|
Caindo
na real.
Luiz Alberto Machado -
19/09/2007
Quando acabaram os Jogos Pan-Americanos,
li e ouvi muitas matérias, além de
ter recebido diversos e-mails de amigos internautas,
com entusiásticos elogios aos resultados
alcançados pelo Brasil. Não foram
poucos os que chegaram mesmo a prever um excelente
desempenho em futuras competições
internacionais de grande porte.
Aos amigos
internautas, respondi que não compartilhava
de tão otimistas expectativas. Ponderei que
o nível técnico dos Jogos Pan-Americanos
havia sido muito baixo na maior parte das modalidades,
a ponto do jornalista Milton Neves dizer que "tecnicamente,
os Jogos Pan-Americanos são apenas a 8ª
divisão das Olimpíadas. Uma espécie
de Jogos Abertos do Interior com grife". Já
com relação às matérias
veiculadas pelos diferentes canais da mídia,
fiquei com uma pulga atrás da orelha. Afinal,
como é que jornalistas que se dizem especializados
poderiam embarcar numa dessa?
Nada,
porém, como um dia depois do outro para colocar
as coisas no seu devido lugar. Bastaram algumas
poucas competições de alto nível
para se constatar o que qualquer observador atento
já sabia: a não ser numas poucas modalidades
em que o Brasil ocupa, tradicionalmente, lugar de
destaque no ranking mundial, ainda estamos muito
longe da condição de favoritos a títulos
ou medalhas na esmagadora maioria das vezes.
Pouco
mais de um mês após o fim do Pan do
Rio, como a competição foi carinhosamente
chamada entre nós, a realidade do nosso esporte
foi comprovada sucessivas vezes: no basquete masculino,
com a não classificação para
Pequim, no Pré-Olímpico de Las Vegas;
na ginástica masculina, também com
a não classificação da equipe
masculina, com a louvável exceção
de Diego Hipólito (a feminina classificou-se
a duras penas); no mundial de atletismo, com a pálida
performance de nossos atletas, excetuando-se a já
esperada boa participação de Jadel
Gregório no salto triplo, modalidade em que
o Brasil, estranhamente, conta com campeões
em sucessivas gerações; no tênis,
com a sofrível participação
de nossos principais tenistas, deixando em todos
uma enorme saudade dos bons tempos de Gustavo Kuerten,
o Guga. Até o vôlei feminino, em que
a seleção brasileira tem conquistado
vários títulos ou chegado muito perto
deles, fracassou no Grand Prix, obtendo sua pior
colocação nos últimos anos.
Quais
as exceções, em que nosso desempenho
foi - ou tem sido - destacado?
Como
já afirmei anteriormente, nas modalidades
em que tradicionalmente somos fortes: no judô,
no futebol feminino e no vôlei, onde, tanto
na quadra como na praia, estamos indubitavelmente
entre os melhores.
Nas modalidades
em que ainda teremos grandes competições
pela frente provavelmente não será
diferente. A não ser nas eliminatórias
da Copa do Mundo de futebol, onde nossa superioridade
deverá perdurar por muito tempo ainda, ou
na Copa do Mundo de vôlei, em que nossas seleções
- masculina e feminina - poderão estar disputando
os títulos com reais chances de ganhar, continuaremos
na dependência de fenômenos individuais
esporádicos como tem sido há muito
tempo.
E, para
tristeza de muita gente, ouso afirmar que essa situação
dificilmente irá se alterar enquanto a estrutura
do nosso esporte não for profundamente modificada,
passando a depender mais, para a formação
dos atletas, das escolas e faculdades, cujo acesso
é bastante amplo, e menos dos clubes, freqüentados
apenas por pequena parcela da sociedade.
|