Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.













Afirmação e superação.


Luiz Alberto Machado - 04/12/2007

Com a conquista do bicampeonato na Copa do Mundo disputada no Japão, a seleção brasileira masculina de voleibol escreveu mais um capítulo dessa extraordinária história que teve início no momento em que passou a ser comandada pelo técnico Bernardinho.

Para refrescar a memória do amigo internauta, foram 26 campeonatos disputados, com 21 títulos conquistados, quatro vices e um único terceiro lugar, no Pan da República Dominicana em 2003.

Em 2007, a seleção conquistou a Liga Mundial (pela sexta vez), o Pan do Rio e o Sul-Americano realizado no Chile, só ficando com o vice-campeonato na Copa América, em que esteve representada não pelo time principal, mas por uma equipe constituída de jogadores jovens.

Diante de números tão expressivos, qualquer elogio pode parecer repetitivo e qualquer comentário desnecessário, uma vez que quase tudo já foi dito e escrito a respeito deste que é, sem sombra de dúvida, um dos melhores times de voleibol de todos os tempos.

Três aspectos, no entanto, merecem ser destacados, dois sobre a seleção como um todo, e um sobre um jogador em particular..

Sobre a equipe, o primeiro aspecto refere-se à afirmação dessa seleção, que continua encontrando motivação suficiente para manter-se no topo, depois de já ter ganho todos os títulos que poderia almejar conquistar. Passar por cima de uma tendência natural à acomodação não é tarefa fácil, principalmente se considerarmos que a seleção brasileira é atualmente, de longe, a equipe mais estudada do mundo e, como se diz no jargão esportivo, "é o time a ser batido".

O segundo aspecto está relacionado à fantástica capacidade de atuar sob elevada pressão, o que marcou a trajetória da seleção neste ano, principalmente após a dispensa do levantador e ex-capitão Ricardinho, às vésperas do início dos Jogos Pan-Americanos, poucos dias após a conquista da Liga Mundial, na qual ele havia sido eleito o melhor jogador. Mostrando um espírito de equipe exemplar, o grupo se tornou ainda mais unido com o objetivo de não se deixar abater diante do stress que o episódio gerou.

O terceiro aspecto a considerar, estreitamente ligado ao anterior, diz respeito ao jogador Marcelinho, que assumiu a condição de levantador titular após a dispensa de Ricardinho. Apesar da experiência acumulada em seus 33 anos de idade, muitos deles servindo à seleção, primeiro revezando-se com Ricardinho na reserva de Maurício, e depois como suplente do próprio Ricardinho, sua entrada na equipe foi vista com desconfiança por muita gente, inclusive por boa parte da imprensa que insistia em afirmar que, sem Ricardinho, a seleção brasileira não passava de um time normal.

As conquistas do Pan e do Sul-Americano não serviram para mudar a opinião dessa enorme parcela de críticos, para a qual "tratavam-se de torneios menores, sem a presença de seleções de ponta".

A derrota para os Estados Unidos por 3 a 0 na estréia da Copa do Mundo só serviu para aumentar a desconfiança. Não foram poucos os comentaristas especializados que vieram a público afirmando que aquela derrota era a prova definitiva de que a seleção brasileira não era mais a mesma e que se Ricardinho não retornasse imediatamente, o ciclo de vitórias estava irremediavelmente encerrado.

Nada, porém, como um dia depois do outro. Após a derrota para os Estados Unidos, seguiu-se uma impressionante série de vitórias por 3 a 0, incluindo-se nessa série adversários como Porto Rico (que venceu os Estados Unidos), Espanha (campeã européia) e Bulgária (que venceu o Brasil mais de uma vez nos últimos anos). Entretanto, isso não foi suficiente para abalar a "certeza" dos entendidos. "Esperem a Rússia e verão", diziam. Pois bem, veio a Rússia e a seleção brasileira venceu por inabaláveis três sets a zero, numa das mais brilhantes exibições de sua vitoriosa trajetória. Detalhe: com uma performance primorosa de Marcelinho, que durante todo o campeonato recebeu forte apoio de todos os seus companheiros.

A vitória por 3 a 1 sobre o Japão, e conseqüente conquista da Copa do Mundo, foi importante para fechar com chave de ouro mais um excelente ano dessa equipe, que reafirmou sua condição de melhor do mundo. Foi também uma prova de afirmação e superação que só os verdadeiros craques são capazes de dar. E Marcelinho provou que é um deles.


 

 

 

 

 

 

 



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