Marco Antônio Eid é jornalista e executivo da área de comunicação. Diretor de Operações da Ricardo Viveiros & Associados - Oficina de Comunicação, é palestrante e ministra curso na Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial). É autor do livro "Entre o poder e a mídia" (Editora M. Books). Foi diretor de Redação da Coordenadoria de Imprensa do Governo do Estado de São Paulo e editor nas rádios Bandeirantes e Record, bem como de revistas técnicas e de economia.












  


O imperativo ético na comunicação corporativa

 

Estimativas do mercado indicam ser superior a 60% a participação das assessorias de imprensa na composição do conteúdo jornalístico da mídia brasileira.

Tal índice evidencia crescente interação entre as organizações públicas e privadas e a imprensa. Este processo é aparentemente saudável, considerando que os veículos de comunicação demonstram não ter recuado - considerados os limites aceitáveis no contexto das normas capitalistas - em seu grau de independência e caráter investigativo.

Por outro lado, aquele dado implica imensa responsabilidade no trato da informação, o bem mais precioso deste século, por parte das empresas, instituições governamentais e Terceiro Setor.

A prevalência da ética na divulgação de notícias, respostas precisas às indagações da imprensa e transparência no esclarecimento de dúvidas e no gerenciamento de crises constituem atitude condicionante ao sucesso da meta de aperfeiçoamento da sociedade, melhoria da qualidade de vida e avanço socioeconômico do País.

Enganam-se os que entendem ser inviáveis tais práticas sob o crivo dos interesses estratégicos das organizações. Afinal, a ciência comunicação, cada vez mais avançada, oferece todos os recursos necessários à conciliação das duas vertentes.

Não pode haver antagonismo entre a comunicação corporativa e os parâmetros éticos que permeiam a cultura contemporânea de urbanidade. Esta consciência é imprescindível para uma nação que ainda luta por sua inserção no primeiro mundo. Assim, é oportuno refletir sobre dois aspectos essenciais à discussão do tema, ambos relacionados à efetiva missão do assessor de imprensa, profissão exercida no Brasil por jornalistas, inclusive em decorrência da legislação.

A primeira reflexão refere-se ao fato de que jornalista, no exercício profissional, não é advogado! Assim, nos gerenciamentos de crise, atendimento à imprensa em casos de denúncias contra seu cliente ou em situações análogas, o assessor de imprensa deve limitar-se à transmissão de informações.

O bom jornalismo recomenda que denunciados tenham o benefício da dúvida e desfrutem o direito de dar sua versão para o caso. É este o papel do assessor, informando com precisão à mídia, de preferência por escrito, as alegações de seu cliente ou abrindo espaço para que ele próprio se pronuncie. A defesa retórica, contudo, cabe ao Departamento Jurídico ou à banca advocatícia.

O outro aspecto a ser considerado é não confundir o exercício do jornalismo nas assessorias de imprensa com lobby - atividade, aliás, ainda não entendida tanto quanto não regulamentada no País.

Tomados esses cuidados essenciais na ocorrência de crises ou em campanhas voltadas à defesa de um setor de atividade, causa ou empresa, o jornalista da assessoria de imprensa, quando age de modo correto, vive deliciosa e apaixonante rotina de pauteiro, viabilizando a veiculação de notícias de real interesse da sociedade.

Sua atividade, somada à dos profissionais que atuam na mídia, é muito relevante, pois permite sinergia a uma civilização compulsivamente geradora de milhões de informações por segundo.

E o acesso ao conhecimento propiciado pelos meios de comunicação é crucial, pois integra o ser humano no seu tempo e lhe outorga a cidadania.




 

Paulo Saab  28/05/2007

Marco Antonio Eid,

Ter sua opinião neste espaço é um privilégio. Sua contribuição à causa da educação,da cidadania,da comunicação, sempre será relevante.

Abraços.