Marco Antônio Eid é jornalista e executivo da área de comunicação. Diretor de Operações da Ricardo Viveiros & Associados - Oficina de Comunicação, é palestrante e ministra curso na Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial). É autor do livro "Entre o poder e a mídia" (Editora M. Books). Foi diretor de Redação da Coordenadoria de Imprensa do Governo do Estado de São Paulo e editor nas rádios Bandeirantes e Record, bem como de revistas técnicas e de economia.












  



Toda discriminação deve ser repudiada

Marco Antônio Eid - 31.07.07

É muito preocupante a informação recém-divulgada pela mídia, em toda a América Latina, de que os atos anti-semitas cresceram 57,1% na Argentina, em apenas um ano. Foram 373 ocorrências em 2005, 586 em 2006 e 190, desde o início de 2007. Os fatos não se limitam ao constrangimento moral, que já seria suficientemente grave, incluindo violência física, como a agressão a um jovem chamado Cristian Nieto, que usava camiseta com slogans antinazistas. Ele foi espancado e esfaqueado por um grupo de neonazistas em San Martín, município da Grande Buenos Aires.

Tais atitudes são inaceitáveis e não podem permanecer impunes. A verdadeira democracia implica o respeito às diferenças de credo, etnia, gênero e ideologia. Atitudes discriminatórias e o preconceito devem ser devidamente punidos, conforme o marco legal de cada país. Independentemente da Justiça, contudo, cabe à sociedade disseminar a consciência sobre a importância de se respeitar a religião, raça e preferências político-existenciais de cada ser humano.

À medida que grupos radicais e até mesmo segmentos da esquerda, como parece ocorrer na Argentina, passam a discriminar pessoas em função de sua etnia e religião, abre-se uma ferida na democracia e uma perigosa exceção nas normas relativas aos direitos humanos. É preciso que as mãos da Justiça, de modo exemplar e preventivo, contenham, nas formas da lei, essas práticas discriminatórias e que as autoridades adotem medidas para coibi-las.

Cabe também à sociedade civil organizada a promoção da boa vontade, a disseminação da tolerância e do respeito às diferenças, bem como a conscientização sobre o significado da convivência fraterna entre todos. É fundamental estancar de modo rápido quaisquer tendências de discriminação e preconceito, caldos de cultura da violência e da intolerância.

A perspectiva de um mundo melhor passa, necessariamente, pelo fim de atitudes como as indicadas pelas estatísticas do anti-semitismo na Argentina. Com certeza, a grande maioria da população de nosso país vizinho condena atitudes discriminatórias contra qualquer ser humano, o que permite supor que tais atos de violência moral e física devam extinguir-se rapidamente.

É preciso, porém, manter o alerta contra o recrudescimento de ideologias que desrespeitam o marco legal e as normas internacionais da presente civilização. É fundamental, sobretudo, disseminar e defender a consciência de que todos são iguais em termos de direitos e deveres no exercício da cidadania.

Portanto, toda discriminação deve ser repudiada!

 

 

 

José Louleiro
jl@uol.com.br
13/08/2007



Muito oportuno este artigo. Não podemos tolerar este tipo de coisa tão ruim. Nós já convivemos com muita violência no Brasil, mas aqui existe paz entre as pessoas de diferentes raças e religiões. É preciso que as pessoas de boa vontade unam-se contra a violência, o preconceito e a favor da paz.


 

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