Carlos Chiesa é formado em Direito pela Universidade Mackenzie e em Publicidade pela ESPM.

Atua como sócio e diretor de criação na 440V, empresa de comunicação que opera com um modelo absolutamente inovador.

Foi Presidente do Clube de Criação de S. Paulo, Vice-Presidente Executivo em agências como Leo Burnett e Publicis Salles, diretor de criação na W/Brasil.

É Conselheiro do Conar. Foi jurado em todos os festivais internacionais de prestígio e ganhou inúmeros prêmios em todos eles.

Palestrante ocasional, também tem um livro infantil publicado.

Além deste site, colabora com outro especializado em automobilismo.









SE O GOVERNO NÃO FAZ, MELHOR A GENTE FAZER.


Carlos Chiesa - 24/11/2006


Então ficamos assim: temos um governo liderado por uma personalidade cujos méritos maiores residem no poder de comunicação/carisma, apoiado por um partido que outrora se arvorava em vestal, tal sua pureza de propósitos e honestidade, e um outro partido que não é nem sombra daquele que enfrentou a ditadura.

Do outro lado, dois partidos que não têm a mínima idéia de como fazer uma oposição adequada em tal quadro. Um porque foi sempre governo e outro porque atravessa crise de identidade/ressaca eleitoral. Me perdoem se não considero os demais partidos: se estes não satisfazem, imagine os outros, ainda que tenha simpatia pelos verdes. Vamos nos concentrar nos 40% de eleitores que não queriam o quadro atual.

O que devem fazer para manifestar sua vontade diante de qualquer ato do governo federal que considerem nefasto? Ir a Brasilia e fazer uma passeata? Pode valer, mas para isso é preciso um poder de articulação que os partidos da oposição não se mostraram capazes. Preferiram o caminho das CPIs, com os resultados que todos conhecem. Reclamar com o senador e deputado em quem votou? Bem, no caso dos paulistas, pode descontar os senadores, pois ambos são do PT e, embora o simpático Suplicy ensaie alguns gestos de aparente rebeldia/independência, acaba deixando tudo como estava, ou seja, fazendo a vontade partidária. Deputado? A maioria dos eleitores rapidamente esquece em quem votou. E se lembrar, será que o deputado vai realmente se empenhar? Ou vai preferir contemporizar e seguir o mandam seus interesses ou os do partido?

Se poucos eleitores fizerem isso, é natural que dê uma ou duas desculpas, enrole e faça o contrário do que esses eleitores esperam. Ineficaz o nosso sistema, não? Partindo do princípio - otimista - que o atual governo federal se empenhe realmente numa reforma política, nada assegura que esta sairá. E, se sair, nada garante que resolverá este problema: a falta de representatividade autêntica dos representantes do povo.

Os candidatos se apresentam, de modo muito, muito ineficiente, durante a campanha. Depois de eleitos, a maioria dos eleitores esquece deles e são correspondidos. Ambos conversam através da imprensa, quando há algum escândalo ou coisa parecida, que gere notícia. Não seria o ideal que esses 40% conseguissem se articular de fato e fazer com que sua voz seja ouvida? Não estou falando de organizar um novo partido mas de criar um bloco de eleitores que compartilham diversos pontos.

Que não admitem a bandalheira e que têm uma idéia clara do que é preciso ser feito para que este país rume para um futuro melhor, e não pior. Particularmente não creio que isso passe por ideologia. Aliás, acho que as ideologias hoje estão praticamente tão diferentes quanto são diferentes democratas e republicanos nos Estados Unidos, conservadores e trabalhistas na Inglaterra. Alguém saberia me dizer quais as diferenças programáticas entre PT e PSDB? Nunca examinei seus programas, porque sou apartidário, mas suponho que devem estar muito próximos. Um dos diagnósticos da recente campanha presidencial foi que Alkmin não conseguiu mostrar que seu programa era muito diferente do de Lula e por isso os 60% preferiram continuar com o mesmo gestor.

Portanto, os 40% que pensaram diferente poderiam perfeitamente prescindir de inscrição num partido da oposição, mas se unir e articular um bloco que pressione adequadamente estes partidos, de forma a obrigá-los a representar sua vontade. Vou formular uma hipótese: imagine que os leitores e colaboradores deste site resolvessem se encontrar e trocar idéias a respeito do assunto. Vamos supor que a maioria concordasse em diversos pontos.

O próximo passo seria formalizar um documento com esses pontos, usá-lo como uma espécie de guia, e escolher um porta-voz para entrar em contato com interlocutores dos partidos da oposição.

Alguém se habilita?


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