Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.













A dura vida de um torcedor fanático

Luiz Alberto Machado - 11/8/2006


Anos atrás, por ocasião da Copa do Mundo, a Gillete veiculou um comercial de grande sucesso em que o protagonista, um fanático torcedor da seleção brasileira, chamava-se Pacheco. Não sei por que razão (?!?!?), mas é assim que sou chamado por muitos amigos mais chegados, que me conhecem mais de perto.

Para dizer a verdade, acho que eles têm razão. Sou daqueles que não consegue deixar passar um jogo do Verdão, um GP de Fórmula 1 (mesmo depois da gloriosa fase de Émerson, Piquet e Senna), uma competição de hipismo, judô, atletismo, ginástica ou natação, desde que tenha brasileiro com um mínimo de chance na parada. Torneios de tênis na época de ouro do Guga, então, não perdia um, fosse onde fosse, na hora que fosse.

O basquete e o vôlei também podem ter torneios em qualquer hora e lugar, que estarei lá firme, torcendo por nossos atletas. Mas o ponto alto, sem dúvida nenhuma, é a seleção brasileira de futebol. Aí o Pachecão vem à tona em toda a sua plenitude, principalmente em Copas do Mundo, que, diga-se de passagem, começam nas Eliminatórias e não apenas nos trinta e poucos dias da fase final. Por quê tamanha paixão? Nem eu mesmo sei ao certo.

Talvez pelo fato de ter integrado uma seleção brasileira de basquete com 13 anos de idade, tendo a oportunidade de ouvir o Hino Nacional vestido com a camisa verde-amarela em terras distantes. Acho que é uma sensação que só quem viveu é capaz de explicar. Isto posto, o amigo internauta deve estar imaginando que ainda estou, a exemplo de milhões de brasileiros, curtindo a fossa pela pífia participação da nossa seleção na Copa da Alemanha, indignado com a falta de tesão de alguns dos integrantes do time do Parreira (ele próprio, um exemplo vivo de apatia e arrogância).

Ledo engano. Não há tempo para isso. Nossos craques do vôlei, comandados pelo brilhante, inquieto e perfeccionista Bernardinho, estão a pleno vapor em busca de mais um título da Liga Mundial. As seleções masculina e feminina de basquete estão em fase final de preparação para os respectivos campeonatos mundiais, no Japão e no Brasil, e o Felipe Massa começa a obter os primeiros bons resultados correndo na sua Ferrari.

Se não bastasse isso tudo, a Libertadores está na semana decisiva e, como todo bom palmeirense que se preza, estou torcendo loucamente contra o São Paulo. Sim, porque se você não sabe, torcedor que é fanático mesmo, não apenas torce pelo "seu" time, mas também torce contra os principais adversários do mesmo.

Mas sempre de forma sadia, porque se existe algo que não tem nada a ver com o esporte, esse algo são as torcidas uniformizadas, constituídas em grande parte por bandidos, verdadeiros animais que transformam as praças esportivas e suas imediações em autênticos campos de batalha, contrariando totalmente o ideal olímpico e o enorme potencial do esporte de funcionar como instrumento de paz entre os povos.

Finalmente, na primeira partida decisiva da Libertadores, o Inter de Porto Alegre derrotou o São Paulo, em pleno Morumbi, até outro dia, um verdadeiro recreio palestrino, palco de tantas e tantas conquistas do Palmeiras. Agora, basta empatar ou ganhar no Beira Rio, para o São Paulo não ser campeão... mais uma vez. Eu não agüentava mais ver o São Paulo ganhar todas.

Como é dura essa vida de torcedor!






 
 

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