Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.













Aberta a temporada anual das despedidas


Luiz Alberto Machado - 15/02/2008

Como decorrência do ciclo natural da vida, os amantes do esporte são obrigados, anualmente, a conviver com a circunstância do encerramento da carreira de grandes ídolos, atletas que se transformam em verdadeiras lendas. São “monstros” que deixam de estar presentes às quadras, campos, piscinas, pistas e tatames, deixando para sempre seus nomes gravados na memória de milhões de fãs espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Em menos de duas semanas, nós, brasileiros, tivemos oportunidade de presenciar o encerramento da carreira de dois dos mais bem-sucedidos de nossos atletas dos últimos anos, Adriana Behar e Gustavo Kuerten.

Adriana Behar despediu-se das competições de vôlei de praia numa partida festiva em que atuou, na companhia de Shelda, sua tradicional parceira, contra duas das outras maiores duplas da modalidade, Jaqueline e Sandra Pires, e Adriana Samuel e Mônica, respectivamente campeãs e vice-campeãs olímpicas em Atenas, primeira vez em que a modalidade fez parte dos Jogos Olímpicos. Por ser um jogo festivo, a partida foi dividida em duas partes: inicialmente, Adriana Behar e Shelda atuaram contra Mônica e Adriana, vencendo-as por 07 a 05. Na seqüência, as convidadas foram substituídas por Jaqueline e Sandra, que não conseguiram virar o resultado no restante da partida e acabaram perdendo por 15 a 12.

A carreira da dupla Adriana Behar e Shelda é extraordinária. Iniciada em outubro de 1995, a parceria rendeu mais de 1.100 vitórias e 114 títulos, além de duas medalhas de prata olímpicas em Sidney e Atenas. Foram heptacampeãs brasileiras (1996/1997/1999/2000/2001/2002/2003), pentacampeãs do circuito mundial (1997/1998/1999/2000/2001), medalha de ouro no Goodwill Games de Nova York em 1998 e nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg em 1999. Individualmente, Adriana Behar foi por três vezes (1995/1996/1999) a Rainha da Praia, além de ter sido considerada a melhor jogadora do Campeonato Mundial de 2002, no Rio de Janeiro.

A decisão de encerrar a carreira, aos 38 anos, após uma temporada em que teve que enfrentar diversas lesões, impede que Adriana Behar tente pela terceira vez, ao lado de Shelda, a tão sonhada medalha de ouro olímpica. Espero, no entanto, como torcedor fanático pelas cores do Brasil, que nossas duplas presentes em Pequim possam manter a tradição das últimas edições dos Jogos Olímpicos, em que sempre houve pelo menos uma dupla brasileira disputando a final feminina do vôlei de praia.

Já o encerramento de carreira de Gustavo Kuerten, o nosso Guga, será feito por etapas, mas iniciou-se com sua participação no torneio da Costa do Sauípe, por ele conquistado em duas oportunidades, em 2002 e 2004, para delírio da torcida brasileira.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que tive oportunidade de estar presente, pessoalmente, a um jogo de Guga. Foi no carnaval de 1997, por ocasião da disputa da Copa Davis, quando o Brasil enfrentou a equipe dos Estados Unidos, em Ribeirão Preto. Lembro-me que Guga, ainda no início de sua carreira, perdeu suas duas partidas, contra Malivai Washington e Jim Courier, até então um dos maiores tenistas do mundo, tendo ocupado por bom tempo o primeiro lugar do ranking da Associação dos Tenistas Profissionais - ATP. Embora derrotado, Guga mostrou enorme potencial, aliando esmerada técnica com notável garra. Impressionado, comentei com minha mulher e meu filho: esse “menino” vai longe e seguramente estará em pouco tempo entre os melhores do mundo.

Minha profecia não demorou a se confirmar, uma vez que já em maio daquele ano, surpreendendo a todos os analistas especializados, Guga venceu pela primeira vez o Aberto da França em Roland Garros, um dos quatro torneios mais importantes do circuito, integrante do chamado Grand Slam. Derrotando por inapeláveis 3 a 0 o espanhol Sergi Bruguera, considerado na época o maior tenista em quadras de saibro, Guga consagrou-se internacionalmente, impulsionando definitivamente sua brilhante carreira.

Daí em diante, Guga transformou-se num dos grandes ídolos do esporte brasileiro e mundial, pois a legião de seus admiradores vai muito além das fronteiras nacionais, o que se deve sem dúvida alguma a seu enorme carisma, sua simpatia e sua simplicidade.

Para se ter uma noção de quão fantástica foi sua carreira, basta dar uma olhada na coleção de títulos conquistados por Guga: 20 torneios do circuito da ATP em simples, incluindo o tricampeonato em Roland Garros (1997/2000/2001) e o Master Cup em Lisboa (2000), após memorável vitória na final sobre Andre Agassi; 8 títulos em duplas. Fora isso, permaneceu por 43 semanas na liderança do ranking de entradas, sendo o 11° tenista da história, que mais tempo liderou a listagem, ficando à frente de nomes como Boris Becker, Mats Wilander, Ilie Nastase, entre outros. Se não bastasse, liderou a equipe brasileira em inesquecíveis vitórias na Copa Davis, a principal delas sobre a poderosa equipe espanhola, de Carlos Moya e Alex Corretja em quadras daquele país. Também foi eleito o melhor atleta do Brasil em 1999, 2000 e 2001.

Com essa brilhante carreira, Guga tornou-se o maior nome do tênis brasileiro, colocando-se ao lado da legendária Maria Esther Bueno, ainda hoje celebrada como uma das maiores jogadoras de todos os tempos.

Ainda que Guga tenha intenção de participar de alguns outros torneios (que ele considera especiais) na atual temporada como parte de sua despedida do circuito, foi na Costa do Sauípe que se pôde constatar o carinho que os brasileiros têm por ele e vice-versa. Com a arquibancada lotada, Guga, mesmo jogando sua melhor partida nos últimos anos, foi derrotado pelo argentino Carlos Berlocq por 2 a 0, com parciais de 7/5 e 6/1.

O resultado, porém, foi o que menos importou para todos os que puderam acompanhar a partida, no local ou pela TV. Só quem é de pedra deve ter permanecido inalterado, sem se emocionar com as palavras de Guga – ele mesmo super emocionado – que agradeceu o carinho do público e o apoio da família, da namorada e do seu técnico e amigo Larri Passos. Depois de falar sobre a alegria que o tênis lhe proporcionou – “esporte que vivi intensamente tanto nos momentos das grandes vitórias como nos momentos difíceis em que tentava me recuperar de duas cirurgias nos quadris” –, Guga encerrou seu discurso dizendo: “Não é que eu não queira mais jogar; é que eu não consigo”.

Uma pena, Guga. Você será eternamente lembrado como um grande campeão!


 

 

 

 

 

 

 

 



 

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