Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.












Olímpica Expectativa
Luiz Alberto Machado -05/08/2008

A poucos dias do início dos Jogos Olímpicos cresce a expectativa sobre o que nos reservam as pistas, quadras, piscinas, tatames, campos, raias, mares, ringues e demais espaços destinados às competições das outras modalidades esportivas que serão disputadas em Pequim.

Nesse clima de intensa expectativa, gostaria de fazer algumas reflexões.

A primeira sobre a grandeza e os paradoxos que envolverão as Olimpíadas de Pequim. Nesse aspecto, duas coisas chamam a atenção: de um lado, a excelência e grandiosidade das instalações, sobretudo daquelas que servirão de palco para os momentos mais esperados dos Jogos, as cerimônias de abertura e de encerramento, as provas de atletismo, natação e ginástica, além de esportes coletivos como futebol, basquete e vôlei. Os complexos esportivos construídos para abrigar as competições são realmente espetaculares e, como ficaram prontos com muita antecedência, deverão se constituir num show à parte pela beleza e bom funcionamento. De outro lado, também chama atenção o brutal esforço das autoridades chinesas para jogar para baixo do tapete as enormes desigualdades que ainda existem nesse país em que apenas 25 a 30% da população desfruta dos benefícios do acelerado crescimento econômico que caracterizou o país nas últimas três décadas, enquanto a esmagadora maioria da população continua vivendo num elevado nível de pobreza, agravado pelo fato de não possuir direitos políticos básicos, o que confere a este altíssimo contingente da população – aproximadamente 1 bilhão de pessoas – um padrão de vida comparável ao de nações extremamente pobres, sem qualquer dignidade ou cidadania.

Minha segunda reflexão, como não poderia deixar de ser, é sobre as possibilidades de medalhas para o Brasil. Nesse particular, não há grandes alterações em relação às edições anteriores dos Jogos Olímpicos. Concorreremos com reais chances de vitória no voleibol, modalidade em que, quer na quadra, quer na praia, o Brasil é hoje uma potência mundialmente reconhecida; no judô e no iatismo, modalidades em que nossos atletas têm tradição de conseguir bons resultados; no futebol, em que apesar da deficiente preparação, o Brasil não pode jamais deixar de ser alinhado entre os favoritos; e em algumas modalidades nas quais o desempenho individual excepcional de alguns atletas pode nos render olímpicas alegrias, como é o caso de Rodrigo Pessoa, no hipismo, Diego Hypólito e Jade Barbosa, na ginástica,  Jadel Gregório, no salto triplo, Maurren Maggi, no salto à distância, César Cielo, na natação, e Natália Falavigna , no tae kwon do. À exceção destes, só mesmo olímpicas surpresas poderão fazer com que o País conquiste medalhas nos Jogos de Pequim, para os quais, diga-se de passagem, segue a maior delegação de todos os tempos. Uma perspectiva bastante modesta, convenhamos, para um país tão grande e tão populoso.

Por fim, uma certeza. Serão os Jogos Olímpicos do mundo globalizado. “Jamais na história das Olimpíadas” um número tão grande de indivíduos participou de uma competição dessa magnitude com laços tão fortes com países diferentes do seu país de nascença. A fase final da Liga Mundial de Vôlei, recém realizada no Rio de Janeiro, foi uma pequena amostra disso. A seleção dos Estados Unidos, que se sagrou campeã, tem vários de seus jogadores atuando em equipes da Rússia; na seleção brasileira, apenas dois de seus doze integrantes disputaram a última temporada no Brasil, enquanto os outros disputavam os campeonatos italiano (a maioria), grego, russo e sérvio; já a seleção polonesa é dirigida por um técnico argentino que se comunica com os jogadores em italiano. Exemplos como esses, que já são freqüentes há muito tempo, serão vistos em enorme quantidade em Pequim. Mas, além disso, será possível ver na próxima edição dos Jogos Olímpicos um número muito grande de atletas que estarão representando países com os quais possuem um vínculo reduzidíssimo, tendo adquirido a nacionalidade apenas para ter a chance de disputar uma Olimpíada. No tênis de mesa, por exemplo, haverá atletas nascidos na China representando diversos países. E as duplas da Geórgia de vôlei de praia, no masculino e no feminino, serão formadas por Jorge Terceiro, Renato Gomes, Cristine Santanna e Andrezza Martins. Você seria capaz de adivinhar a nacionalidade de todos eles?

Nada disso diminui a intensa expectativa que se espalha por todo o mundo. São algumas reflexões apenas, às vésperas da maior festa mundial do esporte, que se repete a cada quatro anos. E que nesta edição apresenta um dado digno de comemoração, a ausência de boicotes, que tanto empanaram o brilho das disputas em edições recentes dos Jogos Olímpicos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

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