Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.














Fanáticos e alienados


Luiz Alberto Machado - 05/10/2006


Ao chegar à FAAP, na segunda-feira pela manhã, ainda envolvido pelo clima de expectativa por conta do acompanhamento do noticiário sobre o resultado das eleições realizadas na véspera, acabei presenciando um interessante diálogo entre dois alunos.

Devidamente trajados com as camisas de seus times, os dois reclamavam da interrupção do Campeonato Brasileiro por causa do "saco" da política. Este fato me levou a refletir sobre o assunto e a compartilhar essa reflexão com os amigos internautas. De fato, o último domingo, em razão das eleições gerais, deve ter sido frustrante para os torcedores mais fanáticos, especialmente os "loucos por futebol", já que o Campeonato Brasileiro não teve jogos marcados para esse dia.

E, para fanáticos como esses, não importa se Schumacher deu mais um show ao conquistar sua 91ª vitória no GP da China; ou se Alexandre Barros fez as pazes com a vitória correndo numa nova categoria de motos; ou ainda se os campeões olímpicos Ricardo e Emanuel sagraram-se campeões do mundo de vôlei de praia, mesmo conseguindo apenas o 4º lugar na etapa de Vitória; ou mesmo se Rodrigo Pessoa conquistou o GP da Bélgica, um dos mais importantes do circuito internacional, montando um cavalo diferente da sua montaria tradicional, Baloubet du Rouet; também não importa se vários brasileiros deixaram suas marcas nas redes do mundo todo, atuando por alguns dos mais importantes times do "planeta futebol".

Para estes, o que conta é o desempenho do seu time no campeonato do momento, que, diga-se de passagem, está chegando em sua fase decisiva, na qual poucos disputam o título, muitos fazem contas para escapar do rebaixamento, enquanto alguns apenas cumprem tabela, sem aspirar a muita coisa, mas também sem correr riscos maiores.

Curioso é que para muitos desses torcedores, pouco importa o que ocorre no cenário político. Tanto faz se a eleição foi ou não um belo exercício democrático e se os resultados foram divulgados em poucas horas após o fim da votação, num exemplo que causou admiração - positiva, desta vez - no mundo todo. Uma pena, pois a falta de conscientização política e, conseqüentemente, de ativa participação cidadã, é que explica - pelo menos em parte - a recondução à Câmara e ao Senado de maus políticos, indivíduos que vêm, há muito, denegrindo nossa imagem, rebaixando-nos perante os estrangeiros e nos deixando, muitas vezes, com vergonha de ser brasileiros.

Obviamente, esse tipo de alienação não é privilégio dessa camada da população, a dos "fanáticos por futebol". Até porque, muitos - e eu me permito incluir nesse "muitos" - conciliam as duas coisas, nutrindo simultaneamente interesse pelo futebol (e pelo esporte, de forma geral) e pela situação política do País, procurando se informar da melhor maneira possível para escolher representantes que não venham, depois, a provocar profundo desgosto.

Este episódio me fez viajar no tempo, voltando aos meus tempos de menino. Lembro-me que já gostava muito de futebol e colecionava a Gazeta Esportiva Ilustrada, a maior revista de esportes da época. Muitos dos meus ídolos de então, ao serem entrevistados, costumavam responder quando perguntados sobre política da seguinte forma: "Política: não gosto e também não gosto de quem gosta".

Eu achava isso o máximo. Afinal, meu mundo era uma bola e, como muita criança, eu sonhava com o dia em que ia ser um craque e, ao ser entrevistado, poderia responder daquela mesma forma. O tempo passou, tive oportunidade de estudar, viajar, aprender e amadurecer. Vi como era infantil e limitada aquela visão. Tornei-me um educador, que procura cada vez mais cumprir adequadamente o seu papel.

E dentro desse papel, espaço fundamental cabe exatamente a essa formação das pessoas para a cidadania. Fico imaginando como seria bom se esses torcedores tão fanáticos pelos seus times mostrassem o mesmo interesse pela política...

Nossa, estou viajando e fazendo uma generalização que não tem sentido algum! Afinal, nos dias de hoje é preciso separar muito bem quem é torcedor, aquele indivíduo que tem o hábito sadio de torcer por um determinado clube, e quem é bandido travestido de torcedor, que usa o futebol como pretexto para cometer atos de violência, chegando até tirar a vida de outras pessoas em brigas e batalhas previamente planejadas.

Não é esse tipo de gente que fez parte da minha reflexão, e sim a de milhares de meninos e jovens que, tal como acontecia comigo na infância, acreditam que o futebol é a coisa mais importante do mundo. Quanto a esses pseudotorcedores, parte considerável dos quais faz parte de torcidas uniformizadas, considero-os muito mais bandidos do que torcedores.

E, em minha opinião, assim como alguns políticos comprovadamente envolvidos em corrupção, haveria um lugar muito mais apropriado para eles do que as arquibancadas dos nossos estádios ou o plenário do Congresso Nacional.

Tenho certeza de que o amigo internauta sabe que lugar é esse!




 
 

.® Direitos Reservados - www.paulosaab.com.br