Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.













Basquete é alegria


Luiz Alberto Machado - 04/04/2007
 

Lembro-me de que quando ainda jogava na equipe principal do Paulistano, apareceu por lá um jogador vindo do Pará, com mais de 2 metros de altura, chamado Bruno. Não se tratava de nenhum craque, nem ficou muito tempo no clube, mas marcou por uma frase que ele sempre usava em momentos de stress ou quando levava uma bronca mais pesada do técnico Marcos Sharp: “Calma aí, basquete é alegria”. A gargalhada era generalizada e até quem estava dando a bronca tinha dificuldade para segurar o riso. 

Recordei-me desse fato na manhã do último sábado, quando pude ver a alegria estampada no rosto de centenas de crianças e jovens do bairro de Cidade Dutra, próximo do Autódromo de Interlagos, integrantes do Projeto Sol, por ocasião de um Jogo Exibição de Craques do Basquete Master. Mesmo não tendo acompanhado a carreira de nenhum dos atletas lá presentes, o entusiasmo das crianças e dos jovens que lá estavam era visível e contagiante. 

O Projeto Sol, que atende atualmente 220 crianças e jovens de 6 a 18 anos em regime de ação complementar à escola, acompanhando e impulsionando o desenvolvimento desses jovens, incentivando e dando condições para que eles possam se tornar líderes comunitários na luta por uma sociedade melhor, tem por objetivo proporcionar atividades de Esporte, Cultura, Lazer e Educação como a forma mais eficaz de prevenção à delinqüência, às drogas e à violência. 

Tive o privilégio de participar, juntamente com integrantes de seleções paulistas e brasileiras de diversas gerações, entre os quais o campeão mundial Jathyr e os campeões pan-americanos Marquinhos, Israel e Gerson, deste jogo exibição realizado com o intuito de estimular a prática do basquete pelos jovens mantidos pelo Projeto, agora que conseguiram, com o apoio de algumas empresas e da própria comunidade, construir um ginásio a poucos metros da sede da entidade. 

O que eu gostaria de realçar é que não foi só no rosto das crianças que estiveram assistindo ao jogo que percebi um sorriso sincero e uma alegria espontânea. Todos os jogadores que lá estiveram, independentemente do currículo constituído por um número maior ou menor de títulos acumulados ou da importância dos mesmos, também exibiam um sentimento de intensa felicidade, não só por estarem propiciando alguns momentos de alegria para aquelas crianças, mas também pelo fato de estarem se reencontrando para fazerem o que tanto gostam de fazer: jogar basquete, com alegria! 

Esta, aliás, é uma das razões pelas quais faço questão de continuar participando dos torneios de veteranos, sêniors e masters. É uma oportunidade que se renova permanentemente de rever amigos, praticar uma atividade sadia e lembrar dos bons – e lamentavelmente distantes – tempos do basquete brasileiro. Pena que as vaidades pessoais os interesses políticos e as mesquinharias que tão mal fizeram ao basquete do Brasil nas últimas décadas estejam se reproduzindo também entre os “velhinhos”, numa flagrante contradição do espírito de confraternização e amizade que deveria ser a base da convivência de gerações e gerações de cestobolistas.

 

 


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