Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.













As belas e as novas feras


Luiz Alberto Machado - 08/02/2008

Precisão e força constituem um tipo de combinação que é exigida em diversas modalidades esportivas. Em muitas, no entanto, o que se vê é apenas a busca dessa combinação, sem que os resultados evidenciem o atingimento da mesma.

Uma das modalidades, porém, em que essa combinação evolui sistematicamente é o tênis, onde a excelência tem sido a marca de partidas memoráveis. Geração após geração, surgem novos fenômenos que conseguem superar performances que muitos de nós consideravam praticamente insuperáveis.

O extraordinário nível atingido nas últimas temporadas pelo suíço Roger Federer – e em menor escala pela belga Justine Henin – foi um exemplo perfeito dessa combinação entre força e precisão, com sua superioridade sendo demonstrada tanto pelos resultados obtidos, como, acima de tudo, pelo reconhecimento generalizado dessa condição.

Nesse sentido, o primeiro dos quatro torneios que compõem o Grand Slam (conjunto dos quatro maiores torneios do circuito internacional – Austrália, França, Inglaterra e Estados Unidos) apresentou resultados que quebraram a hegemonia verificada nos últimos tempos, tanto no feminino como no masculino.
No feminino, onde além dos dotes atléticos, os físicos e estéticos também contam muito – queiram ou não os mais puristas –, a final reuniu as duas grandes musas do tênis contemporâneo, a russa Maria Sharapova e a sérvia Ana Ivanovic, com a vitória da primeira por 2 sets a 0, com parciais de 7/5 e 6/3. Foi a primeira vitória de Sharapova, que já chegou a ocupar o primeiro lugar do ranking por algumas semanas, em Melbourne, e o terceiro torneio de Grand Slam de sua carreira, depois do Aberto da Inglaterra, no templo sagrado de Wimbledon, em 2004, e do Aberto dos Estados Unidos em 2006. Em sua trajetória até a grande conquista, Sharapova, que era cabeça-de-chave número cinco, fez um torneio irrepreensível com vitórias arrasadoras sobre a norte-americana Lindsay Davenport, a compatriota Elena Dementieva, a belga Justine Henin (com um contundente 6/0 no segundo set) e a também sérvia Jelena Jankovic, que havia sido responsável pela eliminação de Serena Williams, campeã do torneio em 2007. Já Ana Ivanovic deu continuidade à notável evolução verificada na temporada passada, quando conseguiu se firmar entre os principais nomes do circuito com a surpreendente final em Roland Garros e a semi de Wimbledon. Nova vice-líder do ranking de entradas da WTA, a sérvia ganhou moral ao eliminar sua algoz Venus Williams nas quartas-de-final e confiança ao virar de forma espetacular a semifinal contra a eslovaca Daniela Hantuchova, após levar um pneu (6/0) no primeiro set. Mas na final, faltou experiência em decisão de títulos, o que fez com que o jogo acabasse em pouco tempo, para desespero daqueles que, além de um bom tênis, também gostam de apreciar o belo!!!
Já no masculino, o Aberto da Austrália apresentou uma final surpreendente, já que não contou nem com Roger Federer nem com o espanhol Rafael Nadal, que ganharam os últimos 11 torneios do Grand Slam. Os dois foram derrotados nas semifinais por indiscutíveis três sets a zero, respectivamente por Novak Djokovic e por Jo-Wilfried Tsonga.
As duas novas feras do circuito possuem em comum, além da juventude, um impressionante vigor físico, o que fortalece uma das tendências do tênis atual, a rapidez com que os pontos são decididos, principalmente nas partidas disputadas em quadras rápidas.

A vitória por 4/6, 6/4, 6/4 e 7/6 (7-2) deu ao tenista sérvio seu primeiro título em torneios do Grand Slam, depois do vice-campeonato no Aberto dos Estados Unidos do ano passado. Além disso, a conquista coloca Djokovic muito próximo de Rafael Nadal na vice-liderança do ranking da ATP, e o transforma num dos mais jovens vencedores da história da competição australiana, já que com 20 anos e 250 dias, ele é superado apenas pelos suecos Mats Wilander (campeão em 83, com 19 anos e 111 dias, e bicampeão em 84, com 20 anos e 109 dias) e Stefan Edberg (campeão em 85, com 19 anos e 323 dias).

