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Toda discriminação
deve ser repudiada
Marco
Antônio Eid - 31.07.07
É
muito preocupante a informação recém-divulgada
pela mídia, em toda a América Latina,
de que os atos anti-semitas cresceram 57,1% na Argentina,
em apenas um ano. Foram 373 ocorrências em
2005, 586 em 2006 e 190, desde o início de
2007. Os fatos não se limitam ao constrangimento
moral, que já seria suficientemente grave,
incluindo violência física, como a
agressão a um jovem chamado Cristian Nieto,
que usava camiseta com slogans antinazistas. Ele
foi espancado e esfaqueado por um grupo de neonazistas
em San Martín, município da Grande
Buenos Aires.
Tais
atitudes são inaceitáveis e não
podem permanecer impunes. A verdadeira democracia
implica o respeito às diferenças de
credo, etnia, gênero e ideologia. Atitudes
discriminatórias e o preconceito devem ser
devidamente punidos, conforme o marco legal de cada
país. Independentemente da Justiça,
contudo, cabe à sociedade disseminar a consciência
sobre a importância de se respeitar a religião,
raça e preferências político-existenciais
de cada ser humano.
À
medida que grupos radicais e até mesmo segmentos
da esquerda, como parece ocorrer na Argentina, passam
a discriminar pessoas em função de
sua etnia e religião, abre-se uma ferida
na democracia e uma perigosa exceção
nas normas relativas aos direitos humanos. É
preciso que as mãos da Justiça, de
modo exemplar e preventivo, contenham, nas formas
da lei, essas práticas discriminatórias
e que as autoridades adotem medidas para coibi-las.
Cabe
também à sociedade civil organizada
a promoção da boa vontade, a disseminação
da tolerância e do respeito às diferenças,
bem como a conscientização sobre o
significado da convivência fraterna entre
todos. É fundamental estancar de modo rápido
quaisquer tendências de discriminação
e preconceito, caldos de cultura da violência
e da intolerância.
A
perspectiva de um mundo melhor passa, necessariamente,
pelo fim de atitudes como as indicadas pelas estatísticas
do anti-semitismo na Argentina. Com certeza, a grande
maioria da população de nosso país
vizinho condena atitudes discriminatórias
contra qualquer ser humano, o que permite supor
que tais atos de violência moral e física
devam extinguir-se rapidamente.
É
preciso, porém, manter o alerta contra o
recrudescimento de ideologias que desrespeitam o
marco legal e as normas internacionais da presente
civilização. É fundamental,
sobretudo, disseminar e defender a consciência
de que todos são iguais em termos de direitos
e deveres no exercício da cidadania.
Portanto,
toda discriminação deve ser repudiada!
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