Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.













Lições de Las Vegas.


Luiz Alberto Machado - 03/09/2007

Tradicionalíssima capital do jogo, Las Vegas tornou-se famosa em todo o mundo pela imponência de seus hotéis, pelo clima fervilhante de seus cassinos e por ser sede de grandes espetáculos artísticos e esportivos, já que lá se apresentam grandes nomes do show bizz e lá também se realizam empolgantes noitadas de boxe, com a disputa de alguns dos títulos mundiais de maior repercussão.

Nas duas últimas semanas, no entanto, Las Vegas atraiu a atenção dos amantes do basquete, uma vez que foi a sede do torneio pré-olímpico das Américas, que classificou os dois primeiros colocados, Estados Unidos e Argentina, para as Olimpíadas de Pequim a serem realizadas no próximo ano.

A seleção brasileira, uma vez mais, decepcionou, frustrando seus torcedores ao deixar escapar uma chance de ouro para começar a recuperar sua imagem, tão desgastada nos últimos 20 anos.

Embora tenha comparecido quase com sua força máxima, ao contrário daqueles que deveriam ser seus principais concorrentes, Argentina e Canadá, que não se apresentaram com suas principais estrelas, a seleção brasileira acabou o torneio num melancólico quarto lugar, em meio a uma série de notícias lamentáveis envolvendo brigas e discussões entre atletas e a comissão técnica.

Ainda que reste uma oportunidade para a conquista da vaga no pré-olímpico mundial a ser disputado às vésperas dos Jogos Olímpicos, todos que acompanham o basquete de perto sabem que a obtenção dessa vaga será muito difícil, dada a qualidade das seleções que deverão estar participando deste torneio.

O mínimo que se espera em momentos de decepção como esse que está sendo vivido pelo basquete brasileiro é que alguma lição seja tirada da derrota (o que vai se tornando cada vez mais difícil de acreditar, haja vista a sucessão de frustrações que o basquete brasileiro viveu nas duas últimas décadas, desde a fantástica vitória sobre a seleção dos Estados Unidos, na final do Pan Americano de 1987, em Indianápolis).

De qualquer forma, creio que pelo menos 3 lições podem - e devem - ser tiradas de Las Vegas.

A primeira, da Argentina. Mesmo com uma seleção B, desfalcada de sete de seus principais jogadores, a seleção argentina mostrou um basquete sólido, de grande disciplina tática, o que, aliado à já conhecida garra dos nossos vizinhos, resultou na conquista de uma das vagas em disputa, com méritos indiscutíveis. Derrotando por duas vezes a seleção brasileira, os argentinos só perderam da seleção norte-americana, motivo da segunda grande lição deixada por Las Vegas.

Após algumas derrotas que chegaram a pôr em dúvida a hegemonia de seu basquete, os Estados Unidos resolveram fazer um trabalho sério para o Pré-Olímpico, a fim de transformá-lo no marco inicial da recuperação da imagem arranhada pelos últimos fracassos e, ato contínuo, a confirmação de sua superioridade na modalidade. Para tanto, não apenas montaram uma equipe com vários dos principais jogadores da atualidade, mas também treinaram pra valer, além de terem conscientizado a todos sobre a importância da conquista.

O que se viu, em decorrência disso, foi um verdadeiro show, com exibições que encantaram o público e deixaram clara a distância que ainda separa o basquete norte-americano do que é praticado no resto do mundo. A condição atlética, a técnica apurada e a intensidade com que se atiraram ao jogo nomes consagrados como os de Kobe Bryant, LeBron James, Carmelo Anthony e Jason Kidd constituíram-se em lições inesquecíveis, daquelas que não podem ser desperdiçadas por todos os que tiveram o privilégio de assistir a essas magníficas aulas de basquete.

A terceira lição deixada por Las Vegas foi de humildade. No basquete, o processo de tomada de decisões é muito rápido. A bola quase perdida pode transformar-se em pontos decisivos. Marcar bem, roubar uma bola ou dar um toco pode valer tanto quando fazer uma cesta. Não se pode desistir jamais.. Lamentavelmente, ainda prevalece entre os jogadores de basquete brasileiros uma mentalidade que dá muito mais valor às ações ofensivas do que às defensivas. Em decorrência disso, nossos atletas costumam se aplicar muito mais quando estão no ataque do que quando estão na defesa. Este tem sido, sem qualquer sombra de dúvida, um dos fatores explicativos da decadência do nosso basquete no cenário mundial verificado nas últimas décadas, quando deixamos de figurar entre as principais forças e de freqüentar o pódio, como ocorria até o final da década de 80. Em Las Vegas, os aficionados pelo basquete tiveram uma oportunidade única de constatar a importância da marcação. Na partida entre as seleções do Brasil e dos Estados Unidos, ainda na primeira fase do torneio, Kobe Bryant, um dos maiores jogadores do mundo, foi indicado pelo treinador de sua equipe para fazer marcação cerrada sobre Leandrinho, principal jogador da nossa seleção e que também atua na NBA. Numa incrível demonstração de perseverança - e também de humildade - o grande ala do Los Angeles Lakers cumpriu à risca a tarefa que lhe fora confiada (Leandrinho fez apenas 4 pontos naquela partida, quando sua média era superior a 20 pontos), sem deixar de apresentar uma incrível performance no ataque, contribuindo decisivamente para a acachapante vitória dos norte-americanos pelo placar de 113 a 76. Atitudes como essa definem os verdadeiramente fora de série.

As outras lições - a quarta, a quinta, a sexta, a sétima etc. - ficaram por conta dos descalabros ocorridos dentro da delegação brasileira, numa monótona repetição do que vem ocorrendo sistematicamente no nosso basquete. Mas parece que nossos principais dirigentes fazem questão de desprezar os ensinamentos que poderiam ser extraídos dessas tristes experiências.





 
 

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