Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.













Balanço esportivo


Luiz Alberto Machado - 20/12/2006

A vitória de 1 a 0 do Internacional de Porto Alegre sobre o Barcelona, que deu ao time gaúcho o cobiçado título de campeão mundial interclubes, marcou o encerramento do calendário esportivo de 2006.

Com isso, vale a pena fazer um balanço dos pontos positivos e negativos do esporte brasileiro ao longo do ano, que, diga-se de passagem, foi bastante movimentado. Começando pelos esportes coletivos, o vôlei foi, sem dúvida alguma, o ponto alto; o basquete, o ponto negativo; e a participação da seleção brasileira de futebol no Campeonato Mundial disputado na Alemanha, a grande decepção.

O vôlei brasileiro fechou o ano de 2006 confirmando sua posição de maior potência mundial, mais do que consolidada. Tanto nas quadras como nas praias, o desempenho de nossos atletas tem sido extraordinário. Pena a seleção feminina ter deixado escapar a vitória sobre a Rússia na final do Campeonato Mundial disputado no Japão, ficando com o segundo lugar. Não fosse isso e o ano teria sido perfeito. Em contraste, o basquete viveu mais um ano de inferno astral. Internamente, os campeonatos foram exemplo de bagunça e desorganização, fato que se repete no atual campeonato nacional, estranhamente disputado simultaneamente com os campeonatos estaduais.

A seleção masculina teve a pior campanha de todos os tempos no Campeonato Mundial disputado no Japão, ao passo que a feminina, mesmo tendo a seu favor os fatores campo e torcida, ficou apenas com a quarta posição no Campeonato disputado em São Paulo, podendo contar ainda com a grande Janeth e algumas remanescentes da equipe campeã do mundo na Austrália e vice-campeã olímpica em Atlanta.

Ao que tudo indica, não há - na nova geração - estrelas do brilho de Hortência, Paula e Janeth, o que nos faz esperar, realisticamente, um futuro diferente do vivido nos últimos quinze anos, quando estivemos pelo menos disputando os primeiros lugares das principais competições. O Pan-Americano, cuja importância nos dias de hoje está muito distante do que já foi noutros tempos, já que vários países comparecem com suas seleções desfalcadas de seus maiores atletas, poderá ser um dos últimos momentos de glória da nossa envelhecida - inclusive na comissão técnica - seleção feminina.

O futebol, que nos deu a maior frustração do ano, graças à pífia participação da seleção nos gramados alemães, fechou o ano com a conquista do Inter e com a eleição de Marta como a maior jogadora do mundo, apesar do descalabro que é o nosso futebol feminino. Se não servem para compensar a tristeza provocada pelo desempenho de nossa seleção em sua fracassada tentativa de conquistar o hexa, serve, pelo menos, para mostrar a força do nosso futebol, em que pesem a incompetência de nossos cartolas e a forma quase amadora como são tratados nossos clubes e nossas federações.

O pólo-aquático amargou mais uma desclassificação de um campeonato mundial, algo mais do que natural se considerarmos que nossa seleção, constituída quase que exclusivamente de atletas amadores, disputou a vaga contra equipes fortíssimas, de países que possuem pesados investimentos na modalidade, formadas por jogadores profissionais que se dedicam ao esporte em tempo integral.

O handebol, graças a um trabalho que revela certo planejamento, começa a conseguir alguns bons resultados, tanto no masculino como no feminino, embora o nível do Brasil ainda esteja muito abaixo do que se observa nos principais praticantes da modalidade. Partindo para os esportes individuais, o destaque ficou, uma vez mais com a ginástica, modalidade em que alguns de nossos atletas mais conhecidos conquistaram posições de honra nas diversas competições realizadas ao redor do mundo.

E, como fato auspicioso, começam a surgir novos nomes no cenário internacional, dando a entender que o trabalho que vem sendo feito tem tudo para se manter no médio e longo prazo, oferecendo-nos a perspectiva de bastante sucesso num futuro não muito remoto. A natação atravessa uma fase de entressafra, com a aposentadoria dos atletas que mais nos deram alegrias nos últimos anos como Gustavo Borges e Fernando Scherer, o Xuxa.

Há uma safra relativamente numerosa de novos talentos, entre os quais se sobressai o nadador da Paraíba, Kaio Márcio , porém, muitas braçadas terão de ser dadas até que essas promessas se transformem em autênticos campeões. O tênis também atravessa uma fase difícil, tentando se reerguer depois do mergulho provocado pela desastrada gestão de Nelson Nastás à frente da CBT - Confederação Brasileira de Tênis, ao longo da qual nossa equipe passou da condição de uma das mais fortes do mundo - contando para isso, em grande parte, com a extraordinária participação de Gustavo Kuerten - para a terceira divisão da Copa Davis.

Em 2006, o Brasil conseguiu voltar à segunda divisão e esteve a pique de reconquistar um lugar na divisão de elite, só não o conseguindo em razão da derrota para a equipe sueca, mesmo com o confronto sendo disputado em nosso país. O que já se pode afirmar com certo pesar é que ao contrário de outros países que tiveram um enorme "boom" em conseqüência de terem tido ídolos no esporte como a Argentina, de Guillermo Villas e Gabriela Sabatini, ou a Suécia de Bjorn Borg, Mats Wilander e Stefan Edberg, no Brasil o fenômeno Guga não teve o mesmo efeito.

O nosso tênis continua praticamente na mesma situação em que se encontrava antes de possuir um jogador tão brilhante quanto Guga, que permaneceu por um bom tempo no topo do ranking, além de ter sido tri-campeão em Roland Garros e de ter conquistado vários dos mais importantes torneios do circuito mundial.

O judô, em que tradicionalmente o Brasil se sai bem nas competições internacionais, encerrou o ano sem resultados tão expressivos, embora o país continue produzindo bons atletas e tenha uma estrutura bem organizada. O iatismo, outra modalidade em que o Brasil apresenta excelente retrospecto, também se mantém em ótimo nível no plano internacional, graças sobretudo a figuras excepcionais, como Robert Scheidt e Torben Grael.

No atletismo, os resultados mais expressivos obtidos pelos atletas brasileiros têm sido alcançados nas provas de fundo, em especial na maratona, na qual nossos atletas têm conseguido muitas vezes fazer frente aos quase imbatíveis quenianos. Em 2006, o ponto alto da jornada foi a vitória de Marilson Gomes dos Santos na maratona de Nova York, a mais badalada de todo o mundo. Nas demais modalidades, o que se constata é uma enorme carência de recursos, tornando qualquer possibilidade de êxito dependente do aparecimento de um fenômeno isolado, como foi o caso de Acelino Popó de Freitas, no boxe.

Algo extremamente difícil, há de se convir, numa época em que os investimentos na preparação de campeões atingem cifras vultuosíssimas em todas as modalidades. Diante desse quadro, o que esperar em 2007?

Bem, esse já é assunto para outro artigo.

 





 
 

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