|
Ídolos
que se vão, lendas que ficam.
Luiz
Alberto Machado - 13/09/2006
Terminei
meu artigo da semana reverenciando Andre Agassi, um dos maiores tenistas de todos
os tempos, o único depois de Rod Laver a vencer os quatro torneios que compõem
o Grand Slam (o aberto da Austrália, em Melbourne; o da França, em Roland Garros;
o da Inglaterra, em Wimbledon; e o dos Estados Unidos, em Flushing Meadows), se
bem que, ao contrário de Laver, não no mesmo ano.
Tal fato, porém não
deve ser muito enfatizado para desmerecer essa extraordinária conquista, pois
grandes campeões como Borg, Connors, Villas, Lendl, Sampras, Becker e Federer
(ainda) não o conseguiram. A todos eles ficou faltando vencer pelo menos um desses
grandes torneios. Ao longo da carreira, Agassi conquistou 60 títulos em simples,
o primeiro deles em Itaparica, no ano de 1987, quando derrotou o brasileiro Luiz
Mattar na final. No último domingo, outros dois grandes ídolos do esporte mundial
anunciaram sua aposentadoria, Martina Navratilova e Michael Schumacher.
Martina
Navratilova deixa as quadras com mais um título. Às vésperas de completar 50 anos,
Navratilova conquistou o título de duplas mistas do US Open jogando ao lado de
Bob Bryan, um dos maiores duplistas da atualidade. Sua carreira apresenta números
impressionantes: somando os títulos em simples e em duplas, ela conquistou 59
vitórias em torneios de Grand Slam.
No total, ela venceu 344 títulos em
sua longa carreira de 32 anos. Faço questão de destacar o fato de Navratilova
conseguir se manter jogando em alto nível até os 50 anos de idade, numa modalidade
em que o surgimento de jovens prodígios ocorre com incrível freqüência, levando
à aposentadoria precoce uma série de grandes nomes.
Alguns poderão alegar
que Navratilova nos últimos anos só se manteve competitiva disputando torneios
em duplas femininas e mistas. Para estes, lembro apenas que em vários torneios
- inclusive no US Open deste ano - Navratilova teve que disputar mais de uma partida
por dia, algo impossível para muitos jogadores com metade da sua idade. Nascida
na Tchecoslováquia e naturalizada norte-americana, Navratilova assumiu corajosamente
seu homossexualismo e jamais deixou de defender os direitos de gays e de lésbicas.
O alemão Michael Schumacher - que seguirá disputando o campeonato deste
ano até o seu final, dia 22 de outubro, em Interlagos - é outro que detém números
impressionantes, que dificilmente serão igualados por qualquer outro corredor:
até agora são 90 vitórias, 68 poles positions e sete títulos - um bicampeonato
em 1994 e 1995, com a Benetton e um pentacampeonato com a Ferrari, de 2000 a 2004.
E pode fechar o ciclo de ouro com o título de 2006, uma vez que com a vitória
em Monza ele reduziu sensivelmente a diferença que o separa do espanhol Fernando
Alonso, que tenta o bicampeonato e que lidera o campeonato desde o início da temporada.
Embora para muitos - em especial no Brasil - o maior corredor de todos os tempos
seja Ayrton Senna, os números são francamente favoráveis ao piloto alemão que,
curiosamente, poderá conquistar seu último título no Brasil, o oposto de Agassi,
que aqui conquistou o primeiro título de sua vitoriosa carreira.
É claro
que o esporte tem como uma de suas mais notáveis características a de produzir
novos ídolos, que acabam por preencher as lacunas deixadas por aqueles que vão
encerrando suas carreiras.
Mas esportistas como Agassi, Navratilova e
Schumacher farão parte, seguramente, de um panteão seleto, o daqueles que se transformam
em lendas, tendo suas façanhas reverenciadas por gerações e gerações.
|