Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.













Enfim o equilíbrio?


Luiz Alberto Machado - 23/04/2007


Meu primeiro artigo para esta coluna foi uma verdadeira declaração de amor ao esporte. Expus, com toda a sinceridade possível, minha condição de torcedor fanático, bem do tipo daquele que é satirizado por Maria Cristina Von Atzingen e Helena Perim Costa no delicioso livro Caçando príncipes e engolindo sapos, no capítulo “O Esportista”. 

É verdade, sou daqueles que gosta de quase todas as modalidades, a ponto de provocar, não raras vezes, a ira da minha mulher e a gozação de alguns amigos. 

Mas confesso que mesmo sendo um fanático assumido, estava ficando cada vez mais difícil varar madrugadas ou acordar bem cedo nos domingos para ver os grandes prêmios da Fórmula 1. Nos últimos 15 anos, com raras exceções, os campeonatos não ofereceram a menor graça, quer pela superioridade absoluta de algum piloto, quer pela superioridade absoluta de algum carro. Ou mesmo, pela combinação das duas coisas. 

Nesse sentido, depois que os brasileiros passaram a acompanhar com vivo interesse as transmissões da Fórmula 1, no início dos anos 70, graças à participação de Emerson Fittipaldi, é possível destacar dois momentos claramente distintos. O primeiro, que vai até o final dos anos 80, caracterizado por acentuado equilíbrio e pela existência de diversos pilotos com reais possibilidades de vencer as corridas e disputar os títulos de cada temporada. Mesmo que houvesse favoritos – e sempre havia – a chance de uma surpresa era muito grande e o favoritismo dificilmente pertencia a um só piloto ou a uma só escuderia. O segundo, que perdurou pelos anos 90 e se estendeu pela primeira década do novo século, caracterizou-se pelo predomínio absoluto de um piloto ou de uma única equipe, ocasiões em que a disputa se limitava exclusivamente aos pilotos da mesma. Convenhamos, uma coisa muito chata para se acompanhar, já que praticamente não havia competição, que é a própria razão de ser do esporte. 

Tomando por base os pilotos brasileiros mais destacados, seria possível afirmar que são exemplos do primeiro momento os campeonatos disputados por Emerson Fittipaldi, José Carlos Pacce e Nelson Piquet. Ayrton Senna viveu essa fase em seus primeiros anos de Fórmula 1, sendo depois um dos maiores exemplos do segundo momento aqui focalizado. Rubens Barrichello participou, quase sempre como coadjuvante, do segundo momento que, espero, esteja chegando ao fim este ano. 

Só pra refrescar a memória, como era bom levantar cedo e torcer para Emerson ou Piquet, sabendo que a vitória de qualquer um deles seria, quase sempre, disputada palmo a palmo, primeiro com Jochen Rindt, Jackie Stewart, Jacky Ickx, Chris Amon, Jean Pierre Beltoise, François Cevert, Clay Regazzonni, Ronnie Peterson, Carlos Reutemann e outros quase da mesma categoria, depois com Niky Lauda, Keke Rosberg, Nigel Mansel, Jacques Laffite e Alain Prost. Além da disputa dos pilotos, via-se uma acirrada concorrência entre várias escuderias, como Lotus, BRM, Matra, Brabham, Tyrrell, Ferrari, McLaren, Williams, sem contar as disputas de motores e pneus. 

A fase seguinte foi marcada pela supremacia absoluta de escuderias e/ou pilotos, sendo possível identificar as fases da McLaren, Williams e Ferrari, esporadicamente quebradas pela Benetton, com Schumacher em 1994 e 1995, e pela Renault, com Fernando Alonso em 2005 e 2006. Esses anos foram marcados pela ampla superioridade de Alain Prost, Ayrton Senna e, mais recentemente, Michael Schumacher, detentor, disparado, de quase todos os recordes da Fórmula 1. 

Por tudo isso, é muito bom ver que o campeonato deste ano começa revelando elevado grau de competitividade. Ainda que duas equipes se destaquem claramente em relação às demais – McLaren e Ferrari – a BMW vem apresentando bom desempenho nas primeiras corridas e seu piloto Nick Heidfeld, com 15 pontos, está, depois de três corridas, a apenas dois pontos de Felipe Massa, que tem 17, e a sete dos líderes, Fernando Alonso, Kimi Räykkönen e Lewis Hamilton, que têm 22. 

Para se ter uma idéia do que isso significa, basta lembrar que só na sua primeira temporada, em 1950, três pilotos não dividiam a primeira colocação ao final das três primeiras corridas. 

Torcida pelo Massa à parte, tomara que o equilíbrio persista por toda a temporada. Assim vai voltar a valer a pena acordar cedo aos domingos, sem a sensação de estar assistindo a uma corrida de autorama ou, talvez ainda pior, a uma competição da qual já se sabe, de antemão, quem será o vencedor.

 

 

 

Antonio Sergio Bichir  14/05/2007


Amigo Machado...Começo pelo fim. Não acho que o torcedor de F1 queira ver equilíbrio, desde que seu piloto favorito esteja vencendo. Isso é humano e resulta da interiorização do princípio darwinista fundamental: os mais aptos sobrevivem.
Acho, também, que mesmo nos tempos de Émerson, Piquet e Senna, apesar de algum equilíbrio - aqui e ali (lembre-se de que Prost venceu em 1985 porque não tinha adversários (carros) em condições de enfrentá-lo). Mas, o que me chama mais a atenção, é que a fórmula 1 converteu-se em laboratório de experiências tecnológicas delirantes, retirando boa parte do brilho e da \'tocada\' dos grandes pilotos.
Eu me lembro da vitória do Ayrton, no Brasil, em 1990, cruzando a linha de chegada com a sexta marcha... Dereck Waraick, que naquela corrida tinha migrado temporariamente à função de comentarista, foi um dos poucos que observou o fato, e disse algo assim: o Senna está com duas marchas (antes de ficar só com uma) e se conseguir concluir a prova será um milagre!
É isso, caro Machado, esse tempo acabou e não volta mais. Não adianta impor restrições burocráticas aos carros, para que tudo seja mais competitivo. É preciso recuperar a \'aura\' da grande pilotagem. Acho que se consegue isso, simplesmente, acabando com o pit stop obrigatório.

Abraço.




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