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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

09/11/2009



O BRAIL É UM

PAÍS EM OBRAS


O título pode sugerir que me refiro ao tal de PAC do governo federal ou ao programa de ação deste ou daquele governador ou prefeito. Nada disso. Até porque é obrigação de qualquer governante fazer as obras que a sociedade demanda (os nossos governantes fazem disso meios de propaganda de suas qualidades, quase sempre, tudo, as obras e a qualidade, meras falácias).

Preste atenção, caro leitor, aos barulhos em sua volta. Na rua, na cidade, no país. Vivemos época de muita poluição sonora. Por mais apurada que seja sua audição, entretanto, há um promissor e eficiente movimento, uma grande obra da sociedade, cujo barulho não se houve, mas a construção está acontecendo.

Estou falando de obras que estão sendo realizadas Brasil afora e adentro, promovidas e sustentadas pela ação voluntária –e até mesmo remunerada- de pessoas voltadas à implementação de projetos destinados a suprir a omissão, ineficiência ou incompetência do poder público, nas necessidades da população e suas comunidades.

Claro que, como em tudo que esse mesmo poder público põe a mão, com raras exceções, acaba havendo distorções e muitos do que deveriam estar fazendo esse barulho de construção acabam desviados de sua finalidade para em conluio com bandidos instalados nos governos, subverterem os fins e subtraírem recursos. Estes, se não a dos homens, a justiça Divina um dia se encarregará.

Por isso quero exaltar quem se dedica a fazer o bem. A promover esse grande barulho decorrente do movimento da sociedade em todo o Brasil e que não se ouve e praticamente também não se vê difundido. Nossa grande mídia quase não dá espaço para as ações sérias,  voluntárias ou não, as positivas, as que enobrecem o ser humano.

É mais ou menos como aquele slogan de um produto que me foge o nome, “você não vê, mas nós estamos aí”. Acho que era de tubulação de água e esgoto.

Voltando ao cerne da questão: enquanto a corrupção, a impunidade, a organização criminosa, os governantes e políticos de má-fé e más atitudes, fazem um barulho danado tentando destruir os valores e a própria estrutura da sociedade, há milhares de organizações da sociedade, vinculadas ou não a empresas, que estão desenvolvendo ações voltadas para melhorar a qualidade de vida do ser humano e seu meio, em todo o território nacional.

Seria injusto nomear uma ou outra, tantas são as que, anonimamente e enfrentando na maioria das vezes dificuldades para obter recursos para suas ações de benfeitoria, agem provocando o barulho da mudança, da reeducação, da evolução das condições de vida de milhares e milhares de comunidades e sua gente.

Para também não parecer que é só discurso, cito um exemplo prático de uma Fundação vinculada à iniciativa privada, cujo trabalho, recursos e envolvimento dos corpos diretivos e funcionais às causas voluntárias, fazem um barulhão enorme de mudanças na vida de pessoas, e quase ninguém os ouve. Não são feitos para serem ouvidos como forma de promoção demagógica, mas a força do conjunto de todos que atuam nessa direção meritória, vai aos poucos promovendo mudanças comportamentais e exigindo dois políticos e governantes políticas públicas sem desvio de finalidade, voltadas para suprir as necessidades do país e sua gente.

Conheci de perto esta semana o trabalho de 30 anos da Fundação Volkswagen e a cito como exemplo, aplaudindo-a e todas as outras organizações, fundações, Oscips, Ongs, sérias, que atuam em favor do Brasil, a partir desse exemplo.

Tem muita gente séria, competente, honesta, dedicada, fazendo também muita coisa boa pelos outros, por sua comunidade, cidade, estado e país.

Lamento que por serem assim e estarem agindo assim, não achem espaço (tempo acho que até achariam) para fazer isso tudo, da mesma maneira, na vida pública do país, com o fabuloso dinheiro arrancado, ops, arrecadado, da parte produtiva, pessoas físicas e jurídicas, da sociedade brasileira.

Mas o barulho dos sérios, dos honestos, dos competentes, dos honrados, que agora se sabe que existe atuando em silêncio, em algum momento, vai ser clamor nacional.