos sejam mais honestos, a polícia idem e o judiciário interprete mais as leis à luz dos valores da sociedade e não na letra do texto que acaba favorecendo o criminoso. Nesse meio, o ministério público também sem a preocupação de aparecer ou ser mais do que é, poderia agir mais no cotidiano dos brasileiros comuns.
O impacto disso tudo é negativo na formação do caráter da gente brasileira.