Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.













Duelo nos Bancos


Luiz Alberto Machado - 07/01/2008

Mal o ano começa e os aficcionados por futebol, entre os quais eu me incluo, já se agitam ante o início dos campeonatos estaduais, que ocuparão os primeiros meses do ano, até que comece o Campeonato Brasileiro, que, diga-se de passagem, já tem tabela definida para as séries A e B - ponto para a CBF.

No caso do Campeonato Paulista, as atenções se voltam acima de tudo para o duelo que ocorrerá nos bancos, uma vez que os grandes clubes de São Paulo contam com alguns dos técnicos mais importantes do País. O São Paulo, bicampeão brasileiro, manteve o técnico Muricy Ramalho e a base da equipe que vem apresentando excelente desempenho nos últimos anos, razão pela qual já desponta como favorito. É também o clube que aparece com o reforço mais badalado, o centro-avante Adriano, emprestado pela Inter de Milão, e que busca uma reabilitação no São Paulo, após sua desastrada atuação na Copa da Alemanha, seguida de duas temporadas apagadas no time italiano. Lamentavelmente, os primeiros momentos de Adriano não foram nada animadores, pois no período de festas natalinas, depois de ser flagrado num bar do Rio com uma lata de cerveja na mão, o atleta, que vem há tempos sendo duramente criticado por sua conduta extracampo, provocou um acidente com seu Audi na madrugada carioca. Felizmente, ninguém saiu ferido no episódio.

O outro grande clube que permanece com o técnico da temporada anterior é a Portuguesa de Desportos, recém promovida à série A do Campeonato Brasileiro. Wagner Benazzi, responsável pela boa performance da equipe na série B, teve o reconhecimento dos dirigentes do clube do Canindé e continuará no comando do time, que, sem grandes contratações e ainda perdendo alguns de seus jogadores mais destacados, não deverá aspirar muita coisa no certame paulista.

As grandes novidades, no entanto, estarão à frente do Santos, do Corinthians e do Palmeiras.

Depois de duas temporadas sob a batuta de Vanderlei Luxemburgo, quando conquistou o bicampeonato paulista e conseguiu a classificação para a Libertadores da América, o Peixe terá a volta de Emerson Leão ao comando da equipe. Na cabeça - e no coração - dos santistas, a esperança da repetição do sucesso do treinador em sua última passagem pela equipe, quando conquistou o título brasileiro com um time de jovens talentos, cujos destaques eram Robinho, Diego, Elano e Renato.

O Corinthians inicia a temporada de 2008 com o objetivo de superar o inferno astral que se abateu sobre o clube em 2007 e que culminou com o rebaixamento para a série B do Campeonato Brasileiro. A conquista do título regional poderá ser o ponto de partida para a recuperação da equipe da fanática Fiel Torcida, que, aliás, deu uma notável demonstração de amor ao clube apoiando-o com todas as suas forças, em que pese a sofrível qualidade do elenco e o descalabro administrativo que caracterizou os últimos anos da gestão de Alberto Duailib. Para a dura missão deste ano, o Corinthians contratou o técnico Mano Menezes, que vem credenciado pelo bom trabalho realizado no Grêmio de Porto Alegre. Uma verdadeira prova de fogo para um técnico que, embora tenha seu potencial amplamente reconhecido, ainda não tem uma carreira à altura de seus principais adversários.

Por fim, o Palmeiras, que tenta dar por encerrada uma fase que ficou conhecida como sendo a do "bom e barato" e que, seguramente, não deixou nenhuma saudade em sua torcida, já que o único título de alguma expressão dessa fase foi a conquista do título da série B do Campeonato Brasileiro, no ano seguinte ao do desastre do rebaixamento. Para entrar nessa nova fase, duas grandes novidades: um patrocinador de peso, a Fiat, e um treinador consagrado, Vanderlei Luxemburgo. Ainda que até agora nenhuma contratação de vulto tenha sido anunciada, tem muito palmeirense sonhando com a repetição das grandes conquistas do período em que o clube teve o patrocínio da Parmalat e o comando do mesmo Luxemburgo.

Como o amigo internauta pode ver, as cartas estão sendo distribuídas e o jogo já vai começar. Se dentro das quatro linhas não há destaques de tirar o fôlego, nos bancos a disputa promete ser bem interessante.

Esta é a atual realidade do nosso futebol , que está longe de repetir no plano organizacional o mesmo desempenho de muitos de nossos jogadores, clubes e seleções, que continuam encantando admiradores do futebol em gramados do mundo inteiro.

No ano recém encerrado, tive a satisfação de ser o orientador de um aluno de Relações Internacionais da FAAP que escolheu o futebol como tema de sua monografia de conclusão de curso. Com grande propriedade, ele chamou a atenção para o erro estratégico de nossos clubes que, quase sem exceção, vendem os artistas tão logo surja uma proposta razoável do estrangeiro, enfraquecendo os espetáculos locais e reduzindo, dessa forma, o interesse tanto dos torcedores como dos patrocinadores.

Esta é a principal razão pela qual o futebol que possui o maior número de títulos mundiais tem apresentado campeonatos que só conseguem empolgar os torcedores em virtude do fanatismo dos mesmos, visto que a qualidade técnica tem sido bastante discutível. Em artigo que será brevemente publicado pela Revista de Economia & Relações Internacionais da FAAP, o estudioso Anderson Gurgel revela dados inquestionáveis, com os quais concluo o presente artigo:

Essa constatação não vem isolada: clubes fracos geram um campeonato também fraco. Segundo um estudo da Federação Internacional de História e Estatística (IFFHS), de 2005, o país que mais vezes ganhou a Copa do Mundo tem somente o sexto principal torneio nacional do planeta. A entidade elegeu a Premier League como a primeira em importância. Em seguida, o Campeonato Italiano, seguido pelo Francês, Espanhol e Alemão, respectivamente. O sexto lugar seria até honroso se não fosse confrontado com a tradição do futebol brasileiro. Contudo, essa posição compõe com dados do mundo dos negócios do futebol, onde já é sabido que o Brasil não bate um bolão tão bom quanto no campo. Dos cerca de US$ 250 bilhões que esse mercado movimenta ao longo do ano, a fatia nacional não chega a 3%.

Será que a oportunidade de sediar a Copa do Mundo de 2014 poderá alterar esse quadro?

Com a palavra o amigo internauta.

 

 

 

 

 

 

 



 

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