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Domingo
memorável!
Luiz Alberto Machado -
24/05/2007
Apaixonados por esportes como eu terão bons
motivos para manter por longo tempo registrada na
memória a data do último domingo,
dia 20 de maio. As emoções propiciadas
em diversas modalidades transformaram essa data
num dia inesquecível.
As emoções começaram pela
manhã, com a vitória do suíço
Roger Federer sobre o espanhol Rafael Nadal, na
final do Master de Hamburgo. Com a vitória,
concluída com um arrasador 6 a 0 no terceiro
e decisivo set (o que os aficionados do tênis
chamam de pneu), Federer interrompeu uma incômoda
seqüência de derrotas para o rival e
readquiriu a confiança necessária
para o Aberto da França, em Roland Garros,
que começa no próximo dia 26, o único
dos quatro torneios que compõem o Grand Slam
que ele ainda não venceu.
Pôs fim também à fantástica
marca de 81 vitórias consecutivas de Rafael
Nadal em quadras de saibro, que consolidaram sua
condição de rei do saibro. De fato,
ao atingir tal sucessão ininterrupta de vitórias,
Nadal tornou-se o maior recordista de todos os tempos
de vitórias seguidas nesse tipo de piso,
superando reconhecidos craques como os suecos Bjorn
Borg e Mats Wilander, o austríaco Thomas
Muster e o brasileiro Gustavo Kuerten, o nosso Guga,
todos eles também chamados, anteriormente,
de "reis do saibro".
Considerando o elevado nível técnico
e a acentuada competitividade que caracterizam o
tênis contemporâneo, arrisco-me a dizer
que dificilmente essa marca de Nadal será
superada, o que atesta a extraordinária categoria
deste jovem espanhol, que só não é
o número 1 do mundo exatamente por ter surgido
para o tênis no auge da carreira de Federer,
que caminha para ser o maior tenista da história.
A enxurrada de emoções prosseguiu
no norte do Brasil, mais precisamente no belo complexo
esportivo de Belém do Pará, onde dois
brasileiros conseguiram expressivos resultados no
Grande Prêmio Brasil de Atletismo, competição
que faz parte do circuito mundial e que, por essa
razão, atrai atletas de vários países.
A primeira foi a pernambucana Keila Costa, que atingiu
6,88 m no salto em distância, a melhor marca
do ano na modalidade, superando os 6,82 m da americana
Akiba McKinneet, até então o recorde
da temporada.
Keila Costa, que já estava pré-classificada
para os Jogos Pan Americanos e que é detentora
da sétima melhor marca do mundo em salto
triplo, confirma sua condição de forte
candidata a uma ou duas medalhas no Pan do Rio,
onde deverá ter como uma de suas principais
adversárias a brasileira Maurren Maggi, de
volta às pistas depois do afastamento provocado
pela suspensão pelo uso de doping e da experiência
da maternidade.
Maurren Maggi, que tem obtido ótimos resultados
e que também está pré-classificada
para o Pan, preferiu não participar do GP
de Belém por estar sentindo dores musculares.
O outro grande resultado foi alcançado pelo
paranaense Jadel Gregório, que conseguiu
a marca de 17,90 m no salto triplo, superando por
1 cm a fantástica marca de João Carlos
de Oliveira, o João do Pulo, obtida em 1975,
nos Jogos Pan Americanos disputados na Cidade do
México. Jadel Gregório, que já
havia saltado 17,66 m na mesma prova, registrando
a melhor marca do mundo no ano até então,
insere seu nome definitivamente entre os grandes
campeões brasileiros da modalidade, como
legítimo herdeiro de Ademar Ferreira da Silva,
Nelson Prudêncio e João Carlos de Oliveira.
Além disso, confirma sua condição
de forte candidato a uma medalha no Pan do Rio.
Com seu salto, Jadel quebrou um dos mais duradouros
recordes sul-americanos, que já durava 32
anos. O recorde mundial, do britânico Jonathan
Edwards, de 18,29 m, foi registrado em 1995.
O outro fato que tornou memorável o dia
20 de maio teve lugar em São Januário,
estádio do Vasco da Gama, onde Romário
marcou seu milésimo gol, cobrando pênalti
na partida em que seu clube derrotou o Sport de
Recife por 3 a 0, pelo Campeonato Brasileiro. Com
isso, Romário torna-se o segundo jogador
a atingir a referida marca, quase 38 anos após
o mesmo feito ter sido conseguido por Pelé.
Embora sem a mesma repercussão do milésimo
gol de Pelé, e mesmo não querendo
fazer qualquer comparação entre os
dois jogadores - até porque não há
qualquer jogador no mundo que possa ser comparado
a Pelé, que me desculpem los hermanos argentinos
-, acredito que o feito de Romário deva ser
comemorado e reverenciado como uma grande conquista,
pois boa parte da carreira do "Baixinho"
foi passada em países da Europa, onde a preocupação
defensiva das equipes e o vigor físico dos
zagueiros são sobejamente conhecidos.
Por isso, considero de menor importância
se a contagem dos 1.000 gols é precisa ou
não ou se houve certa apelação
de Romário nos últimos tempos ao jogar
em equipes e campeonatos de menor expressão
em sua tentativa de atingir essa marca. O fato é
que Romário conseguiu realizar esse sonho,
jogando ainda em nível competitivo, aos 41
anos de idade, num time de ponta.
Àqueles que insistem em tentar minimizar
o feito do Baixinho, sugiro apenas que esperem para
ver qual o próximo jogador a atingir essa
incrível marca. E, se me permitem, que se
preparem para uma longa espera...
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