Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.













Orgulho de ser brasileiro


Luiz Alberto Machado - 05/12/2006


Com a arrasadora vitória de três a zero sobre a Polônia, na manhã do domingo, dia 3, a seleção brasileira de vôlei masculino fechou com chave de ouro mais uma fantástica temporada, na qual conquistou as duas competições de que participou, a Liga Mundial, cuja fase final ocorreu em agosto, na Rússia, e o Campeonato Mundial, disputado no Japão.

Vale destacar que a conquista da Liga Mundial ocorre pelo quarto ano consecutivo, enquanto que no Campeonato Mundial, o Brasil conquistou o bicampeonato, reprisando a conquista de 2002 na Argentina. Utilizo a expressão "mais uma fantástica temporada", pois a performance alcançada reproduz os resultados obtidos também em 2004 e 2005, quando a seleção também conquistou os títulos das competições mais importantes, incluindo a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas.

Fica até difícil encontrar adjetivos para qualificar o desempenho atingido por essa seleção, em função de tudo que se falou e escreveu sobre ela nos últimos tempos. Eu mesmo, nessa coluna que começou poucos meses atrás, já me referi a ela com diversos adjetivos amplamente elogiosos. Três aspectos, porém, merecem ser reforçados. O primeiro diz respeito ao extraordinário trabalho da comissão técnica liderada pelo técnico Bernardinho.

Embora quase todos os elogios fiquem para o técnico, há nove pessoas que o auxiliam diretamente nas diversas funções exigidas atualmente em competições de alto nível de uma forma geral, e no voleibol em particular. Por uma questão de justo reconhecimento, faço questão de nominá-los: Roberta Giglio, que faz um fantástico trabalho estatístico, juntamente com Giuliano Ribas; os assistentes e treinadores auxiliares Marcos Lerbach, Ricardo Tabbach e Ruberley Leonaldo (Rubinho); o preparador físico José Inácio Salles Neto; o fisioterapeuta Guilherme Tennus (Fiapo); o médico Álvaro Chameck; e o assessor de imprensa Daniel Kaz.

Como reconhece Bernardinho, trata-se de "um grupo multidisciplinar formado por talentos que se complementam". O segundo aspecto, que é em grande parte uma decorrência do primeiro, refere-se ao elevado espírito de equipe exaustivamente demonstrado por esse grupo de atletas, cuja base permanece junta desde o início da chamada "era Bernardinho" - Giba, Gustavo, Ricardinho, André Nascimento, André Heller, Rodrigão, Anderson, Serginho e Dante.

Mais do que pelas declarações, este espírito fica evidente nas atitudes que os atletas vêm tendo, dentro e fora da quadra. É preciso que haja muito desprendimento e capacidade de renúncia e de entrega para chegar até o nível que esse grupo conseguiu atingir. A maioria das pessoas - que jamais teve oportunidade de viver experiências dessa natureza - não tem a menor noção do que significa passar de três a quatro meses por ano longe da família, convivendo diuturnamente com as mesmas caras, num regime de treinamento intensivo, rígida disciplina, viagens freqüentes, com mudanças de fuso horário, de cultura, de culinária, indo de um alojamento para outro, seja num centro de treinamento, numa vila olímpica, ou numa variedade enorme de hotéis.

Para quem pensa que a vida desse pessoal é só glamour e glória por conta das vitórias, vai uma afirmação bem sucinta: tem muito suor e sacrifício por trás de tudo isso. Ainda mais quando o grupo tem à frente, uma personalidade perfeccionista como é o técnico Bernardinho.

O terceiro, por fim, está relacionado ao excepcional trabalho desenvolvido pelos dirigentes que vêm comandando o nosso vôlei, iniciado pelo atual presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, e continuado por seu sucessor, Ary Graça Filho. Mesmo sendo, por princípio, um crítico da longa permanência de qualquer pessoa em cargos de direção, sou obrigado a reconhecer que fica muito mais fácil advogar essa causa quando se conseguem resultados tão expressivos como os que vêm sendo conseguidos pelo vôlei brasileiro, na praia e na quadra, no masculino e no feminino. Uma excelente visão desse trabalho pode ser obtida através da leitura dos livros Estratégia empresarial - Modelo de gestão vitorioso e inovador da Confederação Brasileira de Voleibol e Estratégia vitoriosa de empresa segundo seus personagens, de Istvan K. Kasznar e Ary S. Graça F°, publicados pela M. Books do Brasil Editora, e que serão objeto de um artigo-resenha numa das próximas semanas.

Após o encerramento da final do Campeonato Mundial, o técnico da Polônia, o argentino Raul Lozano fez a seguinte declaração: "Eles mostraram que são o time mais poderoso do mundo, o melhor time que o mundo já viu". Como brasileiro e torcedor fanático, sinto-me lisonjeado com tal afirmação, embora tenha o receio de já ter visto essa mesma referência feita anteriormente para outras seleções.

Mas, indiscutivelmente, com as conquistas dos últimos anos, a seleção brasileira da atualidade coloca-se num mesmo patamar de excelência de algumas outras seleções que fizeram história nos últimos anos, tais como a da União Soviética de Savin e Saizev, a dos Estados Unidos de Kiraly, Timmons e Powers, e a da Itália de Zorzi, Gardini e Giani, que arrebatou quase todos os títulos na década de 80, com exceção da medalha de ouro olímpica. Fico imaginando como seria espetacular se fosse possível um campeonato que pusesse frente a frente essas quatro extraordinárias equipes.

Concluo confessando minha grande admiração por esse grupo vencedor, que nos últimos anos soube buscar sempre motivação, garra e determinação para se manter no topo, enchendo-me de orgulho de ser brasileiro.

Que diferença do que vimos nos gramados da Alemanha!

 




Antonio Sergio Bichirasbichir@hotmail.com17/01/2007

É isso aí, Beto.
Eu também gostaria de ver uma prova que reunisse FANGIO, ASCARI, MOSS, CLARK, HILL, BRABHAM, STEWART, FITTIPALDI, PIQUET, SENNA, VILLENEUVE e SCHUMACHER...

Já pensou?



 
 

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