| Balanço
esportivo
Luiz
Alberto Machado - 20/12/2006
A vitória de 1 a 0 do Internacional de Porto Alegre sobre o Barcelona, que deu
ao time gaúcho o cobiçado título de campeão mundial interclubes, marcou o encerramento
do calendário esportivo de 2006.
Com isso, vale a pena fazer um balanço
dos pontos positivos e negativos do esporte brasileiro ao longo do ano, que, diga-se
de passagem, foi bastante movimentado. Começando pelos esportes coletivos, o vôlei
foi, sem dúvida alguma, o ponto alto; o basquete, o ponto negativo; e a participação
da seleção brasileira de futebol no Campeonato Mundial disputado na Alemanha,
a grande decepção.
O vôlei brasileiro fechou o ano de 2006 confirmando
sua posição de maior potência mundial, mais do que consolidada. Tanto nas quadras
como nas praias, o desempenho de nossos atletas tem sido extraordinário. Pena
a seleção feminina ter deixado escapar a vitória sobre a Rússia na final do Campeonato
Mundial disputado no Japão, ficando com o segundo lugar. Não fosse isso e o ano
teria sido perfeito. Em contraste, o basquete viveu mais um ano de inferno astral.
Internamente, os campeonatos foram exemplo de bagunça e desorganização, fato que
se repete no atual campeonato nacional, estranhamente disputado simultaneamente
com os campeonatos estaduais.
A seleção masculina teve a pior campanha
de todos os tempos no Campeonato Mundial disputado no Japão, ao passo que a feminina,
mesmo tendo a seu favor os fatores campo e torcida, ficou apenas com a quarta
posição no Campeonato disputado em São Paulo, podendo contar ainda com a grande
Janeth e algumas remanescentes da equipe campeã do mundo na Austrália e vice-campeã
olímpica em Atlanta.
Ao que tudo indica, não há - na nova geração - estrelas
do brilho de Hortência, Paula e Janeth, o que nos faz esperar, realisticamente,
um futuro diferente do vivido nos últimos quinze anos, quando estivemos pelo menos
disputando os primeiros lugares das principais competições. O Pan-Americano, cuja
importância nos dias de hoje está muito distante do que já foi noutros tempos,
já que vários países comparecem com suas seleções desfalcadas de seus maiores
atletas, poderá ser um dos últimos momentos de glória da nossa envelhecida - inclusive
na comissão técnica - seleção feminina.
O futebol, que nos deu a maior
frustração do ano, graças à pífia participação da seleção nos gramados alemães,
fechou o ano com a conquista do Inter e com a eleição de Marta como a maior jogadora
do mundo, apesar do descalabro que é o nosso futebol feminino. Se não servem para
compensar a tristeza provocada pelo desempenho de nossa seleção em sua fracassada
tentativa de conquistar o hexa, serve, pelo menos, para mostrar a força do nosso
futebol, em que pesem a incompetência de nossos cartolas e a forma quase amadora
como são tratados nossos clubes e nossas federações.
O pólo-aquático amargou
mais uma desclassificação de um campeonato mundial, algo mais do que natural se
considerarmos que nossa seleção, constituída quase que exclusivamente de atletas
amadores, disputou a vaga contra equipes fortíssimas, de países que possuem pesados
investimentos na modalidade, formadas por jogadores profissionais que se dedicam
ao esporte em tempo integral.
O handebol, graças a um trabalho que revela
certo planejamento, começa a conseguir alguns bons resultados, tanto no masculino
como no feminino, embora o nível do Brasil ainda esteja muito abaixo do que se
observa nos principais praticantes da modalidade. Partindo para os esportes individuais,
o destaque ficou, uma vez mais com a ginástica, modalidade em que alguns de nossos
atletas mais conhecidos conquistaram posições de honra nas diversas competições
realizadas ao redor do mundo.
E, como fato auspicioso, começam a surgir
novos nomes no cenário internacional, dando a entender que o trabalho que vem
sendo feito tem tudo para se manter no médio e longo prazo, oferecendo-nos a perspectiva
de bastante sucesso num futuro não muito remoto. A natação atravessa uma fase
de entressafra, com a aposentadoria dos atletas que mais nos deram alegrias nos
últimos anos como Gustavo Borges e Fernando Scherer, o Xuxa.
Há uma safra
relativamente numerosa de novos talentos, entre os quais se sobressai o nadador
da Paraíba, Kaio Márcio , porém, muitas braçadas terão de ser dadas até que essas
promessas se transformem em autênticos campeões. O tênis também atravessa uma
fase difícil, tentando se reerguer depois do mergulho provocado pela desastrada
gestão de Nelson Nastás à frente da CBT - Confederação Brasileira de Tênis, ao
longo da qual nossa equipe passou da condição de uma das mais fortes do mundo
- contando para isso, em grande parte, com a extraordinária participação de Gustavo
Kuerten - para a terceira divisão da Copa Davis.
Em 2006, o Brasil conseguiu
voltar à segunda divisão e esteve a pique de reconquistar um lugar na divisão
de elite, só não o conseguindo em razão da derrota para a equipe sueca, mesmo
com o confronto sendo disputado em nosso país. O que já se pode afirmar com certo
pesar é que ao contrário de outros países que tiveram um enorme "boom" em conseqüência
de terem tido ídolos no esporte como a Argentina, de Guillermo Villas e Gabriela
Sabatini, ou a Suécia de Bjorn Borg, Mats Wilander e Stefan Edberg, no Brasil
o fenômeno Guga não teve o mesmo efeito.
O nosso tênis continua praticamente
na mesma situação em que se encontrava antes de possuir um jogador tão brilhante
quanto Guga, que permaneceu por um bom tempo no topo do ranking, além de ter sido
tri-campeão em Roland Garros e de ter conquistado vários dos mais importantes
torneios do circuito mundial.
O judô, em que tradicionalmente o Brasil
se sai bem nas competições internacionais, encerrou o ano sem resultados tão expressivos,
embora o país continue produzindo bons atletas e tenha uma estrutura bem organizada.
O iatismo, outra modalidade em que o Brasil apresenta excelente retrospecto, também
se mantém em ótimo nível no plano internacional, graças sobretudo a figuras excepcionais,
como Robert Scheidt e Torben Grael.
No atletismo, os resultados mais expressivos
obtidos pelos atletas brasileiros têm sido alcançados nas provas de fundo, em
especial na maratona, na qual nossos atletas têm conseguido muitas vezes fazer
frente aos quase imbatíveis quenianos. Em 2006, o ponto alto da jornada foi a
vitória de Marilson Gomes dos Santos na maratona de Nova York, a mais badalada
de todo o mundo. Nas demais modalidades, o que se constata é uma enorme carência
de recursos, tornando qualquer possibilidade de êxito dependente do aparecimento
de um fenômeno isolado, como foi o caso de Acelino Popó de Freitas, no boxe.
Algo extremamente difícil, há de se convir, numa época em que os investimentos
na preparação de campeões atingem cifras vultuosíssimas em todas as modalidades.
Diante desse quadro, o que esperar em 2007?
Bem, esse já é assunto para
outro artigo.
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