Marco Antônio Eid é jornalista e executivo da área de comunicação. Diretor de Operações da Ricardo Viveiros & Associados - Oficina de Comunicação, é palestrante e ministra curso na Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial). É autor do livro "Entre o poder e a mídia" (Editora M. Books). Foi diretor de Redação da Coordenadoria de Imprensa do Governo do Estado de São Paulo e editor nas rádios Bandeirantes e Record, bem como de revistas técnicas e de economia.












  



Embaixadora da paz



Desculpem, Copérnico, Galileu Galilei, Newton e todos os astrofísicos contemporâneos, mas os Jogos Pan-Americanos Rio 2007, assim como outros grandes eventos esportivos, não deixam dúvidas: o centro do Sistema Solar, definitivamente, é uma bola e não aquela estrela de quinta grandeza que nos ilumina a cada manhã. Mais do que isso, a pelota é o centro do universo; o universo lúdico da maioria dos seis bilhões de terráqueos.

À inquisição da ciência, números irrefutáveis descaracterizam a heresia. Os céticos podem constatar tal afirmação nas cifras superlativas dos patrocínios futebolísticos. São milhões de dólares. E não é pra menos! Afinal, quase 100 milhões de pessoas assistem a um único jogo de uma copa do mundo pela televisão.

Aliás, independentemente de competições sazonais, o futebol, por exemplo, destaca-se como grande objeto de desejo da propaganda, constituindo-se em uma próspera indústria mundial. Basta ver todo o movimento e patrocínios em torno de um jogo entre dois grandes times brasileiros e as cifras superlativas dos campeonatos europeus. Para a análise não ficar restrita ao esporte bretão, tomemos o exemplo daquela terra onde o soccer é ignorado pelos nativos e a principal modalidade não se joga com uma bola, mas com um ovo...

O importante é saber que meros 30 segundos de publicidade na televisão durante o Superbowl - a finalíssima do USA Football Championship - custam a bagatela de US$ 2 milhões. Não é para menos. Estima-se que este evento seja visto por 130 milhões de espectadores, hipnotizados entre pipocas, hambúrgueres, cervejas e alguns bullshits durante os lances mais polêmicos.

A paixão mundial pelo esporte, em especial o futebol, quase uma unanimidade planetária, transcende todas as crenças, todos os mitos, todos os ritos! Sensibiliza pessoas de distintos perfis, raças, religiões, países, classes sociais, idades e posições ideológicas. É, o esporte não tem preconceitos, inclusive semânticos, léxicos e gramaticais. Querem uma prova disto? Pois bem: diante da derrota iminente, o velho mestre Oswaldo Brandão, um dos mais importantes técnicos do futebol brasileiro, não se constrangia ao afirmar, como estímulo aos seus atletas, que "o jogo só termina quando acaba".

Pois é, a bola é redonda, ou seja, como o universo, não tem começo, nem fim. Talvez por isto seja infinita em sua capacidade de despertar inexplicáveis paixões, acalentar em milhares de crianças o sonho de ser craque e forjar lágrimas no chute de três dedos do gol da virada, na cesta de três pontos ou no bloqueio decisivo na rede do vôlei.

Neste mundo no qual a impossibilidade da paz continua sendo mistério tão intrigante quanto a origem e a eternidade do cosmos, que - em todo o Planeta, incluindo a Cidade Maravilhosa do Pan 2007 e o sofrido Brasil - a pelota também seja, em cada embaixada, mensageira do entendimento!

 

 

 

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