Carlos Chiesa é formado em Direito pela Universidade Mackenzie e em Publicidade pela ESPM.

Atua como sócio e diretor de criação na 440V, empresa de comunicação que opera com um modelo absolutamente inovador.

Foi Presidente do Clube de Criação de S. Paulo, Vice-Presidente Executivo em agências como Leo Burnett e Publicis Salles, diretor de criação na W/Brasil.

É Conselheiro do Conar. Foi jurado em todos os festivais internacionais de prestígio e ganhou inúmeros prêmios em todos eles.

Palestrante ocasional, também tem um livro infantil publicado.

Além deste site, colabora com outro especializado em automobilismo.









LIÇÕES DAS ELEIÇÕES: QUE TIPO DE POVO SOMOS?


Carlos Chiesa - 25/10/2006


Vamos supor que as pesquisas que apontam o Presidente-candidato muito à frente de seu adversário estejam corretas e ele efetivamente ganhe este segundo turno.

Vai-se revelar então uma tomografia computadorizada (a eleição é computadorizada, não?) do povo brasileiro em 29.10.06. O que podemos concluir, antecipadamente, através desse, digamos, exame preliminar? Indo diretamente para uma questão prática, que lição você tira disso para passar para seus filhos?

1. A maioria da população acha que honestidade é um valor ultrapassado. Não se preocupe mais em transmitir esse valor a seus filhos. Eles serão classificados como otários pelos colegas. Qualquer prejuízo que eles tiverem nos negócios, será culpa exclusivamente deles, pois já foram avisados. O governo deu o exemplo. Sabe aquele adesivo "NÃO ROUBE. O GOVERNO DETESTA CONCORRÊNCIA."? Sob essa ótica, se quer que seus filhos se dêem bem neste país, sugira a eles entrar para a política, onde tudo que fizerem de errado poderá ser perdoado, desde que olhem bem na cara dos interlocutores e afirmem, com convicção, que não sabiam de nada. Na época de César, não bastava ser honesto; era preciso parecer honesto. Hoje basta DIZER que é honesto, sem ficar vermelho.

2. A palavra do Presidente Lula se sobrepõe à lei.
Você pensava que tinhamos nos livrado definitivamente do estilo caudilho sulamericano? Do antiquado "pai da pátria"? Pois Lula sucedeu Brizola, o que parecia ser o último caudilho brasileiro, sem copiar o estilo, mas pondo em prática um charme absolutamente irresistível para as camadas menos esclarecidas da população. Basta ele dizer que fez mais para os pobres do que qualquer outro governo que esta camada imediatamente desvia o foco da quantidade de dinheiro que seus assessores mais próximos malversaram e do que poderia ter sido feito para eles com essa verba. Ficam magnetizados pela oportunidade de ver um deles no posto mais alto da República, mesmo com um patrimônio declarado maior do que o do seu adversário. Parece que ninguém se lembrou de perguntar como ele conseguiu amealhar cerca de R$ 800.000,00 (se não falha a memória), sendo, sucessivamente torneiro mecânico, dirigente sindical, dirigente partidário, deputado federal por um único mandato e Presidente da República.

3. Que profissão sugerir a seu filho?
Se você tem um filho que nasceu no Nordeste mas agora vive em S. Paulo, as chances são maiores. Ele conseguirá se mostrar nordestino para a população de lá, e ser agradecido a S. Paulo por todas as oportunidades que irão surgir, podendo ficar de bem com os dois colégios eleitorais. Faça sua inscrição o quanto antes no PT, que tenderá a ser o partido dominante e o estimule a se candidatar a alguma coisa o mais cedo possível. Quem sabe consegue ser Presidente?

4. Por que optar pelo PT?
Primeiro porque seu filho terá chance de ser perdoado de qualquer coisa se estiver próximo à cupula. Poderá até se tornar um aloprado por algum tempo, cumprindo o papel de fusível do supremo mandatário, mas depois que a memória curta (curtíssima, eventualmente) do povo esquecer, poderá se candidatar a deputado, com grande chance de ser eleito. Só não pode virar prefeito de Diadema, a menos que goste de viver perigosamente e deixe um bom seguro de vida.

5. Por que não se inscrever em algum partido da oposição?
Porque eles não sabem fazer oposição. Nesta eleição, tiveram a faca, o queijo, o vinho, a toalha xadrez, o pão na mão e jogaram fora. Alckmin é um candidato sem carisma? Está bem, mas ele é diferente. Parece diferente. Lembram-se do Lada? Era um carro diferente e foi anunciado como um carro diferente. Milhares de brasileiros compraram. Não estou de forma alguma comparando qualidades e defeitos do ex-governador com as qualidades e defeitos dessa marca de carros mas simplesmente provando que um produto diferente tem sempre chance de ser bem sucedido, ao menos por algum tempo, se for exposto seu melhor ângulo.

Lula tem empatia com as camadas menos esclarecidas e informadas porque fala como o vizinho de mesa de boteco. E é assim que ele aparece sempre. Alckmin parece o melhor aluno da classe fazendo exame oral para o professor mais exigente do curso.

Francamente, o primeiro aluno da classe é exatamente aquele que amamos odiar.


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