A conquista de Novak Djokovic significou também a continuidade da fantástica ascensão registrada na temporada passada, em que iniciou como o 16º colocado e terminou como o terceiro melhor do mundo. Em 2007, antes do vice no Aberto dos EUA, ele já havia conquistado os torneios de Adelaide, Estoril e Viena, além dos Masters Series de Miami e Toronto. Se não bastasse, consagrou-se como um dos poucos nomes do circuito capazes de bater Roger Federer, o que aconteceu na final de Toronto e nas semifinais deste Aberto da Austrália.

Apesar da derrota na final, o francês Jo-Wilfried Tsonga também deixou o Aberto da Austrália com muita coisa a comemorar. Ostentando a 38ª posição no ranking no início do torneio, o francês de 22 anos de idade, que disputou em Melbourne apenas seu quinto torneio de Grand Slam, demonstrou enorme desenvoltura e muita segurança nas vitórias sobre adversários de grande expressão como o escocês Andy Murray, o russo Mikhail Youzhny e o compatriota Richard Gasquet, que caíram antes da inesquecível partida contra Rafael Nadal. O vice-campeonato elevou Tsonga ao 18° posto no ranking da ATP.

Com essa performance, Tsonga mostrou porque foi o número 1 do mundo na categoria juvenil, quando, entre outros torneios importantes, conquistou o próprio Aberto da Austrália. Além disso, realimentou as esperanças da torcida francesa que, desde 2001, não via um tenista de seu país chegar à final de um torneio de Grand Slam. Naquele ano, Arnaud Clément chegou à final do Aberto da Austrália, perdendo para Andre Agassi. A última conquista de um francês em torneios de Grand Slam ocorreu em 1983, com a vitória de Yannick Noah sobre Mats Wilander no Aberto da França em Roland Garros.

Resta saber agora se essas novas feras do tênis mundial conseguirão repetir a performance do Aberto da Austrália no restante da temporada, pondo em xeque a prolongada supremacia da dupla Federer/Nadal.

Qual é a sua opinião, amigo internauta?

 

 

 

 

 

 

 

 



 

ARTIGOS ANTERIORES
____________________

08/02/2008
07/01/2008
20/12/2007
04/12/2007
20/11/2007
06/11/2007
01/10/2007

As belas e as novas feras
Duelo nos Bancos
Kakamania e a supremacia do futebol brasileiro
Afirmação e superação
Liderança consolidada
Banho de competência
Momentos de reflexão intima.

19/09/2007

Caindo na real.

03/09/07
Lições de Las Vegas
28/08/07
Invasão de Campo
01/08/07
Altos e Baixos do Pan do Rio
23/07/07
Maestros
16/07/07
Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!
10/07/07
Wimbledon: tradição, elegância e excelência
25/06/07
Copeiro
13/06/07
O show dos "garotos"
24/05/07
Domingo memorável
28/04/07
Pan do Rio: Sinal Amarelo
23/04/07
Enfim o equilíbrio?
04/04/07
Basquete é Alegria
08/03/07
E a cidade amanheceu verde
24/01/07
Da vida para as quadras e das quadras para a vida
12/01/07
O sucesso não ocorre por acaso
20/12/06
Balanço esportivo 
05/12/06
Orgulho de ser brasileiro
28/11/06
A caminho de ser o maior de todos
03/11/06
O antagonismo entre o esporte e a democracia
26/10/06
Lágrimas de alegria e tristeza
11/10/06
Como o futebol explica o mundo
05/10/06
Fanáticos e Alienados
26/09/06
O fim de uma hegemonia?
13/09/06
Ídolos que se vão, lendas que ficam
04/09/06
Enxurrada de emoções
30/08/06
Contraste Brutal
22/08/06
O estreito limite entre o céu e o inferno
11/08/06
A dura vida de um torcedor fanático

.



 
 

.® Direitos Reservados - www.paulosaab.com.br .