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Homenagem
Vou utilizar este espaço para reproduzir, com autorização do autor, um dos grandes jogadores da última fase em que o basquete brasileiro era vencedor e participava com reais chances de vitória de qualquer campeonato internacional, um artigo escrito em homenagem a outro grande ídolo dessa modalidade. O autor é o Fausto, que se consagrou jogando pelas equipes de Franca, tradicional centro basquetebolístico. O homenageado é o Adilson, que se projetou no Corinthians, brilhando depois em diversos outros clubes, um dos maiores marcadores que vi em ação, qualidade nem sempre valorizada num país que sempre deu muito mais valor ao ataque e aos cestinhas.
Embora um pouco mais novo, tive o privilégio de jogar tanto com um como com outro nas equipes e seleções de masters. E no dia 4 de outubro, com muita honra, estarei novamente ao lado do Fausto, do Marquinhos, do Oscar, do Marcel, do Cadum, do Israel, do Nilo e de tantos outros craques na partida em homenagem ao Adilson.
Adilson, o vôo da vitória e a corrente para o bem
Fausto Giannecchini
“Os campeões reconhecem a existência
dos problemas, mas encontram nos grandes
desafios o alimento predileto dos vencedores.”
Fazendo reflexões sobre o meu histórico de conquistas e vitórias na minha vida esportiva, voltei ao final dos anos 60, e fui lembrando de vários jogadores com que estive junto nesta longa trajetória, do juvenil até os masters nos dias atuais, nos clubes e seleções paulista, universitária e brasileira e, entre esses jogadores, um dos principais na minha carreira foi “Adilson” de Freitas Nascimento.
Adilson, que chegou à sua primeira seleção paulista, vindo das categorias de base do Corinthians, ainda não tendo completado 18 anos, já impressionava com seu jogo; por ser canhoto, defendia bem e estava desenvolvendo sua impulsão, aspecto fundamental para duas das suas marcas registradas, que eram os tocos e enterradas. Pulando fases de sua trajetória, recordo-me do mundial de 81 em Sarajevo, no jogo contra o Real Madrid, em que ganhamos de 41 pontos de diferença; fazendo analogia com o futebol seria como vencer o campeão europeu por 5 X 0.
Após esse feito inédito para uma equipe sul-americana, os jornais iugoslavos publicaram uma foto do Adilson dando um toco acima do aro num jogador do Real com os seguintes dizeres: “Até onde voa Adilson”. A imprensa ficou impressionada com ele e estávamos na Iugoslávia, onde existe o maior pólo de jogadores versáteis do mundo (edição FIBA), terra dos Petrovics, Kikanovics, Cozics, Dalipazics e outros ics que pareciam que não tinham fim. Lembro-me dessa jogada depois de 20 anos como se tivesse sido hoje. No atual mundo globalizado da NBA ele estaria, com certeza, fazendo parte do maior campeonato do mundo de basquete, recheando sua conta bancária, junto com tantos outros da minha época.
Este é o Adilson das grandes proezas dentro da quadra, local de alegrias e onde sabia voar. Mas em qualquer espaço imprevistos ocorrem, desafiam-nos. O esporte, com sua beleza, algumas vezes nos traz algumas preocupações.
Neste momento você, Adilson, fez lembrar-me do “vôo da águia e a corrente para o bem”. Esta ave, que possui a maior longevidade da espécie e chega a viver 70 anos. Existe um momento na vida em que ela precisa tomar uma difícil decisão: quando atinge 40 anos, ela se resguarda por 150 dias, renovando seu bico, unhas e penas para depois dar o vôo da vitória. Adilson, em nossas vidas, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação, para que construamos um novo vôo.
A corrente para o bem vai acontecer no dia 4 de outubro de 2008, no Tênis Clube de Campinas, onde haverá várias ações esportivas. Claro, um jogo de estrelas atuais e do passado para o bem do basquete. Serão vários momentos de discussão, onde estarão presentes jogadores, técnicos árbitros, dirigentes, jornalistas, empresários, e certamente será colocada em pauta a situação atual do nosso basquete.
Você tem alguma sugestão para dar?
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