| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
07/12/2009
DE NOVO É NATAL
Não há Natal sem a musica da Jovem Pan: “de novo é Natal.. mais um réveillon... Papai Noel vai me trazer.. um ano bom....” E por aí vai.
Tocou essa música, deu cheiro de pêssego no ar, é Natal novamente.
Alguns anos atrás a identificação era a música da Varig: “estrela brasileira de norte a sul, iluminando, o céu azul... mensagem de amor e paz nasceu Jesus, chegou Natal, Papai Noel voando a jato pelo céu, trazendo um Natal de felicidades e um ano novo cheio de prosperidade... Varig, Varig. Varig..”
Quem tem mais de 35 deve se lembrar muito bem...
Tinha também a da Rádio Bandeirantes: “dezembro é tão bonito que as estrelas do infinito parecem brilhar mais. os anjos cantam trazendo paz...” e seguia também.”
Tem muito mais. Estas citações, todavia bastam para lembrar que tanto no Natal de ontem como no de hoje, o que prevalece é a emoção da época embalada por boas músicas.
Uma outra constante de nossa vida, que dura o mesmo tempo –ou bem mais- do que a memória pode alcançar como no caso dos fatos do Natal, é a forma emporcalhada como a chamada classe dos políticos trata os brasileiros e seu país.
Falar um pouco de paz, de suavidade, de harmonia, bondade, em dezembro, tendo como referência o nascimento de Jesus Cristo, é uma forma de fugir, ao menos momentaneamente, desse fosso de esgoto que é o comportamento de parte significativa dos homens e mulheres que se dedicam a usar dos recursos públicos em benefício próprio ou de testas de ferro.
Quando se pensa que a capacidade criativa criminosa, que a ousadia desmedida das ações predatórias de políticos e governantes, encontrou um ponto de acomodação, surgem novas revelações que, na atualidade, já nem mais chocam as pessoas capazes de entender o que se passa à sua volta no país.
Digo isso porque a grande massa brasileira está anestesiada, enfeitiçada, como se tivéssemos no comando do governo federal um semideus acima do bem e do mal. Não consegue essa massa, distinguir as técnicas até fascistas de propaganda e criação de mito e construção de falsas verdades que hoje predominam no cenário nacional , da realidade objetiva.
As grandes corporações que lucram muito –concessão dada para a construção do mito-, a mídia que fatura alto com a verba da propaganda oficial –por isso calada nas entranhas- as organizações sociais paralisadas pela verba farta vinda do erário, e a massa incapaz de discernir, dependente de bolsas esmolas que proliferam sem contra partida, transformam o Brasil de agora num deserto de debates e idéias a favor do próprio país.
Temos isto sim, um amazonas de denúncias, acusações, revelações, de atos escabrosos com o dinheiro da população produtiva, acobertados e/ou manipulados em favor dos interesses políticos de um ou outro grupo, quando parece que todos se dedicam ao mesmo tipo de mineração nas veias da riqueza nacional.
Essa pausa para lembrar de coisas suaves que já foram e as que hoje existem, num período em que se propõe o amor e a paz, como é o Natal, deve ser feita para que nossas mentes (refiro-me a quem pensa, sabe discernir, hoje, aparentemente minoria no país) não sejam cooptadas pela mediocridade que impera. A tacanhice generalizou-se.
Atacar o patrimônio público, da forma como for possível, é o objetivo de quem deveria servir ao seu país e dele, simplesmente, se serve, de forma abusada, agressiva, dilapidando a riqueza e, isso é fatal, os valores da própria sociedade.
Precisamos, para sobreviver, buscar alienação sadia em musicas e sensações natalinas. Não podemos e não devemos nos deixar contaminar. Há , assim como de novo é Natal, um vírus contagioso no ar, que também, de novo, está presente.
Viva o mensalão do Dirceu. Viva o mensalinho do Arruda. Viva o presidente que nada sabe nada vê e onde toca e o que faz vira “sucesso”.
“De novo é Natal...mais um Reveillon”...
|
|
|
|  |
| | |
|