Marco Antônio Eid é jornalista e executivo da área de comunicação. Diretor de Operações da Ricardo Viveiros & Associados - Oficina de Comunicação, é palestrante e ministra curso na Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial). É autor do livro "Entre o poder e a mídia" (Editora M. Books). Foi diretor de Redação da Coordenadoria de Imprensa do Governo do Estado de São Paulo e editor nas rádios Bandeirantes e Record, bem como de revistas técnicas e de economia.












  


Justa condenação


Muito pertinente e justa a atitude da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), de condenar o assassinato do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, executado a tiros, no início de maio, em Porto Ferreira, no Interior paulista. O profissional tornou-se nacionalmente conhecido por reportagem escrita em 2003, na qual denunciou rede de prostituição infantil na cidade. Ele trabalhava para a Rádio Porto FM e o Jornal do Porto.

Para a Unesco, o crime constituiu-se num atentado contra a liberdade de imprensa e de expressão. O jornalista teria sido calado definitivamente em represália à matéria sobre prostituição infantil, que lhe valeu classificação à final do Prêmio Esso, o mais importante do jornalismo brasileiro.

Cabe à polícia prender os responsáveis pelo assassinato e investigar a sua eventual ligação com a denúncia feita pelo profissional no legítimo exercício do jornalismo. À Justiça compete garantir a devida sanção aos culpados, no âmbito do que determina a lei. É esta a expectativa dos brasileiros.

A condenação do crime feita internacionalmente pela Unesco é um alerta do quanto ainda precisamos avançar no respeito às leis, direitos humanos, garantia das prerrogativas democráticas de liberdade de imprensa e expressão e proteção às crianças, idosos, minorias e maioria.

Não tem direito ao pleno desenvolvimento nação na qual crianças são prostituídas e jornalistas, assassinados, mesmo que os fatos não estejam ligados por relação de causa-efeito. É preciso, assim, conquistar pelas vias do civismo o legítimo acesso ao primeiro mundo.

Tal caminho começa na capacidade de mobilização da sociedade de acompanhar e cobrar o Judiciário, um dos pilares da democracia. E esta capacidade somente é conferida aos cidadãos e à comunidade pela imprensa livre. Por isto, em quaisquer circunstâncias deve-se preservar o direito de informar e ser informado.

Afinal, consciência é a base mais imprescindível de uma sociedade avançada e harmoniosa. Assim, a condenação feita pela Unesco, embora não tenha teor jurídico, está muito correta em seus princípios.

Que possa materializar-se, em termos práticos, na Justiça Criminal brasileira.



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