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SE O GOVERNO NÃO FAZ, MELHOR A GENTE FAZER.
Carlos
Chiesa - 24/11/2006
Então ficamos assim: temos um governo liderado por uma personalidade cujos méritos
maiores residem no poder de comunicação/carisma, apoiado por um partido que outrora
se arvorava em vestal, tal sua pureza de propósitos e honestidade, e um outro
partido que não é nem sombra daquele que enfrentou a ditadura.
Do outro
lado, dois partidos que não têm a mínima idéia de como fazer uma oposição adequada
em tal quadro. Um porque foi sempre governo e outro porque atravessa crise de
identidade/ressaca eleitoral. Me perdoem se não considero os demais partidos:
se estes não satisfazem, imagine os outros, ainda que tenha simpatia pelos verdes.
Vamos nos concentrar nos 40% de eleitores que não queriam o quadro atual.
O que devem fazer para manifestar sua vontade diante de qualquer ato do governo
federal que considerem nefasto? Ir a Brasilia e fazer uma passeata? Pode valer,
mas para isso é preciso um poder de articulação que os partidos da oposição não
se mostraram capazes. Preferiram o caminho das CPIs, com os resultados que todos
conhecem. Reclamar com o senador e deputado em quem votou? Bem, no caso dos paulistas,
pode descontar os senadores, pois ambos são do PT e, embora o simpático Suplicy
ensaie alguns gestos de aparente rebeldia/independência, acaba deixando tudo como
estava, ou seja, fazendo a vontade partidária. Deputado? A maioria dos eleitores
rapidamente esquece em quem votou. E se lembrar, será que o deputado vai realmente
se empenhar? Ou vai preferir contemporizar e seguir o mandam seus interesses ou
os do partido?
Se poucos eleitores fizerem isso, é natural que dê uma
ou duas desculpas, enrole e faça o contrário do que esses eleitores esperam. Ineficaz
o nosso sistema, não? Partindo do princípio - otimista - que o atual governo federal
se empenhe realmente numa reforma política, nada assegura que esta sairá. E, se
sair, nada garante que resolverá este problema: a falta de representatividade
autêntica dos representantes do povo.
Os candidatos se apresentam, de
modo muito, muito ineficiente, durante a campanha. Depois de eleitos, a maioria
dos eleitores esquece deles e são correspondidos. Ambos conversam através da imprensa,
quando há algum escândalo ou coisa parecida, que gere notícia. Não seria o ideal
que esses 40% conseguissem se articular de fato e fazer com que sua voz seja ouvida?
Não estou falando de organizar um novo partido mas de criar um bloco de eleitores
que compartilham diversos pontos.
Que não admitem a bandalheira e que
têm uma idéia clara do que é preciso ser feito para que este país rume para um
futuro melhor, e não pior. Particularmente não creio que isso passe por ideologia.
Aliás, acho que as ideologias hoje estão praticamente tão diferentes quanto são
diferentes democratas e republicanos nos Estados Unidos, conservadores e trabalhistas
na Inglaterra. Alguém saberia me dizer quais as diferenças programáticas entre
PT e PSDB? Nunca examinei seus programas, porque sou apartidário, mas suponho
que devem estar muito próximos. Um dos diagnósticos da recente campanha presidencial
foi que Alkmin não conseguiu mostrar que seu programa era muito diferente do de
Lula e por isso os 60% preferiram continuar com o mesmo gestor.
Portanto,
os 40% que pensaram diferente poderiam perfeitamente prescindir de inscrição num
partido da oposição, mas se unir e articular um bloco que pressione adequadamente
estes partidos, de forma a obrigá-los a representar sua vontade. Vou formular
uma hipótese: imagine que os leitores e colaboradores deste site resolvessem se
encontrar e trocar idéias a respeito do assunto. Vamos supor que a maioria concordasse
em diversos pontos.
O próximo passo seria formalizar um documento com
esses pontos, usá-lo como uma espécie de guia, e escolher um porta-voz para entrar
em contato com interlocutores dos partidos da oposição.
Alguém se habilita?
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