| Orgulho
de ser brasileiro
Luiz
Alberto Machado - 05/12/2006
Com a arrasadora vitória de três a zero sobre a Polônia, na manhã do domingo,
dia 3, a seleção brasileira de vôlei masculino fechou com chave de ouro mais uma
fantástica temporada, na qual conquistou as duas competições de que participou,
a Liga Mundial, cuja fase final ocorreu em agosto, na Rússia, e o Campeonato Mundial,
disputado no Japão.
Vale destacar que a conquista da Liga Mundial ocorre
pelo quarto ano consecutivo, enquanto que no Campeonato Mundial, o Brasil conquistou
o bicampeonato, reprisando a conquista de 2002 na Argentina. Utilizo a expressão
"mais uma fantástica temporada", pois a performance alcançada reproduz os resultados
obtidos também em 2004 e 2005, quando a seleção também conquistou os títulos das
competições mais importantes, incluindo a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos
de Atenas.
Fica até difícil encontrar adjetivos para qualificar o desempenho
atingido por essa seleção, em função de tudo que se falou e escreveu sobre ela
nos últimos tempos. Eu mesmo, nessa coluna que começou poucos meses atrás, já
me referi a ela com diversos adjetivos amplamente elogiosos. Três aspectos, porém,
merecem ser reforçados. O primeiro diz respeito ao extraordinário trabalho da
comissão técnica liderada pelo técnico Bernardinho.
Embora quase todos
os elogios fiquem para o técnico, há nove pessoas que o auxiliam diretamente nas
diversas funções exigidas atualmente em competições de alto nível de uma forma
geral, e no voleibol em particular. Por uma questão de justo reconhecimento, faço
questão de nominá-los: Roberta Giglio, que faz um fantástico trabalho estatístico,
juntamente com Giuliano Ribas; os assistentes e treinadores auxiliares Marcos
Lerbach, Ricardo Tabbach e Ruberley Leonaldo (Rubinho); o preparador físico José
Inácio Salles Neto; o fisioterapeuta Guilherme Tennus (Fiapo); o médico Álvaro
Chameck; e o assessor de imprensa Daniel Kaz.
Como reconhece Bernardinho,
trata-se de "um grupo multidisciplinar formado por talentos que se complementam".
O segundo aspecto, que é em grande parte uma decorrência do primeiro, refere-se
ao elevado espírito de equipe exaustivamente demonstrado por esse grupo de atletas,
cuja base permanece junta desde o início da chamada "era Bernardinho" - Giba,
Gustavo, Ricardinho, André Nascimento, André Heller, Rodrigão, Anderson, Serginho
e Dante.
Mais do que pelas declarações, este espírito fica evidente nas
atitudes que os atletas vêm tendo, dentro e fora da quadra. É preciso que haja
muito desprendimento e capacidade de renúncia e de entrega para chegar até o nível
que esse grupo conseguiu atingir. A maioria das pessoas - que jamais teve oportunidade
de viver experiências dessa natureza - não tem a menor noção do que significa
passar de três a quatro meses por ano longe da família, convivendo diuturnamente
com as mesmas caras, num regime de treinamento intensivo, rígida disciplina, viagens
freqüentes, com mudanças de fuso horário, de cultura, de culinária, indo de um
alojamento para outro, seja num centro de treinamento, numa vila olímpica, ou
numa variedade enorme de hotéis.
Para quem pensa que a vida desse pessoal
é só glamour e glória por conta das vitórias, vai uma afirmação bem sucinta: tem
muito suor e sacrifício por trás de tudo isso. Ainda mais quando o grupo tem à
frente, uma personalidade perfeccionista como é o técnico Bernardinho.
O
terceiro, por fim, está relacionado ao excepcional trabalho desenvolvido pelos
dirigentes que vêm comandando o nosso vôlei, iniciado pelo atual presidente do
Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, e continuado por seu sucessor,
Ary Graça Filho. Mesmo sendo, por princípio, um crítico da longa permanência de
qualquer pessoa em cargos de direção, sou obrigado a reconhecer que fica muito
mais fácil advogar essa causa quando se conseguem resultados tão expressivos como
os que vêm sendo conseguidos pelo vôlei brasileiro, na praia e na quadra, no masculino
e no feminino. Uma excelente visão desse trabalho pode ser obtida através da leitura
dos livros Estratégia empresarial - Modelo de gestão vitorioso e inovador da Confederação
Brasileira de Voleibol e Estratégia vitoriosa de empresa segundo seus personagens,
de Istvan K. Kasznar e Ary S. Graça F°, publicados pela M. Books do Brasil Editora,
e que serão objeto de um artigo-resenha numa das próximas semanas.
Após
o encerramento da final do Campeonato Mundial, o técnico da Polônia, o argentino
Raul Lozano fez a seguinte declaração: "Eles mostraram que são o time mais poderoso
do mundo, o melhor time que o mundo já viu". Como brasileiro e torcedor fanático,
sinto-me lisonjeado com tal afirmação, embora tenha o receio de já ter visto essa
mesma referência feita anteriormente para outras seleções.
Mas, indiscutivelmente,
com as conquistas dos últimos anos, a seleção brasileira da atualidade coloca-se
num mesmo patamar de excelência de algumas outras seleções que fizeram história
nos últimos anos, tais como a da União Soviética de Savin e Saizev, a dos Estados
Unidos de Kiraly, Timmons e Powers, e a da Itália de Zorzi, Gardini e Giani, que
arrebatou quase todos os títulos na década de 80, com exceção da medalha de ouro
olímpica. Fico imaginando como seria espetacular se fosse possível um campeonato
que pusesse frente a frente essas quatro extraordinárias equipes.
Concluo
confessando minha grande admiração por esse grupo vencedor, que nos últimos anos
soube buscar sempre motivação, garra e determinação para se manter no topo, enchendo-me
de orgulho de ser brasileiro.
Que diferença do que vimos nos gramados
da Alemanha!
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