Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.














Enxurrada de emoções



Luiz Alberto Machado - 04/09/2006


Apaixonados pelo esporte e torcedores fanáticos assumidos como eu tiveram um fim de semana repleto de emoções.

Tantas, que ao invés de me ater a um só dos eventos geradores dessas emoções, resolvi fazer um apanhado geral. Como torcedor da seleção brasileira, dois bons motivos de satisfação: o primeiro com a seleção de voleibol feminino que completou, de forma invicta, sua participação na primeira fase do Grand Prix (versão feminina da Liga Mundial). Com 9 vitórias e tendo perdido apenas 4 sets, a seleção brasileira vai para a fase final a ser disputada na Itália credenciada pela melhor campanha entre todas as participantes.

Caso consiga conquistar o título no próximo fim de semana, será, a exemplo da seleção masculina, hexa campeã; o segundo veio no início da tarde de domingo com a vitória da seleção de futebol sobre nosso mais tradicional adversário, a seleção argentina, pelo placar de 3 a 0. O resultado é particularmente bem-vindo, considerando-se que a seleção está iniciando um novo ciclo, que se estenderá até a Copa da África do Sul, em 2010.

Sob o comando de Dunga e mesclando novas caras com a de jogadores remanescentes da Copa da Alemanha, a seleção precisa de resultados expressivos como esse para ir reconquistando a confiança dos torcedores e da própria crítica especializada. Sem a mesma repercussão, mas também digna de registro, vale destacar a conquista do terceiro lugar, no Campeonato Mundial Sub-20, da nossa seleção feminina de futebol, derrotando, nos pênaltis, a seleção dos Estados Unidos (que no feminino, diferentemente do que ocorre no masculino, é uma das grandes forças).

Fortes emoções, também, foram proporcionadas pelos espanhóis da seleção de basquete, que conquistou, no Japão, o título mundial, com uma incontestável vitória sobre a seleção da Grécia, que havia vencido, na semifinal, a favoritíssima seleção norte-americana. A dignificar ainda mais a heróica vitória, o fato de a seleção espanhola ter atuado desfalcada de seu principal jogador, Paul Gasol, que atua na NBA.

Mostrando muita garra, poder de superação e grande espírito de equipe, os espanhóis deram um show de técnica, principalmente na defesa, deixando a equipe grega, última campeã européia, atônita em diversos momentos da partida. A conquista do basquete reforça o excepcional momento vivido pelo esporte espanhol, haja vista o excelente desempenho de Fernando Alonso, no automobilismo, e de Rafael Nadal, no tênis, sem falar da conquista, pelo Barcelona, do Campeonato Europeu de Clubes, considerado o mais disputado do planeta.

A maior emoção para os verdadeiros amantes do esporte ficou para o meio da tarde do domingo, com a derrota e, em conseqüência, o encerramento da carreira, de um dos mais extraordinários tenistas de todos os tempos, o norte-americano Andre Agassi.

Dono de uma técnica apurada, de reflexos rapidíssimos e de uma simpatia cativante, Agassi conseguiu manter-se por quase vinte anos entre os primeiros do ranking, numa modalidade em que jovens prodígios aparecem em grande número, com um vigor físico e uma potência nos golpes que não param de evoluir.

Ao contrário de outros grandes jogadores que não conseguem superar a forte pressão a que estão submetidos dando, freqüentemente, demonstração de stress sob a forma de lamentáveis cenas de descontrole, xingando juízes, falando impropérios ou destruindo raquetes, Agassi pautou sua carreira por uma conduta irrepreensível, dentro e fora das quadras, tanto nas grandes vitórias, como nas duras derrotas. Desde o primeiro título, em Itaparica, quando revolucionou os hábitos do tênis com sua longa cabeleira e suas bermudas de jeans, Agassi foi sempre um exemplo, que, felizmente, influenciou diversas gerações de tenistas, muitos dos quais vieram a ser seus adversários em sua longa carreira.

O choro do ídolo diante dos muitos minutos de aplauso do público que lotava a quadra central do complexo de tênis do Aberto dos Estados Unidos provocou o engasgo e tirou lágrimas de aficcionados espalhados por todo o mundo, pessoas que tiveram o privilégio de ver em ação um dos grandes nomes não só do tênis, mas do esporte mundial em todos os tempos.

Obrigado Agassi: valeu campeão!




 
 

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