Carlos Chiesa é formado em Direito pela Universidade Mackenzie e em Publicidade pela ESPM.

Atua como sócio e diretor de criação na 440V, empresa de comunicação que opera com um modelo absolutamente inovador.

Foi Presidente do Clube de Criação de S. Paulo, Vice-Presidente Executivo em agências como Leo Burnett e Publicis Salles, diretor de criação na W/Brasil.

É Conselheiro do Conar. Foi jurado em todos os festivais internacionais de prestígio e ganhou inúmeros prêmios em todos eles.

Palestrante ocasional, também tem um livro infantil publicado.

Além deste site, colabora com outro especializado em automobilismo.









 

MUITA CALMA NESSA HORA? SERÁ?


Carlos Chiesa - 20/07/2007


As autoridades dizem que devemos ter calma com relação ao trágico acidente com o vôo 3054.

Mas o assessor especial do Presidente da República foi flagrado comemorando a notícia que o avião tinha um defeito. Livraria a cara do seu chefe.

O que fez o chefe de prático até o momento? Determinou ao Min. da Justiça que determine à Polícia Federal que investigue uma coisa que naturalmente seria investigada. E vai fazer um pronunciamento à Nação esta noite, dias após a tragédia.

Talvez seja um problema com o aparelho ou com o piloto mas, francamente, duvido. Cuidei da campanhas publicitárias da TAM durante uns dois anos, quando o Comte. Rolim era vivo, e lembrarei sempre de uma frase dele: "O segredo de cia. aérea é piloto velho e avião novo". Duvido que as administrações sucessivas tenham mudado esse conceito tão simples, tão óbvio. Piloto velho tem a experiência a seu lado para enfrentar situações difíceis, e avião novo diminui muito as chances de condições difíceis acontecerem.

Mas, mesmo que a TAM acabe ficando com a culpa toda ou a maior parcela dela, será que não estamos tendo calma demais com esse governo?

Vejamos:

1. Tem cabimento não encontrar uma solução para o caos aéreo entre
setembro passado até julho deste ano? O presidente deu uma ordem pela TV. Queria "prazo, dia e hora para acabar" e até o momento... tornou-se temerário viajar de avião pelo Brasil.Sua ordem não foi cumprida. Com que moral ele fica?
E com isso, o turismo diminuiu, entre outras consequências menos trágicas. Nossa imagem internacional foi para o lixo, reforçando o rótulo de país de terceiro mundo.

E o que dizem os ministros? Conforme foi mostrado esta semana no Jornal Nacional, que pode ser acusado de tudo menos de ser anti-governo, o Ministro Pires reclamou do seu salário, seis mil reais, muito baixo para as responsabilidades do cargo; o ministro Mantega
disse que não existia caos aéreo, o problema está no aumento do número de passageiros (causado basicamente pela estratégia inovadora da Gol, sem nada a ver com melhoria econômica da população supostamente criada por este governo); a ministra Marta passou para a história com a frase mais infeliz da década, "relaxa e goza". Infeliz mesmo, essa frase tem um sentido muito maior do que o que foi dito, como abordarei no final.

2. Estradas. Saia de SP, com todos os seus pedágios, e vá, por exemplo, de Natal/RN até a praia de Pipa, um dos melhores lugares do mundo em termos de litoral. Avalie a condições das estradas. Aí você vai entender que a emergência na recuperação das estradas no país é real, mas as medidas adotadas suspeitas.
Some a isso as filas quilométricas no porto de Paranaguá, e terá um quadro de estrangulamento no setor de transportes, sem nenhuma solução real à vista.

3. Energia. É mais do que sabido, desde o apagão elétrico durante o governo FHC (governo que também não era nenhuma maravilha), que o país está subdimensionado nessa área. O país não pode crescer, sob pena de racionamento de energia. E o que o governo federal está fazendo para resolver o problema? Entregando os investimentos da Petrobrás para o atual presidente boliviano, a troco de banana, por ex..

