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Maestros*
Luiz
Alberto Machado - 23/07/2007
Feliz
é o país que possui, por gerações
sucessivas, levantadores tão extraordinários
como William, Maurício e Ricardinho, responsáveis,
em grande medida, pelo elevado nível técnico
atingido pelo voleibol brasileiro.
Não
me esqueço de uma entrevista concedida pelo
técnico da seleção cubana da
época do temível Joel Despaigne (anos
80), em que ao ser perguntado por que sua equipe
havia sido vencida pela do Brasil, respondeu sem
qualquer hesitação: "Foi por
causa do William. Ele faz a diferença".
Era o levantador da chamada geração
de prata, que tinha Bernard, Renan, Montanaro, Xandó,
Fernandão, Amauri, Badalhoca e outros. Foi
a equipe que ganhou o título pan-americano
de 1983 e os vice-campeonatos mundial e olímpico,
razão do nome pelo qual ficou conhecida.
Como William, depois dessa entrevista, continuou
ainda por um bom tempo capitaneando a seleção,
ao lembrar das palavras do técnico cubano
eu pensava: o que vai ser do vôlei do Brasil
quando o William parar de jogar?
A
resposta não demorou a surgir. E veio na
figura - e nas mãos - de um jogador que se
projetou atuando num clube de Campinas e que, por
sua habilidade e categoria, logo passou a ostentar
a condição de titular da seleção
brasileira, transformando-se no grande maestro da
geração que conquistou a medalha de
ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona (1992)
e o primeiro dos nossos 7 títulos da Liga
Mundial (1993) e que contava com Marcelo Negrão,
Carlão, Paulão, Tande, Giovane e tantos
outros. Naturalmente, em função da
qualidade de seu jogo, Maurício fez parte
da legião brasileira que fez sucesso no exterior,
atuando por várias temporadas no voleibol
italiano. Não deixou em nenhum momento no
entanto de permanecer como levantador titular da
seleção brasileira na fase de transição
para novas gerações, quando surgiram
Nalbert, Gilson, Giba, Gustavo e Henrique. Nessa
longa trajetória como titular da seleção,
revezavam-se como reservas da posição
Ricardinho e Marcelinho.
A
mesma dúvida que me perturbava nos tempos
de William retornava à minha (e de quantos
mais?) cabeça: o que será do nosso
vôlei com o fim da carreira de Maurício?
Uma
vez mais, a resposta não demorou. Ao contrário,
desta vez ela veio de forma ainda mais automática,
já que Ricardinho acabou assumindo a condição
de titular antes mesmo até do encerramento
da carreira do seu genial antecessor. Os papéis
se inverteram: o reserva virou titular e o titular
foi para a reserva. E, no banco, Maurício
deu mais uma demonstração de sua grandeza,
apoiando o novo titular e contribuindo, com sua
enorme experiência, para a consolidação
daquele que é considerado por muita gente
como um dos maiores times de voleibol de todos os
tempos.
Com
Ricardinho, nossa seleção passou a
apresentar um ritmo vertiginoso, graças à
ousadia e à velocidade que ele imprimiu ao
jogo, distribuindo as bolas para as diversas opções
de ataque que o Brasil possui e, não raras
vezes, deixando completamente desconcertada a defesa
adversária. Tendo absoluto entrosamento com
o líbero Serginho, de quem recebe a maioria
dos passes, e total confiança dos companheiros,
Ricardinho desfila sua imensa categoria pelas quadras
do mundo, contribuindo para o sucesso dessa fantástica
geração que inclui André Nascimento,
André Heller, Dante, Anderson, Murilo e Rodrigão.
E, a exemplo do que fizeram seus antecesores, transmite
experiência e facilita a afirmação
de novos talentos que surgem para manter o alto
nível de competitividade do nosso voleibol,
cujo melhor exemplo atualmente é o jovem
Samuel.
Com
o passar do tempo, é natural que a mesma
dúvida ressurja: como será depois
de Ricardinho? Ao que tudo indica, o Brasil continuará
bem servido na posição, já
que desponta um novo craque, com qualidade e pedigree
para manter a tradição , já
que é filho de Bernardinho (ele também
um excelente levantador) e de Vera Mossa, uma das
musas e grandes jogadoras do voleibol feminino,
que, por sinal, teve uma seqüência parecida
de gerações de ótimas levantadoras,
com Jaqueline, Ana Richa, Fernanda Venturini e Fofão.
Em
suas mãos, Bruninho, a responsabilidade de
dar continuidade a essa incrível característica
no nosso campeoníssimo voleibol.
*
Este artigo foi redigido no dia da derrota da seleção
feminina na final contra Cuba, alguns dias portanto
antes do corte de Ricardinho, às vésperas
da estréia da seleção masculina
no Pan.
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