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Duelo
nos Bancos
Luiz
Alberto Machado - 07/01/2008
Mal o ano começa e os aficcionados
por futebol, entre os quais eu me incluo, já
se agitam ante o início dos campeonatos
estaduais, que ocuparão os primeiros meses
do ano, até que comece o Campeonato Brasileiro,
que, diga-se de passagem, já tem tabela
definida para as séries A e B - ponto para
a CBF.
No caso do Campeonato Paulista, as atenções
se voltam acima de tudo para o duelo que ocorrerá
nos bancos, uma vez que os grandes clubes de São
Paulo contam com alguns dos técnicos mais
importantes do País. O São Paulo,
bicampeão brasileiro, manteve o técnico
Muricy Ramalho e a base da equipe que vem apresentando
excelente desempenho nos últimos anos,
razão pela qual já desponta como
favorito. É também o clube que aparece
com o reforço mais badalado, o centro-avante
Adriano, emprestado pela Inter de Milão,
e que busca uma reabilitação no
São Paulo, após sua desastrada atuação
na Copa da Alemanha, seguida de duas temporadas
apagadas no time italiano. Lamentavelmente, os
primeiros momentos de Adriano não foram
nada animadores, pois no período de festas
natalinas, depois de ser flagrado num bar do Rio
com uma lata de cerveja na mão, o atleta,
que vem há tempos sendo duramente criticado
por sua conduta extracampo, provocou um acidente
com seu Audi na madrugada carioca. Felizmente,
ninguém saiu ferido no episódio.
O outro grande clube que permanece com o técnico
da temporada anterior é a Portuguesa de
Desportos, recém promovida à série
A do Campeonato Brasileiro. Wagner Benazzi, responsável
pela boa performance da equipe na série
B, teve o reconhecimento dos dirigentes do clube
do Canindé e continuará no comando
do time, que, sem grandes contratações
e ainda perdendo alguns de seus jogadores mais
destacados, não deverá aspirar muita
coisa no certame paulista.
As grandes novidades, no entanto, estarão
à frente do Santos, do Corinthians e do
Palmeiras.
Depois de duas temporadas sob a batuta de Vanderlei
Luxemburgo, quando conquistou o bicampeonato paulista
e conseguiu a classificação para
a Libertadores da América, o Peixe terá
a volta de Emerson Leão ao comando da equipe.
Na cabeça - e no coração
- dos santistas, a esperança da repetição
do sucesso do treinador em sua última passagem
pela equipe, quando conquistou o título
brasileiro com um time de jovens talentos, cujos
destaques eram Robinho, Diego, Elano e Renato.
O Corinthians inicia a temporada de 2008 com
o objetivo de superar o inferno astral que se
abateu sobre o clube em 2007 e que culminou com
o rebaixamento para a série B do Campeonato
Brasileiro. A conquista do título regional
poderá ser o ponto de partida para a recuperação
da equipe da fanática Fiel Torcida, que,
aliás, deu uma notável demonstração
de amor ao clube apoiando-o com todas as suas
forças, em que pese a sofrível qualidade
do elenco e o descalabro administrativo que caracterizou
os últimos anos da gestão de Alberto
Duailib. Para a dura missão deste ano,
o Corinthians contratou o técnico Mano
Menezes, que vem credenciado pelo bom trabalho
realizado no Grêmio de Porto Alegre. Uma
verdadeira prova de fogo para um técnico
que, embora tenha seu potencial amplamente reconhecido,
ainda não tem uma carreira à altura
de seus principais adversários.
Por fim, o Palmeiras, que tenta dar por encerrada
uma fase que ficou conhecida como sendo a do "bom
e barato" e que, seguramente, não
deixou nenhuma saudade em sua torcida, já
que o único título de alguma expressão
dessa fase foi a conquista do título da
série B do Campeonato Brasileiro, no ano
seguinte ao do desastre do rebaixamento. Para
entrar nessa nova fase, duas grandes novidades:
um patrocinador de peso, a Fiat, e um treinador
consagrado, Vanderlei Luxemburgo. Ainda que até
agora nenhuma contratação de vulto
tenha sido anunciada, tem muito palmeirense sonhando
com a repetição das grandes conquistas
do período em que o clube teve o patrocínio
da Parmalat e o comando do mesmo Luxemburgo.
Como o amigo internauta pode ver, as cartas estão
sendo distribuídas e o jogo já vai
começar. Se dentro das quatro linhas não
há destaques de tirar o fôlego, nos
bancos a disputa promete ser bem interessante.
Esta é a atual realidade do nosso futebol
, que está longe de repetir no plano organizacional
o mesmo desempenho de muitos de nossos jogadores,
clubes e seleções, que continuam
encantando admiradores do futebol em gramados
do mundo inteiro.
No ano recém encerrado, tive a satisfação
de ser o orientador de um aluno de Relações
Internacionais da FAAP que escolheu o futebol
como tema de sua monografia de conclusão
de curso. Com grande propriedade, ele chamou a
atenção para o erro estratégico
de nossos clubes que, quase sem exceção,
vendem os artistas tão logo surja uma proposta
razoável do estrangeiro, enfraquecendo
os espetáculos locais e reduzindo, dessa
forma, o interesse tanto dos torcedores como dos
patrocinadores.
Esta é a principal razão pela qual
o futebol que possui o maior número de
títulos mundiais tem apresentado campeonatos
que só conseguem empolgar os torcedores
em virtude do fanatismo dos mesmos, visto que
a qualidade técnica tem sido bastante discutível.
Em artigo que será brevemente publicado
pela Revista de Economia & Relações
Internacionais da FAAP, o estudioso Anderson Gurgel
revela dados inquestionáveis, com os quais
concluo o presente artigo:
Essa constatação não vem
isolada: clubes fracos geram um campeonato também
fraco. Segundo um estudo da Federação
Internacional de História e Estatística
(IFFHS), de 2005, o país que mais vezes
ganhou a Copa do Mundo tem somente o sexto principal
torneio nacional do planeta. A entidade elegeu
a Premier League como a primeira em importância.
Em seguida, o Campeonato Italiano, seguido pelo
Francês, Espanhol e Alemão, respectivamente.
O sexto lugar seria até honroso se não
fosse confrontado com a tradição
do futebol brasileiro. Contudo, essa posição
compõe com dados do mundo dos negócios
do futebol, onde já é sabido que
o Brasil não bate um bolão tão
bom quanto no campo. Dos cerca de US$ 250 bilhões
que esse mercado movimenta ao longo do ano, a
fatia nacional não chega a 3%.
Será que a oportunidade de sediar a Copa
do Mundo de 2014 poderá alterar esse quadro?
Com a palavra o amigo internauta.
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