| Enxurrada
de emoções
Luiz
Alberto Machado - 04/09/2006
Apaixonados pelo esporte
e torcedores fanáticos assumidos como eu tiveram um fim de semana repleto de emoções.
Tantas, que ao invés de me ater a um só dos eventos geradores dessas emoções,
resolvi fazer um apanhado geral. Como torcedor da seleção brasileira, dois bons
motivos de satisfação: o primeiro com a seleção de voleibol feminino que completou,
de forma invicta, sua participação na primeira fase do Grand Prix (versão feminina
da Liga Mundial). Com 9 vitórias e tendo perdido apenas 4 sets, a seleção brasileira
vai para a fase final a ser disputada na Itália credenciada pela melhor campanha
entre todas as participantes.
Caso consiga conquistar o título no próximo
fim de semana, será, a exemplo da seleção masculina, hexa campeã; o segundo veio
no início da tarde de domingo com a vitória da seleção de futebol sobre nosso
mais tradicional adversário, a seleção argentina, pelo placar de 3 a 0. O resultado
é particularmente bem-vindo, considerando-se que a seleção está iniciando um novo
ciclo, que se estenderá até a Copa da África do Sul, em 2010.
Sob o comando
de Dunga e mesclando novas caras com a de jogadores remanescentes da Copa da Alemanha,
a seleção precisa de resultados expressivos como esse para ir reconquistando a
confiança dos torcedores e da própria crítica especializada. Sem a mesma repercussão,
mas também digna de registro, vale destacar a conquista do terceiro lugar, no
Campeonato Mundial Sub-20, da nossa seleção feminina de futebol, derrotando, nos
pênaltis, a seleção dos Estados Unidos (que no feminino, diferentemente do que
ocorre no masculino, é uma das grandes forças).
Fortes emoções, também,
foram proporcionadas pelos espanhóis da seleção de basquete, que conquistou, no
Japão, o título mundial, com uma incontestável vitória sobre a seleção da Grécia,
que havia vencido, na semifinal, a favoritíssima seleção norte-americana. A dignificar
ainda mais a heróica vitória, o fato de a seleção espanhola ter atuado desfalcada
de seu principal jogador, Paul Gasol, que atua na NBA.
Mostrando muita
garra, poder de superação e grande espírito de equipe, os espanhóis deram um show
de técnica, principalmente na defesa, deixando a equipe grega, última campeã européia,
atônita em diversos momentos da partida. A conquista do basquete reforça o excepcional
momento vivido pelo esporte espanhol, haja vista o excelente desempenho de Fernando
Alonso, no automobilismo, e de Rafael Nadal, no tênis, sem falar da conquista,
pelo Barcelona, do Campeonato Europeu de Clubes, considerado o mais disputado
do planeta.
A maior emoção para os verdadeiros amantes do esporte ficou
para o meio da tarde do domingo, com a derrota e, em conseqüência, o encerramento
da carreira, de um dos mais extraordinários tenistas de todos os tempos, o norte-americano
Andre Agassi.
Dono de uma técnica apurada, de reflexos rapidíssimos e
de uma simpatia cativante, Agassi conseguiu manter-se por quase vinte anos entre
os primeiros do ranking, numa modalidade em que jovens prodígios aparecem em grande
número, com um vigor físico e uma potência nos golpes que não param de evoluir.
Ao contrário de outros grandes jogadores que não conseguem superar a forte
pressão a que estão submetidos dando, freqüentemente, demonstração de stress sob
a forma de lamentáveis cenas de descontrole, xingando juízes, falando impropérios
ou destruindo raquetes, Agassi pautou sua carreira por uma conduta irrepreensível,
dentro e fora das quadras, tanto nas grandes vitórias, como nas duras derrotas.
Desde o primeiro título, em Itaparica, quando revolucionou os hábitos do tênis
com sua longa cabeleira e suas bermudas de jeans, Agassi foi sempre um exemplo,
que, felizmente, influenciou diversas gerações de tenistas, muitos dos quais vieram
a ser seus adversários em sua longa carreira.
O choro do ídolo diante
dos muitos minutos de aplauso do público que lotava a quadra central do complexo
de tênis do Aberto dos Estados Unidos provocou o engasgo e tirou lágrimas de aficcionados
espalhados por todo o mundo, pessoas que tiveram o privilégio de ver em ação um
dos grandes nomes não só do tênis, mas do esporte mundial em todos os tempos.
Obrigado Agassi: valeu campeão!
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