Aqui entre nós, você deixaria o seu vizinho ficar com a garagem que você construiu para ele, com contrato assinado e dinheiro devido, e ainda sorriria, afirmando que continuam amigos? Caso positivo, quero fazer negócio com você já.

4. Mensalão. O procurador-geral da República classificou de
quadrilha. Chefe da quadrilha? Zé Dirceu. Repudiado pelo Presidente? De forma alguma. Segue vagando pelos bastidores do poder, fazendo não se sabe exatamente o quê, mas as revistas semanais informaram que ele esteve com Evo na véspera deste mandar o exército boliviano tomar as instalações da Petrobrás.

5. Palocci. Este sujeito cometeu um dos mais abomináveis abusos de
poder de que se têm notícia, tentando intimidar o caseiro que o
denunciou, um coitado tão coitado que disse que mesmo assim iria
votar no Lula, "porque era do Nordeste como eu". Palocci caiu em
desgraça junto ao chefe? Ao contrário. Como Zé Dirceu, só saiu dos
holofotes para ir para a sombra.

6. Plebiscito pelo desarmamento. O povo votou contra o governo.
Porque descobriu que essa medida iria reduzir apenas a violência do tipo "criança que pega a arma do pai e atira no irmão". Isto
representa zero ponto alguma coisa no Brasil, muito diferente do que ocorre nos EUA. Por que então o governo pôs tanta energia, tanto dinheiro, para desarmar a população? Não sabia que o efeito era praticamente nulo ou tinha outras intenções? E, se tinha outras intenções, quais seriam?

7. Se Congonhas é um aeroporto complicado, com pista de 2 km ao invés de 4 km, como seria desejável, porque o dinheiro investido em melhorias de embarque não foi aplicado em desapropriações e aumento/melhora das pistas, antes de mais nada? Dedos apontam para o ex-presidente da Infraero, Carlos Wilson, que teria usado essas obras para enriquecer filho e sogro. Não sei se é verdade. Mas, por que ele não deixou que as cias. aéreas bancassem a melhoria dos terminais, fazendo uma óbvia PPP? Por que não construiu caixas de brita ou recursos semelhantes aos dos circuitos da F1, para evitar casos como esse infeliz vôo JJ3054?

Finalmente, para não alongar demais: sabe que um repórter notou a frase "Welcome to Congo" no quadro de mensagens da delegação americana no Pan? Ele fotografou e divulgou. Por isso os atletas americanos foram vaiados desde o início. Agora, com mais esse acidente aéreo, você acha que temos moral para reclamar da classificação terceiro-mundista?

Ah, mas o Pan está sendo um sucesso! Li que os custos estavam previstos em R$ 375 milhões e gastaram R$ 3.75 bilhões. Da onde saiu a maior parte da diferença? Dos cofres da União. Portanto o sr. Lula da Silva decidiu pegar o dinheiro que você e eu pagamos de impostos e dar para o sr. Carlos Artur Nuzman. Infelizmente para ele, a contra-partida veio em forma de uma monumental vaia. Circula pela internet e-mail com acusações de obras delegadas a parentes desse senhor, sem licitação. Não sei se é verdade.

Mas, gastar 10 vezes mais que o previsto é inadmissível, em qualquer lugar do mundo. É, no mínimo, caso de gestão temerária. E que faz o administrador-mór da República? Avaliza essa operação. Você acha que é um dinheiro bem gasto? Sim? Então queria falar com você sobre um eventozinho esportivo que estou tentando por de pé...

Com esse curriculo, você diria que o governo resolve algum tipo de problema? Ou acha mais que ele empurra tudo com a barriga ou age de forma muito, muito estranha?

Então, "Relaxa e goza" é mesmo o seu lema.

- Hi, essa história do mensalão escapou do controle e vai dar
manchetes e mais manchetes na mídia. - Relaxa e goza, logo eles
esquecem.

- Hi, vamos ter um apagão de energia daqui 4 anos.
- Relaxa e goza, daqui 4 anos ninguém vai lembrar que a gente podia/devia fazer alguma coisa.

- Hi, deviamos ter feito outro tipo de obra em Congonhas.


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