Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.













Caindo na real.


Luiz Alberto Machado - 19/09/2007

 

Quando acabaram os Jogos Pan-Americanos, li e ouvi muitas matérias, além de ter recebido diversos e-mails de amigos internautas, com entusiásticos elogios aos resultados alcançados pelo Brasil. Não foram poucos os que chegaram mesmo a prever um excelente desempenho em futuras competições internacionais de grande porte.

Aos amigos internautas, respondi que não compartilhava de tão otimistas expectativas. Ponderei que o nível técnico dos Jogos Pan-Americanos havia sido muito baixo na maior parte das modalidades, a ponto do jornalista Milton Neves dizer que "tecnicamente, os Jogos Pan-Americanos são apenas a 8ª divisão das Olimpíadas. Uma espécie de Jogos Abertos do Interior com grife". Já com relação às matérias veiculadas pelos diferentes canais da mídia, fiquei com uma pulga atrás da orelha. Afinal, como é que jornalistas que se dizem especializados poderiam embarcar numa dessa?

Nada, porém, como um dia depois do outro para colocar as coisas no seu devido lugar. Bastaram algumas poucas competições de alto nível para se constatar o que qualquer observador atento já sabia: a não ser numas poucas modalidades em que o Brasil ocupa, tradicionalmente, lugar de destaque no ranking mundial, ainda estamos muito longe da condição de favoritos a títulos ou medalhas na esmagadora maioria das vezes.

Pouco mais de um mês após o fim do Pan do Rio, como a competição foi carinhosamente chamada entre nós, a realidade do nosso esporte foi comprovada sucessivas vezes: no basquete masculino, com a não classificação para Pequim, no Pré-Olímpico de Las Vegas; na ginástica masculina, também com a não classificação da equipe masculina, com a louvável exceção de Diego Hipólito (a feminina classificou-se a duras penas); no mundial de atletismo, com a pálida performance de nossos atletas, excetuando-se a já esperada boa participação de Jadel Gregório no salto triplo, modalidade em que o Brasil, estranhamente, conta com campeões em sucessivas gerações; no tênis, com a sofrível participação de nossos principais tenistas, deixando em todos uma enorme saudade dos bons tempos de Gustavo Kuerten, o Guga. Até o vôlei feminino, em que a seleção brasileira tem conquistado vários títulos ou chegado muito perto deles, fracassou no Grand Prix, obtendo sua pior colocação nos últimos anos.

Quais as exceções, em que nosso desempenho foi - ou tem sido - destacado?

Como já afirmei anteriormente, nas modalidades em que tradicionalmente somos fortes: no judô, no futebol feminino e no vôlei, onde, tanto na quadra como na praia, estamos indubitavelmente entre os melhores.

Nas modalidades em que ainda teremos grandes competições pela frente provavelmente não será diferente. A não ser nas eliminatórias da Copa do Mundo de futebol, onde nossa superioridade deverá perdurar por muito tempo ainda, ou na Copa do Mundo de vôlei, em que nossas seleções - masculina e feminina - poderão estar disputando os títulos com reais chances de ganhar, continuaremos na dependência de fenômenos individuais esporádicos como tem sido há muito tempo.

E, para tristeza de muita gente, ouso afirmar que essa situação dificilmente irá se alterar enquanto a estrutura do nosso esporte não for profundamente modificada, passando a depender mais, para a formação dos atletas, das escolas e faculdades, cujo acesso é bastante amplo, e menos dos clubes, freqüentados apenas por pequena parcela da sociedade.

 



 
 

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