Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.













Nostalgia e desilusão


Luiz Alberto Machado - 06/03/2008

 

Com a transferência do torneio de Barra do Sauípe para o início do ano (anteriormente ele era realizado no segundo semestre), o bloco latino-americano do circuito internacional de tênis, disputado integralmente em quadras de saibro, ficou mais extenso, uma vez que são disputados em seqüência os torneios do Chile (Viña del Mar), da Argentina (Buenos Aires), do Brasil e do México (Acapulco).

O último deles, na atual temporada, foi disputado na semana passada e como não pude acompanhar a partida final, recorri a um site de busca para saber o resultado da partida entre o espanhol Nicolas Almagro e o argentino David Nalbandian, em Acapulco.

Como o site de busca não havia sido atualizado, as ocorrências iniciais para “Aberto do México” apontavam apenas resultados das primeiras rodadas, o que me obrigou a ir tentando as ocorrências seguintes. Ao clicar na quinta ou sexta tentativa deparei-me com a notícia da conquista do torneio mexicano por Gustavo Kuerten, em 2001.

Resultado: não apenas fiquei sem saber quem havia conquistado o torneio deste ano, como também fui acometido de uma enorme nostalgia, logo seguida de uma profunda desilusão.

Nostalgia, dos tempos em que Gustavo Kuerten, o nosso Guga, destacava-se como um dos maiores tenistas do mundo, chegando a ocupar por 43 semanas a posição de 1° do ranking. Desilusão, ao lembrar que o Brasil não possui atualmente nenhum tenista entre os 100 primeiros do ranking, já que o brasileiro com melhor classificação, Marcos Daniel, aparece apenas na 115ª posição no ranking de entradas divulgado no dia 3 de março.

No circuito latino-americano de 2008 os campeões foram: o chileno Fernando Gonzalez em Viña del Mar, que não precisou disputar a final em razão da lesão do outro finalista, o argentino Juan Monaco; o espanhol Nicolas Almagro, no Brasil, derrotando seu compatriota Carlos Moya na final; David Nalbandian em Buenos Aires, na final argentina contra José Acasuso; e, novamente do espanhol Nicolas Almagro (em franca ascensão) em Acapulco, vencendo o argentino David Nalbandian. 

Diante de tamanho domínio de espanhóis e argentinos, resolvi examinar mais atentamente o ranking de entradas da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) e constatei que a Espanha tem 13 tenistas entre os 100 primeiros classificados, sendo superada apenas pela França, com 14, enquanto a Argentina, com 9 tenistas, vem logo abaixo. Na seqüência, Estados Unidos e Alemanha com 7, Rússia com 6 e Itália com 5. Surpreendentemente, a Austrália, tradicionalmente conhecida pelo seu enorme estoque de grandes tenistas, comparece na relação com apenas 3 tenistas, mesmo número da Suécia.

Esses números revelam que além dos países que são verdadeiras potências esportivas e que, por isso mesmo, possuem sempre vários tenistas entre os top 100, os outros países que aparecem nessa situação são países que tiveram um grande campeão que provocou um verdadeiro boom na modalidade e, em conseqüência, o surgimento de gerações sucessivas de novos bons tenistas. Assim foi com a Argentina, na esteira de Guillermo Villas; com a Suécia, depois do extraordinário Bjorn Borg, e com a Alemanha, só para citar alguns dos casos mais recentes, graças a Boris Becker. De certa forma, também com a Espanha, que teve o magnífico Manuel Santana na década de 60 e, a partir daí, jamais deixou de ter representantes entre os ídolos da modalidade, como foram Manuel Orantes, os irmãos Sanchez – incluindo a própria Arantxa que permaneceu por vários anos entre as melhores do mundo no feminino –, Sergi Brugera, Carlos Moya, Alex Corretja, Albert Costa, Juan Carlos Ferrero e, nos dias de hoje, Rafael Nadal, David Ferrer e Tommy Robredo.

No caso do Brasil, lamentavelmente, isso não ocorreu. Apesar de ter tido um campeão como Gustavo Kuerten, possuidor não só de uma técnica apurada, mas também de uma simpatia e um carisma que o transformaram num verdadeiro ídolo mundial, com legiões de fãs e admiradores espalhados por diversos países, o tênis brasileiro passa por uma fase muito ruim, caracterizada por gritante escassez de talentos.

Repete-se, com o intervalo de algumas décadas, o que já havia ocorrido no feminino, quando a lendária Maria Esther Bueno também não deixou herdeiras. Só que hoje esse fato se reveste de uma gravidade muito maior, pois, ao contrário de Maria Esther Bueno, Guga foi um ídolo na era da televisão, tendo suas grandes vitórias acompanhadas por milhões de espectadores.

Infelizmente, ao invés de trabalhar num projeto sério, de grande magnitude e com visão de longo prazo, aproveitando a euforia decorrente das conquistas de Guga, os dirigentes do tênis brasileiro estiveram envolvidos em escândalos e em disputas mesquinhas, típicas de quem coloca interesses pessoais e regionais à frente dos interesses mais amplos do esporte nacional.

E o mais triste é que o que ocorreu com o tênis pode acontecer em praticamente todas as outras modalidades, conseqüência de uma estrutura que favorece o aparecimento e a permanência por tempo indefinido na presidência das federações e confederações de pessoas sem a menor qualificação para tais cargos.

É uma pena que num país em que presidentes, governadores e prefeitos têm limites rígidos de permanência em seus cargos, podendo se reeleger uma única vez, nas federações e confederações esportivas, a possibilidade de reeleição seja ilimitada. Creio que o país ganharia muito se isso fosse revisto.

Será que só eu penso dessa forma?

 

 

 

 

 

 

 

 



 

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