Carlos Chiesa é formado em Direito pela Universidade Mackenzie e em Publicidade pela ESPM.

Atua como sócio e diretor de criação na 440V, empresa de comunicação que opera com um modelo absolutamente inovador.

Foi Presidente do Clube de Criação de S. Paulo, Vice-Presidente Executivo em agências como Leo Burnett e Publicis Salles, diretor de criação na W/Brasil.

É Conselheiro do Conar. Foi jurado em todos os festivais internacionais de prestígio e ganhou inúmeros prêmios em todos eles.

Palestrante ocasional, também tem um livro infantil publicado.

Além deste site, colabora com outro especializado em automobilismo.









Você não gosta de propaganda?
Pois pode pagar caro por isso.



Carlos Chiesa - 14/06/2007


Talvez você não saiba, mas existe um projeto da ANVISA prontinho pra sair, praticamente proibindo a propaganda de cerveja.

A justificativa é que esta é uma ameaça à saúde nacional, na medida em que o percentual de acidentes automobilísticos em que pessoas alcoolizadas estavam envolvidas aumentou.

Hum, parece uma boa causa?

Tá, mas alguma vez você foi parado para fazer o teste do bafometro? Alguma vez viu algum garçon pedir documentos para adolescentes? Alguma vez você algum tipo de fiscalização rigorosa sobre o consumo de bebidas alcoólicas em algum lugar?

Será que, ao invés de fiscalizar corretamente como é sua função, o governo não está criando um bode expiatório?

Voltemos um pouco atrás no tempo. Você se lembra da campanha - aspas - pelo desarmamento da população - fecha aspas?

Lembra de ter visto depoimentos comoventes de pessoas que entregavam suas armas sinceramente convencidas de contribuir - aspas - para a paz - fecha aspas?

Lembra que, principalmente graças à internet, a população ficou sabendo que esse tipo de atitude iria impactar unicamente aquele tipo de violência em que um menino de 7 anos de idade pega escondido a arma do pai e mata o irmãozinho? E que esse tipo de violência representa zero ponto alguma coisa aqui no Brasil?

Claro que isso ocorre com trágica frequência nos Estados Unidos; aqui, felizmente não.

Pois mesmo sendo um item em que somos nitidamente superiores aos americanos, o governo federal se empenhou em por em prática. Pôs muito dinheiro nos meios de comunicação para resolver um problema que já estava resolvido, há muito tempo.
Ah, mas proibir a propaganda de cerveja não vai mudar em nada a minha vida. E o que o governo vai ganhar com isso?

Talvez você não saiba, mas pode assistir aos telejornais, ao futebol, à novela, a tudo que gosta na TV aberta graças à propaganda.

Sim, a propaganda paga - e muito caro - para você assistir de graça aos programas de maior sucesso da TV aberta.

Outra vantagem que a propaganda oferece a você, e que nem todo mundo se dá conta, é que ela - fundamentalmente - serve para fazer os consumidores distinguirem e escolherem entre produtos semelhantes.

Proibindo a propaganda de cerveja, ficará praticamente impossível lançar uma marca nova de cerveja e os consumidores tomarem conhecimento de suas características.
Ah, você perguntou o que o governo ganha com isso?

Boa pergunta.

O que o governo ganharia com o desarmamento?

O que o governo ganharia se o malfadado projeto de criação de um conselho para supervisionar e balizar o conteúdo dos meios de comunicação tivesse ido em frente?
O que o governo ganha implantando uma TV Executivo, se todo santo dia ele está diante de todos os meios de comunicação para falar o que bem entender, quando bem entender, onde bem entender (o presidente tem que viajar muito)? Sem pagar nada?

Aí olhamos para o amigo (ou "amigo") do presidente, o coronel Chávez, e o vemos fechar a mais antiga rede de TV de seu país, sob o argumento de que era contra ele.
Ela participou ativamente da tentativa de golpe tempos atrás.

Tá, mas existe algum chefe de estado mais totalitarista do que ele no cenário mundial?

Estou longe de ter acesso a informações confidenciais.
Sou basicamente um leitor, telespectador e ouvinte de notícias.
Mas trato de tentar entender o que está por trás delas, sem me deixar seduzir por teorias de conspiração inconsistentes.

Posso assegurar, como publicitário, que a verba das cervejarias somadas é grande o suficiente para provocar um abalo no faturamento dos meios de comunicação.

Uma espécie de anti-tsunami.

Um meio de comunicação empobrecido irá tornar-se imediatamente dependente demais de outros anunciantes.

Sabe qual outro grande anunciante tem poder para fazer a balança pender para onde quiser?

O governo.

Lembra da Secom?

Lembra do Marcos Valério?

Lembra do/da Duda Mendonça?


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