| A
dura vida de um torcedor fanático
Luiz
Alberto Machado - 11/8/2006
Anos atrás, por ocasião da
Copa do Mundo, a Gillete veiculou um comercial de grande sucesso em que o protagonista,
um fanático torcedor da seleção brasileira, chamava-se Pacheco. Não sei por que
razão (?!?!?), mas é assim que sou chamado por muitos amigos mais chegados, que
me conhecem mais de perto.
Para dizer a verdade, acho que eles têm razão.
Sou daqueles que não consegue deixar passar um jogo do Verdão, um GP de Fórmula
1 (mesmo depois da gloriosa fase de Émerson, Piquet e Senna), uma competição de
hipismo, judô, atletismo, ginástica ou natação, desde que tenha brasileiro com
um mínimo de chance na parada. Torneios de tênis na época de ouro do Guga, então,
não perdia um, fosse onde fosse, na hora que fosse.
O basquete e o vôlei
também podem ter torneios em qualquer hora e lugar, que estarei lá firme, torcendo
por nossos atletas. Mas o ponto alto, sem dúvida nenhuma, é a seleção brasileira
de futebol. Aí o Pachecão vem à tona em toda a sua plenitude, principalmente em
Copas do Mundo, que, diga-se de passagem, começam nas Eliminatórias e não apenas
nos trinta e poucos dias da fase final. Por quê tamanha paixão? Nem eu mesmo sei
ao certo.
Talvez pelo fato de ter integrado uma seleção brasileira de
basquete com 13 anos de idade, tendo a oportunidade de ouvir o Hino Nacional vestido
com a camisa verde-amarela em terras distantes. Acho que é uma sensação que só
quem viveu é capaz de explicar. Isto posto, o amigo internauta deve estar imaginando
que ainda estou, a exemplo de milhões de brasileiros, curtindo a fossa pela pífia
participação da nossa seleção na Copa da Alemanha, indignado com a falta de tesão
de alguns dos integrantes do time do Parreira (ele próprio, um exemplo vivo de
apatia e arrogância).
Ledo engano. Não há tempo para isso. Nossos craques
do vôlei, comandados pelo brilhante, inquieto e perfeccionista Bernardinho, estão
a pleno vapor em busca de mais um título da Liga Mundial. As seleções masculina
e feminina de basquete estão em fase final de preparação para os respectivos campeonatos
mundiais, no Japão e no Brasil, e o Felipe Massa começa a obter os primeiros bons
resultados correndo na sua Ferrari.
Se não bastasse isso tudo, a Libertadores
está na semana decisiva e, como todo bom palmeirense que se preza, estou torcendo
loucamente contra o São Paulo. Sim, porque se você não sabe, torcedor que é fanático
mesmo, não apenas torce pelo "seu" time, mas também torce contra os principais
adversários do mesmo.
Mas sempre de forma sadia, porque se existe algo
que não tem nada a ver com o esporte, esse algo são as torcidas uniformizadas,
constituídas em grande parte por bandidos, verdadeiros animais que transformam
as praças esportivas e suas imediações em autênticos campos de batalha, contrariando
totalmente o ideal olímpico e o enorme potencial do esporte de funcionar como
instrumento de paz entre os povos.
Finalmente, na primeira partida decisiva
da Libertadores, o Inter de Porto Alegre derrotou o São Paulo, em pleno Morumbi,
até outro dia, um verdadeiro recreio palestrino, palco de tantas e tantas conquistas
do Palmeiras. Agora, basta empatar ou ganhar no Beira Rio, para o São Paulo não
ser campeão... mais uma vez. Eu não agüentava mais ver o São Paulo ganhar todas.
Como é dura essa vida de torcedor! |