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O
imperativo ético na comunicação
corporativa
Estimativas
do mercado indicam ser superior a 60% a participação
das assessorias de imprensa na composição
do conteúdo jornalístico da mídia
brasileira.
Tal índice
evidencia crescente interação entre
as organizações públicas e
privadas e a imprensa. Este processo é aparentemente
saudável, considerando que os veículos
de comunicação demonstram não
ter recuado - considerados os limites aceitáveis
no contexto das normas capitalistas - em seu grau
de independência e caráter investigativo.
Por outro
lado, aquele dado implica imensa responsabilidade
no trato da informação, o bem mais
precioso deste século, por parte das empresas,
instituições governamentais e Terceiro
Setor.
A prevalência
da ética na divulgação de notícias,
respostas precisas às indagações
da imprensa e transparência no esclarecimento
de dúvidas e no gerenciamento de crises constituem
atitude condicionante ao sucesso da meta de aperfeiçoamento
da sociedade, melhoria da qualidade de vida e avanço
socioeconômico do País.
Enganam-se
os que entendem ser inviáveis tais práticas
sob o crivo dos interesses estratégicos das
organizações. Afinal, a ciência
comunicação, cada vez mais avançada,
oferece todos os recursos necessários à
conciliação das duas vertentes.
Não
pode haver antagonismo entre a comunicação
corporativa e os parâmetros éticos
que permeiam a cultura contemporânea de urbanidade.
Esta consciência é imprescindível
para uma nação que ainda luta por
sua inserção no primeiro mundo. Assim,
é oportuno refletir sobre dois aspectos essenciais
à discussão do tema, ambos relacionados
à efetiva missão do assessor de imprensa,
profissão exercida no Brasil por jornalistas,
inclusive em decorrência da legislação.
A primeira
reflexão refere-se ao fato de que jornalista,
no exercício profissional, não é
advogado! Assim, nos gerenciamentos de crise, atendimento
à imprensa em casos de denúncias contra
seu cliente ou em situações análogas,
o assessor de imprensa deve limitar-se à
transmissão de informações.
O bom
jornalismo recomenda que denunciados tenham o benefício
da dúvida e desfrutem o direito de dar sua
versão para o caso. É este o papel
do assessor, informando com precisão à
mídia, de preferência por escrito,
as alegações de seu cliente ou abrindo
espaço para que ele próprio se pronuncie.
A defesa retórica, contudo, cabe ao Departamento
Jurídico ou à banca advocatícia.
O outro
aspecto a ser considerado é não confundir
o exercício do jornalismo nas assessorias
de imprensa com lobby - atividade, aliás,
ainda não entendida tanto quanto não
regulamentada no País.
Tomados
esses cuidados essenciais na ocorrência de
crises ou em campanhas voltadas à defesa
de um setor de atividade, causa ou empresa, o jornalista
da assessoria de imprensa, quando age de modo correto,
vive deliciosa e apaixonante rotina de pauteiro,
viabilizando a veiculação de notícias
de real interesse da sociedade.
Sua
atividade, somada à dos profissionais que
atuam na mídia, é muito relevante,
pois permite sinergia a uma civilização
compulsivamente geradora de milhões de informações
por segundo.
E o
acesso ao conhecimento propiciado pelos meios de
comunicação é crucial, pois
integra o ser humano no seu tempo e lhe outorga
a cidadania.
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