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Kakamania
e a supremacia do futebol brasileiro
"Com tanto governante fazendo coisas erradas
no Brasil,
está aqui o esporte para limpar a cara do
País no exterior."
Pelé
Luiz
Alberto Machado - 20/12/2007
Na última segunda-feira, dia
17 de dezembro, a Federação Internacional
de Futebol Association - FIFA realizou a tradicional
cerimônia anual de premiação
dos destaques do ano. E o que se viu foi mais uma
prova incontestante da supremacia do futebol brasileiro.
Além de um prêmio especial concedido
a Pelé - aplaudido demoradamente e de pé
pelos os presentes - todos os principais destaques
foram do Brasil: Kaká foi eleito o melhor
jogador, Marta, a melhor jogadora, e Buru, o melhor
do mundo no futebol de praia.
O mais aguardado desses prêmios é,
sem dúvida, o de jogador do ano. E a eleição
de Kaká coroou um ano fantástico do
excepcional atleta que defende atualmente as cores
do Milan (que, aliás, foi escolhido como
o time do ano). Esse prêmio veio se somar
aos outros já recebidos por ele no ano, da
revista France Football, da World Soccer e da União
Européia - UEFA, e que atestam o reconhecimento
generalizado do grande futebol que ele praticou
ao longo da temporada. Seu desempenho, na véspera
da cerimônia da FIFA, na final do mundial
de clubes disputado no Japão entre o Milan
e o Boca Juniors da Argentina, foi memorável.
Além de ter participado diretamente de três
dos quatro gols de sua equipe, Kaká deu um
exemplo do que se espera de um jogador completo,
ajudando na marcação quando necessário,
fazendo a ligação entre defesa e ataque
com rapidez, dando passes precisos e chamando o
jogo para si nos momentos decisivos, demonstrando
uma maturidade e um espírito de liderança
raramente encontrados num atleta de apenas 25 anos.
Nas arquibancadas, alguns torcedores vindos da
Itália misturavam-se aos milhares de japoneses
que torceram ostensivamente para o Milan, muitos
dos quais, em grande parte, em razão da presença
dos vários brasileiros que integram a equipe
despertando verdadeira adoração por
parte dos mais fanáticos. Em meio às
bandeiras rubro-negras, destacava-se uma enorme
bandeira com o desenho do rosto do ídolo,
onde se lia, em letras garrafais, a palavra Kakamania.
Os dias que se seguiram à cerimônia
da FIFA, em especial o dia seguinte, revelaram o
extraordinário significado da premiação
e o elevadíssimo magnetismo pessoal de Kaká,
cuja figura apareceu em peças publicitárias
dos mais variados produtos, em todo o mundo, tanto
na mídia impressa como na televisão.
Prova evidente de que, além de muito bem
pago por seu clube, Kaká engordou sua conta
bancária em muitos milhares de dólares...
ou euros, o que é aceito com naturalidade
pela opinião pública em função
das sucessivas demonstrações de que
além de ótimo profissional, Kaká
é um ser humano exemplar, querido pelos companheiros
e por todos os que privam de sua amizade.
Marta, que recebeu o prêmio de melhor jogadora
do mundo pelo segundo ano consecutivo, também
teve uma excelente temporada, com destacada atuação
nos Jogos Pan-Americanos, em que o Brasil conquistou
a medalha de ouro com facilidade, e no Campeonato
Mundial, do qual foi grande destaque e artilheira,
na conquista do vice-campeonato da seleção
brasileira. O fato de ter desperdiçado um
pênalti na final contra a Alemanha não
serviu, nem de leve, para empanar o brilho de sua
performance ao longo do ano.
Só que, ao contrário do que ocorre
em outras modalidades esportivas, no futebol ainda
existe um enorme abismo separando as cifras envolvidas
no masculino e no feminino. Assim, recebendo um
salário apenas razoável no Umea da
Suécia, e distante das polpudas verbas da
publicidade, a alagoana Marta, que enfrentou uma
série de dificuldades em sua infância,
ainda não conseguiu dar à família
a vida que deseja. Por isso, ela aproveitou os holofotes
para voltar a pedir mais apoio ao futebol feminino.
O dia só não foi completo para o
Brasil, pois coincidiu com o da divulgação
do último ranking mensal da FIFA, onde a
seleção brasileira apareceu em segundo
lugar, fechando o ano atrás do selecionado
argentino. Um tanto estranho, considerando-se que
a seleção Argentina tem colecionado
derrotas nos últimos confrontos com a nossa
seleção. Em todo o caso, estatísticas
são estatísticas...
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