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Banho
de competência.
Luiz
Alberto Machado - 06/11/2007
Banho de competência
É muito difícil para um palmeirense
fanático ter de admitir que o São
Paulo vem dando um banho de competência nos
últimos tempos, deixando seus rivais brasileiros
a quilômetros de distância no que tange
à administração de um clube
de futebol.
A conquista do Campeonato Brasileiro de 2007, na
verdade o bicampeonato, com quatro rodadas de antecedência,
foi apenas uma conseqüência natural de
um planejamento baseado numa estrutura sólida
e bem organizada, que respalda o trabalho da comissão
técnica e do grupo de jogadores, independentemente
de quem sejam os integrantes tanto da comissão
como do elenco. Tanto isso é verdade que
o São Paulo manteve-se no topo, conquistando
ou disputando títulos, sob a batuta de Leão,
Paulo Autuori e Murici Ramalho, e com a troca de
todas as peças do time, exceção
feita ao goleiro Rogério Ceni, presença
constante desde que se firmou como titular, em 1997,
após a saída de Zetti.
Como não sou daqueles que acredita que tão
prolongado período de conquistas possa ser
atribuído apenas à sorte, gostaria
de apontar pelo menos três fatores que distinguem
o São Paulo da maioria dos outros clubes
do Brasil:
1. O primeiro fator diz respeito a uma política
interna caracterizada pelo funcionamento satisfatório
da democracia, com alternância na presidência
e respeito à vontade das urnas, independentemente
da existência ou não de oposição
(normalmente há) nos sucessivos processos
eleitorais. Os indivíduos que têm assumido
a presidência, pelo menos de uns dez anos
para cá, têm tido a sabedoria de manter
a estrutura profissional criada para gerir o departamento
de futebol, interferindo o mínimo possível
no dia-a-dia do time, ou seja, na relação
entre a comissão e os jogadores.
2. O segundo fator está relacionado com a
estrutura que vem sendo montada há vários
anos, marcada por um binômio constituído
por instalações adequadas e profissionais
competentes. Faço questão de destacar,
dentro desse binômio, a figura do supervisor
Marco Aurélio Cunha, cuja competência,
já reconhecida dos tempos em que exercia
o cargo de chefe da equipe médica, consolidou-se
quando assumiu a função de supervisor,
na qual consegue ter uma visão plena e integrada
de todos os aspectos que podem contribuir para o
bom funcionamento do time de futebol. A excelente
qualidade das instalações, incluindo-se
aí não só o Estádio
do Morumbi, mas também os dois Centros de
Treinamento (CT) e os moderníssimos equipamentos
fisioterápicos são parte fundamental
do sucesso e decorrência natural dos itens
1 e 2.
3. A visão empresarial com que o clube vem
sendo administrado e que permite que as principais
estrelas possam ser vendidas e repostas sem afetar
muito o desempenho da equipe. Sem fazer muito esforço,
lembro que o São Paulo perdeu, nos últimos
três ou quatro anos, jogadores do quilate
de Kaká, Luiz Fabiano, Lugano, Mineiro, Josué,
Danilo, Grafite e tantos outros, sem deixar, em
nenhum momento, de estar entre os principais concorrentes
aos títulos que disputou. Em contrapartida,
o clube adquiriu jogadores importantes que vieram
substituir os que saíram e agregar valor
ao elenco, tais como Junior, Dagoberto, Aloísio,
Leandro, Jorge Wagner e Richarlyson, para ficar
apenas nos integrantes da equipe que esteve em campo
na partida contra o América de Natal, que
garantiu o título do Brasileiro.
4. Dentro ainda desse planejamento empresarial,
destaque para o trabalho de formação
de jogadores, hoje centralizado no CT de Cotia,
que não só tem revelado jogadores
para compor a equipe titular, casos de Breno, Edcarlos,
Hernanes e Diego Tardelli (os últimos da
fase pré-Cotia), mas tem permitido o equilíbrio
do caixa, graças à venda de muitos
outros jogadores formados em casa, dos quais Kaká
é, sem dúvida, o melhor exemplo.
Caso os outros clubes não aprendam com o
São Paulo, é possível que essa
hegemonia se estenda ainda por muito tempo. Para
desespero dos torcedores dos outros clubes, incluindo-se
aí o deste palmeirense obrigado a se contentar
com uma eventual classificação para
a Libertadores. E olhe lá!
Por último, mas não menos importante,
faço questão aproveitar o espaço
para exaltar o sistema de pontos corridos, finalmente
adotado e mantido nas últimas edições
do Campeonato Brasileiro. Seria um absurdo uma campanha
como a do São Paulo não ser coroada
com o título, coisa muito comum em campeonatos
de outrora, quando nem sempre o campeão era
o melhor time da competição.
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