Marco Antônio Eid é jornalista e executivo da área de comunicação. Diretor de Operações da Ricardo Viveiros & Associados - Oficina de Comunicação, é palestrante e ministra curso na Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial). É autor do livro "Entre o poder e a mídia" (Editora M. Books). Foi diretor de Redação da Coordenadoria de Imprensa do Governo do Estado de São Paulo e editor nas rádios Bandeirantes e Record, bem como de revistas técnicas e de economia.












  


Operação Cidadania

 

Marketing político do governo para mostrar isenção perante a opinião pública? Uma corporação fora do controle das autoridades? Independentemente destas e outras versões veiculadas na mídia como possíveis causas das incisivas operações anticorrupção da Polícia Federal, esta merece amplo apoio da população brasileira pela atitude adotada.

É curioso não ter ocorrido a alguém que, de repente, a exemplo de toda a sociedade, o nível de indignação de seus integrantes quanto à renitência da improbidade no setor público tenha extrapolado os limites da tolerância.

A gravidade do problema é atestada por algumas pesquisas, divulgadas pela imprensa recentemente, as quais demonstram como a corrupção passa a ser encarada de modo cada vez mais banal e aceitável por crescente parcela da população. O exemplo da banda podre da classe política e área governamental contamina, com alta virulência, os jovens, muitos dos quais admitem que, se pudessem, também desviariam dinheiro público.

Assim, de fenômeno endêmico na história da República, a corrupção pode tornar-se, em pouco tempo, uma descontrolada epidemia. A sensação de impunidade advinda da letargia dos tribunais e quase unânime absolvição dos réus do colarinho e das chapas-brancas e a redundante pizza das CPIs, cada vez mais suculentas ao olhar ganancioso sobre os dinheiros públicos, estimulam a falta de ética e quebram o temor relativo às punições da Justiça. Ou seja, são caldo de cultura das más intenções!

Não se pode admitir um Brasil desenvolvido sem bases sólidas de moralidade e probidade. A política não pode ser entendida como meio de enriquecimento individual ilícito, viés nocivo e deturpador do caráter coletivo e patriótico, necessariamente vinculado a seu exercício.

Partindo dessa premissa, a sociedade deve aplaudir a postura assumida pela Polícia Federal, uma corporação do povo, mantida pelos impostos pagos por pessoas físicas e jurídicas, cujo direito à transparência é indelével.

Por isto, ao invés de se conjeturar sobre os motivos da nova e corajosa postura da instituição, é hora de apoiá-la, numa imensa corrente, à qual se pode denominar Operação Cidadania!

 



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