Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.














O estreito limite entre céu e inferno



Luiz Alberto Machado - 22/8/2006


Ao me propor a escrever sobre esportes nesta coluna, tinha em mente mesclar artigos analíticos sobre as diversas modalidades e seus bastidores com experiências pessoais e comentários de livros referentes ao assunto.

No artigo de hoje, gostaria de focalizar um livro lançado no início deste ano que versa sobre as agruras e peripécias dos maiores nomes da posição mais controvertida do futebol: a do goleiro. De autoria de Paulo Guilherme, o livro Goleiros: heróis e anti-heróis da camisa 1, publicado pela Editora Alameda, narra a história dos mais destacados expoentes dessa posição chamada por muitos de maldita, na sua maior parte do Brasil, sem deixar no entanto de citar alguns consagrados estrangeiros, tais como o inglês Gordon Banks e o russo Lev Yashin, o lendário Aranha Negra.

Numa linguagem acessível e estilo fluente, Paulo Guilherme consegue prender a atenção do leitor nas 320 páginas em que vai contando as venturas e desventuras destes que atuam num "pedaço de campo em que sequer a grama cresce". Dois aspectos merecem destaque, em minha opinião:

1º) o excelente trabalho de pesquisa realizado pelo autor, refletido não apenas no corpo do texto principal, mas também nos dados estatísticos apresentados ao final do livro sobre a participação de todos os ocupantes da posição na seleção brasileira;

2º) as curiosidades obtidas pelo autor em entrevistas com protagonistas dos nossos campos, bem como a citação de figuras famosas que chegaram a atuar como goleiros, mesmo que não profissionalmente, entre os quais Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, e o escritor Albert Camus.

A justificar não só as muitas lendas existentes sobre a vida dos goleiros, mas também o título deste artigo, vale observar o que se passou na última semana com um dos melhores e mais controvertidos goleiros do Brasil na atualidade, Rogério Ceni.

Na mesma semana conheceu o inferno, por ter falhado na partida decisiva da Libertadores da América, contribuindo para que seu clube perdesse o título para o Internacional de Porto Alegre e, quatro dias depois, o céu, ao defender um pênalti na partida contra o Cruzeiro, dando ânimo para que o São Paulo iniciasse a reação que lhe permitiu arrancar um empate em pleno Mineirão, depois de estar perdendo de 2 a 0. Detalhe: os dois gols do São Paulo foram feitos por Rogério Ceni, que assim se torna o maior goleiro artilheiro da história do futebol, superando o folclórico Chilavert, paraguaio com longa passagem pelo futebol argentino.

De personalidade forte, nível intelectual muito acima da média dos colegas de profissão, Rogério Ceni já tem, inegavelmente, seu nome imortalizado na história do São Paulo e na memória dos torcedores tricolores. Curiosamente, porém, está longe de ser uma unanimidade.

Prova disso é que apesar de suas qualidades e da carreira vitoriosa, jamais conseguiu se firmar como titular da seleção brasileira. A par disso, Rogério Ceni tem o estranho poder de despertar a paixão dos são-paulinos e o ódio dos torcedores dos clubes adversários, o que se constata até pela existência de diversas comunidades no Orkut do tipo "Eu adoro o Rogério Ceni" ou "Eu odeio o Rogério Ceni".

Recomendo a leitura do livro a todos, em especial aos amantes do esporte e do futebol.






 
 

.® Direitos Reservados - www.paulosaab.com.br