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Liderança
consolidada .
Luiz
Alberto Machado - 20/11/2007
Com a realização dos
Masters - torneio que reúne os(as) oito melhores
tenistas da temporada - o tênis internacional
chega ao fim de 2007 como começou, com a
consolidação da hegemonia do suíço
Roger Federer e da belga Justine Henin.
No feminino, em que a hegemonia não é
tão acentuada, Justine Henin conquistou 10
títulos durante o ano, incluindo, além
do Masters disputado em Madri, dois torneios do
Grand Slam, em Roland Garros e nos Estados Unidos.
Assim, adicionou à sua conta bancária
5,3 milhões de dólares em prêmios,
atingindo a fantástica marca de 63 vitórias
em 67 partidas disputadas na temporada.
Um dos fatores que mais chamam a atenção
no caso da tenista belga diz respeito à sua
constituição física: aos 25
anos, com 1,67, 57 quilos e aparência de uma
mulher comum, Henin é uma exceção
no circuito internacional, pontilhado por jogadoras
de porte muito mais avantajado, algumas das quais
consideradas verdadeiras musas, como a russa Maria
Sharapova, a eslovaca Daniela Hantuchova e a sérvia
Ana Ivanovic.
Sem o tamanho e a força de algumas de suas
principais adversárias, Justine Henin, que
chegou pela primeira vez ao topo do ranking em 2003,
compensa essa aparente desvantagem com uma técnica
apurada, um grande repertório de jogadas,
uma incrível regularidade, um excelente preparo
físico e uma agilidade espetacular. Some-se
a isso uma enorme capacidade de "ler"
o jogo e de imprimir o ritmo que mais lhe convém
em cada partida, e tem-se a explicação
da notável performance da tenista belga que
foi obrigada a superar uma série de problemas
pessoais para chegar até a situação
atual, sem contar que sofre de asma crônica,
sem dúvida uma dificuldade adicional numa
modalidade em que determinadas partidas transformam-se
em verdadeiras maratonas, com até três
horas, disputadas num ritmo intenso de jogo.
No masculino, em que a liderança contínua
de Roger Federer se estende desde 2004, o desempenho
do suíço foi uma vez mais excepcional,
embora nem tanto quanto nos anos de 2005 e 2006.
Em 77 jogos disputados até agora (sem contar
as partidas de exibição contra Pete
Sampras), Federer venceu 68, conquistando 8 títulos,
entre os quais o Masters, e três do Grand
Slam, na Austrália, em Wimbledon e nos Estados
Unidos. Curiosamente, quatro das nove derrotas de
Federer no ano foram diante de tenistas argentinos,
duas para Guillermo Cañas e duas para David
Nalbandjian. As outras foram para Rafael Nadal (duas
vezes), Filippo Volandri, Novak Djokovic e Fernando
González.
Com mais essa ótima temporada, o suíço
de 26 anos dá prosseguimento à sua
extraordinária carreira que, para muitos
analistas, pode transformá-lo no maior tenista
de todos os tempos, em razão de sua categoria,
de sua versatilidade e de seu reconhecido domínio
de todos golpes do tênis. Para refrescar a
memória do amigo internauta, reproduzo a
seguir alguns dados sobre Federer, extraídos
da Wikipedia:
Federer é o primeiro homem desde Mats Wilander
em 1988 a ganhar três dos quatro torneios
do Grand Slam de tênis na mesma temporada
(2004), feito que repetiu em 2006 e 2007. Entre
1970 e 2005, nenhum homem conseguiu disputar todas
as finais dos quatro torneios do Grand Slam numa
mesma temporada: Roger Federer realizou tal feito
duas temporadas seguidas, em 2006 e 2007, totalizando
dez finais seguidas disputadas entre 2005 e 2007,
das quais venceu oito.
Federer também é o primeiro tenista
da história a vencer os torneios de Wimbledon
e US Open na mesma temporada quatro anos seguidos
(2004-2007). Ao vencer o US Open em 2007 pela quarta
vez consecutiva, tornou-se o primeiro tenista da
era Open a realizar tal feito, e o primeiro desde
Bill Tilden, que venceu o torneio entre 1920 e 1923.
Ao vencer o Master Series de Madri de 2006 ultrapassou
Sampras em número de Master Series conquistados,
e se igualou a Borg em número de vezes consecutivas
vencendo Wimbledon (cinco vezes) em 2007, dando
um largo passo para se tornar o melhor do mundo
de todos os tempos.
A exemplo do que já se falou no encerramento
de temporadas anteriores, um dos grandes desafios
de Federer é o de manter a mesma motivação
demonstrada até agora, o que é imprescindível
numa modalidade em que a pressão é
constante e no qual o surgimento de jovens talentos
é freqüente. Outros desafios de Federer
são a conquista do Aberto da França,
em Roland Garros, e do Grand Slam, algo que não
ocorre desde 1969 no masculino, quando foi vencido
pelo lendário australiano Rod Laver, e de
1988 no feminino, quando foi conquistado pela alemã
Steffi Graf. Quem acompanha de perto a carreira
de Federer aposta que não será por
falta de motivação que ele deixará
de lutar incansavelmente para atingir esses objetivos.
Para se ter uma idéia da superioridade desses
dois grandes tenistas, basta observar a distância
que os separa de seus adversários mais próximos
nos respectivos rankings: no feminino, Henin tem
6.155 pontos, enquanto a segunda colocada, a russa
Svetlana Kuznetsova, tem 3.725, e a sérvia
Jelena Jancovic, terceira colocada, 3.475; no masculino,
Federer tem 7.180 pontos, contra 5.735 do espanhol
Rafael Nadal, segundo colocado, e 4.470 do terceiro,
o sérvio Novak Djokovic.
Meu último artigo, comparando o São
Paulo aos demais clubes brasileiros, teve o título
de Banho de competência. A eficiência
de Henin e Federer deixou-me tentado a dar a este
artigo o título de Banho de competência
II. Seria apropriado, não acham?
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