| Basquete
é alegria
Luiz
Alberto Machado - 04/04/2007 Lembro-me de que quando ainda jogava na equipe principal
do Paulistano, apareceu por lá um jogador vindo do Pará, com mais de 2 metros de altura, chamado Bruno. Não se tratava de nenhum
craque, nem ficou muito tempo no clube, mas marcou por uma frase que ele sempre
usava em momentos de stress ou quando levava uma bronca mais pesada do técnico
Marcos Sharp: “Calma aí, basquete é alegria”. A gargalhada era generalizada e
até quem estava dando a bronca tinha dificuldade para segurar o riso. Recordei-me desse fato na manhã do último sábado, quando
pude ver a alegria estampada no rosto de centenas de crianças e jovens do bairro
de Cidade Dutra, próximo do Autódromo de Interlagos, integrantes do Projeto Sol,
por ocasião de um Jogo Exibição de Craques do Basquete Master. Mesmo não tendo acompanhado a carreira de nenhum dos
atletas lá presentes, o entusiasmo das crianças e dos jovens que lá estavam era
visível e contagiante. O Projeto Sol, que atende atualmente 220 crianças e
jovens de 6 a 18 anos
em regime de ação complementar à escola, acompanhando e impulsionando o desenvolvimento
desses jovens, incentivando e dando condições para que eles possam se tornar líderes
comunitários na luta por uma sociedade melhor, tem por objetivo proporcionar atividades
de Esporte, Cultura, Lazer e Educação como a forma mais eficaz de prevenção à
delinqüência, às drogas e à violência. Tive o privilégio de participar, juntamente com integrantes
de seleções paulistas e brasileiras de diversas gerações, entre os quais o campeão
mundial Jathyr e os campeões pan-americanos Marquinhos,
Israel e Gerson, deste jogo exibição realizado com o intuito de estimular a prática
do basquete pelos jovens mantidos pelo Projeto, agora que conseguiram, com o apoio
de algumas empresas e da própria comunidade, construir um ginásio a poucos metros
da sede da entidade. O que eu gostaria de realçar é que não foi só no rosto
das crianças que estiveram assistindo ao jogo que percebi um sorriso sincero e
uma alegria espontânea. Todos os jogadores que lá estiveram, independentemente
do currículo constituído por um número maior ou menor de títulos acumulados ou
da importância dos mesmos, também exibiam um sentimento de intensa felicidade,
não só por estarem propiciando alguns momentos de alegria para aquelas crianças,
mas também pelo fato de estarem se reencontrando para fazerem o que tanto gostam
de fazer: jogar basquete, com alegria! Esta, aliás, é uma das razões pelas quais faço questão
de continuar participando dos torneios de veteranos, sêniors e masters. É uma oportunidade
que se renova permanentemente de rever amigos, praticar uma atividade sadia e
lembrar dos bons – e lamentavelmente distantes – tempos do basquete brasileiro.
Pena que as vaidades pessoais os interesses políticos e as mesquinharias que tão
mal fizeram ao basquete do Brasil nas últimas décadas estejam se reproduzindo
também entre os “velhinhos”, numa flagrante contradição do espírito de confraternização
e amizade que deveria ser a base da convivência de gerações
e gerações de cestobolistas.
|