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Sou
brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!
Luiz Alberto Machado -
16/07/2007
Foi
com esse coro que os jogadores da Seleção
Brasileira que se encontravam no banco de reservas
nos momentos finais da partida contra a Seleção
Argentina iniciaram a comemoração
pela grande vitória sobre o nosso mais tradicional
rival, pelo placar inconteste de 3 a 0, na conquista
do bicampeonato da Copa América, disputada
em campos da Venezuela.
Foi,
na verdade, uma maneira bem brasileira de expressar
o orgulho de um povo num dia em que seus atletas
demonstraram enorme valor, em competições
importantes, em modalidades diferentes, disputadas
em diversas localidades do planeta.
As
conquistas tiveram início pela manhã,
quando a velocista Bárbara Leôncio,
de apenas 15 anos, venceu a prova dos 200 metros
rasos no Campeonato Mundial Juvenil realizado na
República Checa. Bárbara confirmou
a condição de uma das maiores promessas
do atletismo brasileiro, vencendo uma prova na qual,
tradicionalmente, nossas atletas não apresentam
qualquer destaque. Em quarto lugar na mesma prova
chegou outra brasileira, Rosângela Santos,
que já havia conquistado a medalha de prata
nos 100 metros rasos e que irá integrar a
equipe de atletismo nos Jogos Panamericanos, onde
fará parte da prova de revezamento 4 X 100.
Poucos
minutos depois, Diogo Silva conquistou a primeira
medalha de ouro do Brasil nesta edição
dos Jogos Panamericanos, vencendo por folgada margem
o peruano Peter Lopez, na modalidade de tae kwon
do. Embora pouco divulgada no País, trata-se
de uma modalidade em que nossos atletas têm
obtido resultados expressivos em competições
internacionais, com destaque para o próprio
Diogo Silva, que foi medalha de bronze no Pan de
Santo Domingo e quarto lugar na Olimpíada
de Atenas, e para Natália Falavigna, campeã
mundial e também quarto lugar nos Jogos Olímpicos
de Atenas.
A
tarde começou com mais uma fantástica
conquista da super vitoriosa seleção
brasileira masculina de voleibol, que, ao derrotar
por 3 sets a 1 a seleção russa, em
quadras polonesas, obteve pela sétima vez
- a quinta consecutiva - o título da Liga
Mundial, torneio milionário organizado pela
Federação Internacional de Voleibol.
Fica
até difícil encontrar adjetivos para
qualificar esse grupo extraordinário de jogadores
que, sob a batuta do técnico Bernardinho,
afirma-se cada vez mais como uma das maiores equipes
de todos os tempos, como afirmou o técnico
da seleção polonesa, o argentino Raul
Lozano, após ser derrotado por nossa seleção
na final do Campeonato Mundial disputado no ano
passado no Japão.
Como
torcedor fanático e grande admirador desse
grupo, por tudo que ele vem representando para o
esporte nacional, desejo toda a sorte na disputa
dos Jogos Panamericanos, pois embora seja um torneio
de menor importância em comparação
a muitos outros já conquistados por esse
grupo, é o único título que
falta na carreira dessa geração de
jogadores. E nada melhor do que consegui-la diante
da enorme torcida brasileira, ansiosa para comemorar
com seus ídolos a mais esperada das medalhas
de ouro.
Certamente,
Bernardinho e os jogadores evitarão que se
repita o ocorrido há quatro anos quando,
na República Dominicana, quase esse mesmo
grupo se deixou levar pelo amplo favoritismo e acabou
por perder para a Venezuela, nas semifinais dos
Jogos Panamericanos, ficando apenas com a medalha
de bronze depois de derrotar a seleção
dos Estados Unidos na disputa do 3° lugar.
No
país do futebol, porém, nada gera
tanta euforia como uma vitória sobre o mais
temido rival, principalmente quando este está
com o time completo, repleto de estrelas, enquanto
a nossa seleção não contava
com algumas de suas principais estrelas, o que dava
ao adversário a condição de
franco favorito, condição esta alardeada
tanto pela imprensa argentina como por boa parte
da brasileira. Porém, provando mais uma vez
a incrível capacidade dos nossos jogadores,
a seleção canarinho impôs contundente
derrota a los hermanos, contrariando os prognósticos
dos "entendidos". Foi a primeira conquista
da renovada seleção brasileira numa
competição oficial, depois do fracasso
na Copa da Alemanha. Foi também uma vitória
pessoal do técnico Dunga, bastante criticado
antes da vitória em função
do futebol medíocre que vinha sendo apresentado
pela seleção na maior parte dos amistosos
realizados e nos jogos anteriores da própria
Copa América. Eu, particularmente, alinho-me
àqueles que vêem com desconfiança
a filosofia de jogo preferida por Dunga, mas não
posso deixar de me render à evidência
do bom resultado obtido nesse primeiro grande teste.
Para
ser totalmente sincero, devo encerrar este artigo
confessando que meu orgulho começou na sexta-feira.
E por dois motivos: o primeiro, pela belíssima
cerimônia de abertura dos Jogos Panamericanos,
após tantos problemas e polêmicas durante
os meses que antecederam o evento; o segundo, pela
sonora vaia dirigida àquele que "nada
faz e nada sabe", pelas 75.000 pessoas presentes
no Maracanã. Uma demonstração
de cidadania de quem se orgulha de ser brasileiro,
mas não agüenta mais as falcatruas e
safadezas daqueles que deveriam servir ao povo e
que, na maior parte do tempo, não fazem outra
coisa a não ser se servirem dele.
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