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As
belas e as novas feras
Luiz
Alberto Machado - 08/02/2008
Precisão e força constituem
um tipo de combinação que é
exigida em diversas modalidades esportivas. Em
muitas, no entanto, o que se vê é
apenas a busca dessa combinação,
sem que os resultados evidenciem o atingimento
da mesma.
Uma das modalidades, porém, em que essa
combinação evolui sistematicamente
é o tênis, onde a excelência
tem sido a marca de partidas memoráveis.
Geração após geração,
surgem novos fenômenos que conseguem superar
performances que muitos de nós consideravam
praticamente insuperáveis.
O extraordinário nível atingido
nas últimas temporadas pelo suíço
Roger Federer – e em menor escala pela belga
Justine Henin – foi um exemplo perfeito
dessa combinação entre força
e precisão, com sua superioridade sendo
demonstrada tanto pelos resultados obtidos, como,
acima de tudo, pelo reconhecimento generalizado
dessa condição.
Nesse sentido, o primeiro dos quatro torneios
que compõem o Grand Slam (conjunto dos
quatro maiores torneios do circuito internacional
– Austrália, França, Inglaterra
e Estados Unidos) apresentou resultados que quebraram
a hegemonia verificada nos últimos tempos,
tanto no feminino como no masculino.
No feminino, onde além dos dotes atléticos,
os físicos e estéticos também
contam muito – queiram ou não os
mais puristas –, a final reuniu as duas
grandes musas do tênis contemporâneo,
a russa Maria Sharapova e a sérvia Ana
Ivanovic, com a vitória da primeira por
2 sets a 0, com parciais de 7/5 e 6/3. Foi a primeira
vitória de Sharapova, que já chegou
a ocupar o primeiro lugar do ranking por algumas
semanas, em Melbourne, e o terceiro torneio de
Grand Slam de sua carreira, depois do Aberto da
Inglaterra, no templo sagrado de Wimbledon, em
2004, e do Aberto dos Estados Unidos em 2006.
Em sua trajetória até a grande conquista,
Sharapova, que era cabeça-de-chave número
cinco, fez um torneio irrepreensível com
vitórias arrasadoras sobre a norte-americana
Lindsay Davenport, a compatriota Elena Dementieva,
a belga Justine Henin (com um contundente 6/0
no segundo set) e a também sérvia
Jelena Jankovic, que havia sido responsável
pela eliminação de Serena Williams,
campeã do torneio em 2007. Já Ana
Ivanovic deu continuidade à notável
evolução verificada na temporada
passada, quando conseguiu se firmar entre os principais
nomes do circuito com a surpreendente final em
Roland Garros e a semi de Wimbledon. Nova vice-líder
do ranking de entradas da WTA, a sérvia
ganhou moral ao eliminar sua algoz Venus Williams
nas quartas-de-final e confiança ao virar
de forma espetacular a semifinal contra a eslovaca
Daniela Hantuchova, após levar um pneu
(6/0) no primeiro set. Mas na final, faltou experiência
em decisão de títulos, o que fez
com que o jogo acabasse em pouco tempo, para desespero
daqueles que, além de um bom tênis,
também gostam de apreciar o belo!!!
Já no masculino, o Aberto da Austrália
apresentou uma final surpreendente, já
que não contou nem com Roger Federer nem
com o espanhol Rafael Nadal, que ganharam os últimos
11 torneios do Grand Slam. Os dois foram derrotados
nas semifinais por indiscutíveis três
sets a zero, respectivamente por Novak Djokovic
e por Jo-Wilfried Tsonga.
As duas novas feras do circuito possuem em comum,
além da juventude, um impressionante vigor
físico, o que fortalece uma das tendências
do tênis atual, a rapidez com que os pontos
são decididos, principalmente nas partidas
disputadas em quadras rápidas.
A vitória por 4/6, 6/4, 6/4 e 7/6 (7-2)
deu ao tenista sérvio seu primeiro título
em torneios do Grand Slam, depois do vice-campeonato
no Aberto dos Estados Unidos do ano passado. Além
disso, a conquista coloca Djokovic muito próximo
de Rafael Nadal na vice-liderança do ranking
da ATP, e o transforma num dos mais jovens vencedores
da história da competição
australiana, já que com 20 anos e 250 dias,
ele é superado apenas pelos suecos Mats
Wilander (campeão em 83, com 19 anos e
111 dias, e bicampeão em 84, com 20 anos
e 109 dias) e Stefan Edberg (campeão em
85, com 19 anos e 323 dias).
A conquista de Novak Djokovic significou também
a continuidade da fantástica ascensão
registrada na temporada passada, em que iniciou
como o 16º colocado e terminou como o terceiro
melhor do mundo. Em 2007, antes do vice no Aberto
dos EUA, ele já havia conquistado os torneios
de Adelaide, Estoril e Viena, além dos
Masters Series de Miami e Toronto. Se não
bastasse, consagrou-se como um dos poucos nomes
do circuito capazes de bater Roger Federer, o
que aconteceu na final de Toronto e nas semifinais
deste Aberto da Austrália.
Apesar da derrota na final, o francês Jo-Wilfried
Tsonga também deixou o Aberto da Austrália
com muita coisa a comemorar. Ostentando a 38ª
posição no ranking no início
do torneio, o francês de 22 anos de idade,
que disputou em Melbourne apenas seu quinto torneio
de Grand Slam, demonstrou enorme desenvoltura
e muita segurança nas vitórias sobre
adversários de grande expressão
como o escocês Andy Murray, o russo Mikhail
Youzhny e o compatriota Richard Gasquet, que caíram
antes da inesquecível partida contra Rafael
Nadal. O vice-campeonato elevou Tsonga ao 18°
posto no ranking da ATP.
Com essa performance, Tsonga mostrou porque foi
o número 1 do mundo na categoria juvenil,
quando, entre outros torneios importantes, conquistou
o próprio Aberto da Austrália. Além
disso, realimentou as esperanças da torcida
francesa que, desde 2001, não via um tenista
de seu país chegar à final de um
torneio de Grand Slam. Naquele ano, Arnaud Clément
chegou à final do Aberto da Austrália,
perdendo para Andre Agassi. A última conquista
de um francês em torneios de Grand Slam
ocorreu em 1983, com a vitória de Yannick
Noah sobre Mats Wilander no Aberto da França
em Roland Garros.
Resta saber agora se essas novas feras do tênis
mundial conseguirão repetir a performance
do Aberto da Austrália no restante da temporada,
pondo em xeque a prolongada supremacia da dupla
Federer/Nadal.
Qual é a sua opinião, amigo internauta?
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