Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.














Maestros*


Luiz Alberto Machado - 23/07/2007

 

 

Feliz é o país que possui, por gerações sucessivas, levantadores tão extraordinários como William, Maurício e Ricardinho, responsáveis, em grande medida, pelo elevado nível técnico atingido pelo voleibol brasileiro.

Não me esqueço de uma entrevista concedida pelo técnico da seleção cubana da época do temível Joel Despaigne (anos 80), em que ao ser perguntado por que sua equipe havia sido vencida pela do Brasil, respondeu sem qualquer hesitação: "Foi por causa do William. Ele faz a diferença". Era o levantador da chamada geração de prata, que tinha Bernard, Renan, Montanaro, Xandó, Fernandão, Amauri, Badalhoca e outros. Foi a equipe que ganhou o título pan-americano de 1983 e os vice-campeonatos mundial e olímpico, razão do nome pelo qual ficou conhecida. Como William, depois dessa entrevista, continuou ainda por um bom tempo capitaneando a seleção, ao lembrar das palavras do técnico cubano eu pensava: o que vai ser do vôlei do Brasil quando o William parar de jogar?

A resposta não demorou a surgir. E veio na figura - e nas mãos - de um jogador que se projetou atuando num clube de Campinas e que, por sua habilidade e categoria, logo passou a ostentar a condição de titular da seleção brasileira, transformando-se no grande maestro da geração que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona (1992) e o primeiro dos nossos 7 títulos da Liga Mundial (1993) e que contava com Marcelo Negrão, Carlão, Paulão, Tande, Giovane e tantos outros. Naturalmente, em função da qualidade de seu jogo, Maurício fez parte da legião brasileira que fez sucesso no exterior, atuando por várias temporadas no voleibol italiano. Não deixou em nenhum momento no entanto de permanecer como levantador titular da seleção brasileira na fase de transição para novas gerações, quando surgiram Nalbert, Gilson, Giba, Gustavo e Henrique. Nessa longa trajetória como titular da seleção, revezavam-se como reservas da posição Ricardinho e Marcelinho.

A mesma dúvida que me perturbava nos tempos de William retornava à minha (e de quantos mais?) cabeça: o que será do nosso vôlei com o fim da carreira de Maurício?

Uma vez mais, a resposta não demorou. Ao contrário, desta vez ela veio de forma ainda mais automática, já que Ricardinho acabou assumindo a condição de titular antes mesmo até do encerramento da carreira do seu genial antecessor. Os papéis se inverteram: o reserva virou titular e o titular foi para a reserva. E, no banco, Maurício deu mais uma demonstração de sua grandeza, apoiando o novo titular e contribuindo, com sua enorme experiência, para a consolidação daquele que é considerado por muita gente como um dos maiores times de voleibol de todos os tempos.

Com Ricardinho, nossa seleção passou a apresentar um ritmo vertiginoso, graças à ousadia e à velocidade que ele imprimiu ao jogo, distribuindo as bolas para as diversas opções de ataque que o Brasil possui e, não raras vezes, deixando completamente desconcertada a defesa adversária. Tendo absoluto entrosamento com o líbero Serginho, de quem recebe a maioria dos passes, e total confiança dos companheiros, Ricardinho desfila sua imensa categoria pelas quadras do mundo, contribuindo para o sucesso dessa fantástica geração que inclui André Nascimento, André Heller, Dante, Anderson, Murilo e Rodrigão. E, a exemplo do que fizeram seus antecesores, transmite experiência e facilita a afirmação de novos talentos que surgem para manter o alto nível de competitividade do nosso voleibol, cujo melhor exemplo atualmente é o jovem Samuel.

Com o passar do tempo, é natural que a mesma dúvida ressurja: como será depois de Ricardinho? Ao que tudo indica, o Brasil continuará bem servido na posição, já que desponta um novo craque, com qualidade e pedigree para manter a tradição , já que é filho de Bernardinho (ele também um excelente levantador) e de Vera Mossa, uma das musas e grandes jogadoras do voleibol feminino, que, por sinal, teve uma seqüência parecida de gerações de ótimas levantadoras, com Jaqueline, Ana Richa, Fernanda Venturini e Fofão.

Em suas mãos, Bruninho, a responsabilidade de dar continuidade a essa incrível característica no nosso campeoníssimo voleibol.

* Este artigo foi redigido no dia da derrota da seleção feminina na final contra Cuba, alguns dias portanto antes do corte de Ricardinho, às vésperas da estréia da seleção masculina no Pan.


 

 

Bichir
asbichir@hotmail.com
26/07/2007


 

 

é isso aí, Beto! um breve comentário. Acho que durante o Mundialito de 1983, o Despaigne não jogava ainda pela seleção principal. Nesse torneio perdemos o Renan (que foi machucado para Los Angeles, lembra-se?). Montanaro o substituiu (e, bem, diga-se!, mas não conseguimos vencer duas vezes os \'irmãos do Norte\'. A propósito, o técnico não era o mesmo Orlando Samuel (ou ele era o auxiliar??)? Por falar nisso, me lembro da entrevista: Me dêem o William e meu time será imbatível! Aquela Olimpíada e a anterior saíram chamuscadas em razão do boicote, não? Em todo o caso, nosso time era excepcional, mas inferior - acho - ao norte-americano, de Kiraly, Buck, Dvorak, Timmons, Powers e Berzins... Quanto ao \'affair\' Ricardinho, tenho prá mim que o Bernardinho sofreu uma recaída de \'excesso de autoridade\'. Ao que parece, o problema é antigo, não está localizado apenas no levantador e o cara é o lider do grupo. Acho, no entanto, que não podemos nos dar ao luxo de dispensá-lo. Roupa suja se lava em casa... Por sorte, a equipe dos EUA não mandou o time da última Liga Mundial... Sem o Ricardo, nosso time é apenas um grande time (é o bastante para o Pan, acredito; não o é para a Copa dos Campeões e para Pequim).
abraço,

 

 



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