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Wimbledon:
tradição, elegância e excelência
Luiz Alberto Machado -
10/07/2007
O fim de semana dos dias 7 e 8 de julho ficará
registrado na história de Wimbledon, verdadeiro
templo do tênis mundial, como o da consagração
de dois legítimos campeões da modalidade:
Venus Williams e Roger Federer.
No tradicionalíssimo torneio, disputado
pela primeira vez em 1877, tido como um dos mais
famosos de todo o esporte mundial, em que a elegância
regada a champagne e morangos com chantilly se mistura
com a excelência no esporte, dois autênticos
campeões inscreveram, uma vez mais, seus
nomes na galeria dos grandes vencedores.
No sábado, dia 7, a norte-americana Venus
Williams conquistou o torneio de simples feminina
pela quarta vez, surpreendendo os analistas, pois
não vinha de uma boa temporada e, há
muito tempo, havia deixado de figurar entre as primeiras
do ranking. Em Wimbledon, porém, ela mostrou
que se sente em casa, superando a sérvia
Ana Ivanovic - a mais nova musa da modalidade -
na semifinal, e a surpreendente francesa Marion
Bartoli - que venceu a número 1 do mundo
e favorita ao título, Justine Henin, na outra
semifinal - por inapeláveis 2 a 0, com parciais
de 6 a 4 e 6 a 1, em quase uma hora e meia de jogo.
Com a conquista, Venus Williams torna-se a sexta
tenista a conquistar por quatro vezes o tradicional
torneio, juntando-se a nomes como Lambert Chambers,
Blanche Hillyard, Billie Jean King (6 vezes campeã),
Suzanne Lenglen (6), Steffi Graf (7), Helen Wills
(8), Charlotte Dod Cooper (8) e Martina Navratilova,
a maior vencedora de todos os tempos, com 9 títulos.
Margareth Smith, Maria Esther Bueno e Chris Evert
venceram o torneio 3 vezes.
No domingo, dia 8, foi disputada a esperada final
entre os dois melhores tenistas da atualidade, o
suíço Roger Federer e o espanhol Rafael
Nadal, numa repetição da final de
Roland Garros, realizada algumas semanas antes.
A rigor, as finais entre os dois tenistas têm
sido uma constante, numa evidente demonstração
da superioridade que ambos ostentam frente a todos
os demais participantes do circuito. E, confirmando
sua condição de número 1, Federer
conquistou mais um título, o quinto consecutivo
em Wimbledon, igualando o feito do lendário
Bjorn Borg, que também conquistou o mesmo
título de 1976 a 1980, e H. Laurie Doherty,
que conquistou o torneio de 1902 a 1906. Dessa forma,
conseguiu impor, mais uma vez, sua maior categoria
diante do espanhol, o que só não se
verifica na quadra de saibro, piso em que Nadal
tem se mostrado quase invencível, perdendo
apenas uma partida, justamente para Federer, depois
de permanecer sem ser derrotado por mais de 80 partidas.
Em cinco sets de uma partida de altíssimo
nível, Federer ganhou por 3 a 2, em quase
quatro horas de jogo.
Os maiores ganhadores de Wimbledon são William
Renshaw, com 7 vitórias (6 consecutivas)
e Pete Sampras, com 6. Há que se considerar,
no entanto, que alguns dos maiores jogadores de
todos os tempos foram prejudicados por não
poderem disputar o torneio durante a fase de transição
para o profissionalismo, o que acabou contribuindo
para que não conquistassem o título
tantas vezes. É o caso, por exemplo, de Rod
Laver, Roy Emerson e John Newcombe.
Depois de duas semanas com muita chuva, o que não
é de se estranhar em se tratando de Londres,
parece que até São Pedro resolveu
colaborar, pois o fim de semana das finais - e também
do Grande Prêmio da Inglaterra, disputado
em Silverstone - teve dias bonitos e ensolarados,
o que contribuiu para a beleza do evento.
Como é comum ocorrer, além de membros
da realeza que estiveram presentes e participaram
da cerimônia de premiação, Wimbledon
contou este ano com a presença de inúmeros
campeões do passado, que lá estiveram
abrilhantando ainda mais o torneio. Entre eles,
faço questão de destacar o sueco Bjorn
Borg, o alemão Boris Becker, o espanhol Manuel
Santana, os americanos John McEnroe e Jimmy Connors
(atual técnico de Andy Roddick), a nossa
Maria Esther Bueno e muitos outros, cujos nomes
não me vêm agora à memória.
Quem esteve lá também foi Gustavo
Kuerten, que embora jamais tenha vencido em Wimbledon,
continua sendo aclamado como um grande ídolo,
onde quer que apareça. Guga, aliás,
deu muita força à dupla brasileira
formada por André Sá e Marcelo Mello,
uma das grandes surpresas da competição,
atingindo a semifinal e só perdendo para
a dupla campeã, dos franceses Arnaud Clement
e Michael Llodra. A dupla brasileira foi protagonista
também de uma partida histórica, que
teve três dias de duração em
função das interrupções
provocadas pelas chuvas, e que acabou com a vitória
no quinto set pelo placar de 28 a 26.
Oxalá seja a primeira de uma série
de bons resultados, pois o tênis brasileiro
está necessitando desesperadamente disso!
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