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Afirmação
e superação.
Luiz
Alberto Machado - 04/12/2007
Com a conquista do bicampeonato na
Copa do Mundo disputada no Japão, a seleção
brasileira masculina de voleibol escreveu mais um
capítulo dessa extraordinária história
que teve início no momento em que passou
a ser comandada pelo técnico Bernardinho.
Para refrescar a memória do amigo internauta,
foram 26 campeonatos disputados, com 21 títulos
conquistados, quatro vices e um único terceiro
lugar, no Pan da República Dominicana em
2003.
Em 2007, a seleção conquistou a Liga
Mundial (pela sexta vez), o Pan do Rio e o Sul-Americano
realizado no Chile, só ficando com o vice-campeonato
na Copa América, em que esteve representada
não pelo time principal, mas por uma equipe
constituída de jogadores jovens.
Diante de números tão expressivos,
qualquer elogio pode parecer repetitivo e qualquer
comentário desnecessário, uma vez
que quase tudo já foi dito e escrito a respeito
deste que é, sem sombra de dúvida,
um dos melhores times de voleibol de todos os tempos.
Três aspectos, no entanto, merecem ser destacados,
dois sobre a seleção como um todo,
e um sobre um jogador em particular..
Sobre a equipe, o primeiro aspecto refere-se à
afirmação dessa seleção,
que continua encontrando motivação
suficiente para manter-se no topo, depois de já
ter ganho todos os títulos que poderia almejar
conquistar. Passar por cima de uma tendência
natural à acomodação não
é tarefa fácil, principalmente se
considerarmos que a seleção brasileira
é atualmente, de longe, a equipe mais estudada
do mundo e, como se diz no jargão esportivo,
"é o time a ser batido".
O segundo aspecto está relacionado à
fantástica capacidade de atuar sob elevada
pressão, o que marcou a trajetória
da seleção neste ano, principalmente
após a dispensa do levantador e ex-capitão
Ricardinho, às vésperas do início
dos Jogos Pan-Americanos, poucos dias após
a conquista da Liga Mundial, na qual ele havia sido
eleito o melhor jogador. Mostrando um espírito
de equipe exemplar, o grupo se tornou ainda mais
unido com o objetivo de não se deixar abater
diante do stress que o episódio gerou.
O terceiro aspecto a considerar, estreitamente
ligado ao anterior, diz respeito ao jogador Marcelinho,
que assumiu a condição de levantador
titular após a dispensa de Ricardinho. Apesar
da experiência acumulada em seus 33 anos de
idade, muitos deles servindo à seleção,
primeiro revezando-se com Ricardinho na reserva
de Maurício, e depois como suplente do próprio
Ricardinho, sua entrada na equipe foi vista com
desconfiança por muita gente, inclusive por
boa parte da imprensa que insistia em afirmar que,
sem Ricardinho, a seleção brasileira
não passava de um time normal.
As conquistas do Pan e do Sul-Americano não
serviram para mudar a opinião dessa enorme
parcela de críticos, para a qual "tratavam-se
de torneios menores, sem a presença de seleções
de ponta".
A derrota para os Estados Unidos por 3 a 0 na estréia
da Copa do Mundo só serviu para aumentar
a desconfiança. Não foram poucos os
comentaristas especializados que vieram a público
afirmando que aquela derrota era a prova definitiva
de que a seleção brasileira não
era mais a mesma e que se Ricardinho não
retornasse imediatamente, o ciclo de vitórias
estava irremediavelmente encerrado.
Nada, porém, como um dia depois do outro.
Após a derrota para os Estados Unidos, seguiu-se
uma impressionante série de vitórias
por 3 a 0, incluindo-se nessa série adversários
como Porto Rico (que venceu os Estados Unidos),
Espanha (campeã européia) e Bulgária
(que venceu o Brasil mais de uma vez nos últimos
anos). Entretanto, isso não foi suficiente
para abalar a "certeza" dos entendidos.
"Esperem a Rússia e verão",
diziam. Pois bem, veio a Rússia e a seleção
brasileira venceu por inabaláveis três
sets a zero, numa das mais brilhantes exibições
de sua vitoriosa trajetória. Detalhe: com
uma performance primorosa de Marcelinho, que durante
todo o campeonato recebeu forte apoio de todos os
seus companheiros.
A vitória por 3 a 1 sobre o Japão,
e conseqüente conquista da Copa do Mundo, foi
importante para fechar com chave de ouro mais um
excelente ano dessa equipe, que reafirmou sua condição
de melhor do mundo. Foi também uma prova
de afirmação e superação
que só os verdadeiros craques são
capazes de dar. E Marcelinho provou que é
um deles.
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