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Embaixadora
da paz
Desculpem, Copérnico, Galileu Galilei, Newton
e todos os astrofísicos contemporâneos,
mas os Jogos Pan-Americanos Rio 2007, assim como
outros grandes eventos esportivos, não deixam
dúvidas: o centro do Sistema Solar, definitivamente,
é uma bola e não aquela estrela de
quinta grandeza que nos ilumina a cada manhã.
Mais do que isso, a pelota é o centro do
universo; o universo lúdico da maioria dos
seis bilhões de terráqueos.
À inquisição da ciência,
números irrefutáveis descaracterizam
a heresia. Os céticos podem constatar tal
afirmação nas cifras superlativas
dos patrocínios futebolísticos. São
milhões de dólares. E não é
pra menos! Afinal, quase 100 milhões de pessoas
assistem a um único jogo de uma copa do mundo
pela televisão.
Aliás, independentemente de competições
sazonais, o futebol, por exemplo, destaca-se como
grande objeto de desejo da propaganda, constituindo-se
em uma próspera indústria mundial.
Basta ver todo o movimento e patrocínios
em torno de um jogo entre dois grandes times brasileiros
e as cifras superlativas dos campeonatos europeus.
Para a análise não ficar restrita
ao esporte bretão, tomemos o exemplo daquela
terra onde o soccer é ignorado pelos nativos
e a principal modalidade não se joga com
uma bola, mas com um ovo...
O importante é saber que meros 30 segundos
de publicidade na televisão durante o Superbowl
- a finalíssima do USA Football Championship
- custam a bagatela de US$ 2 milhões. Não
é para menos. Estima-se que este evento seja
visto por 130 milhões de espectadores, hipnotizados
entre pipocas, hambúrgueres, cervejas e alguns
bullshits durante os lances mais polêmicos.
A paixão mundial pelo esporte, em especial
o futebol, quase uma unanimidade planetária,
transcende todas as crenças, todos os mitos,
todos os ritos! Sensibiliza pessoas de distintos
perfis, raças, religiões, países,
classes sociais, idades e posições
ideológicas. É, o esporte não
tem preconceitos, inclusive semânticos, léxicos
e gramaticais. Querem uma prova disto? Pois bem:
diante da derrota iminente, o velho mestre Oswaldo
Brandão, um dos mais importantes técnicos
do futebol brasileiro, não se constrangia
ao afirmar, como estímulo aos seus atletas,
que "o jogo só termina quando acaba".
Pois é, a bola é redonda, ou seja,
como o universo, não tem começo, nem
fim. Talvez por isto seja infinita em sua capacidade
de despertar inexplicáveis paixões,
acalentar em milhares de crianças o sonho
de ser craque e forjar lágrimas no chute
de três dedos do gol da virada, na cesta de
três pontos ou no bloqueio decisivo na rede
do vôlei.
Neste mundo no qual a impossibilidade da paz continua
sendo mistério tão intrigante quanto
a origem e a eternidade do cosmos, que - em todo
o Planeta, incluindo a Cidade Maravilhosa do Pan
2007 e o sofrido Brasil - a pelota também
seja, em cada embaixada, mensageira do entendimento!
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